19 DEZEMBRO 2024 ANGOLA: A QUEDA DO ANJO GENITO

A história universal está repleta de episódios em que a confiança entre amigos foi traída. Exemplos? Aqui estão: Judas Iscariotes traiu Jesus Cristo. Charles Pichegru foi desleal com Napoleão Bonaparte. René Barrientos apunhalou Che Guevara pelas costas. O imperador romano Júlio César foi tramado pelo seu enteado: Brutus!
Sejamos honestos e directos: Quando João Lourenço assumiu os destinos do País, encontrou uma (in)disfarçavel
“resistência passiva” por parte dos seus camaradas. Tipo “Quinta Coluna” nos aparelhos do Estado e do partido. Para dar à volta à situação, recorreu aos amigos. Propósito: Levar a cabo com sucesso a missão de dirigir os destinos de Angola com aqueles que considerava capazes. Com aqueles que eram da sua inteira confiança pessoal e política.
Um dos amigos a quem recorreu foi um coetâneo seu. Um companheiro de trumunos de bola de trapo no areal lá de Malange: Eugénio César Laborinho (Genito). João Lourenço exonerou-o do cargo de governador de Cabinda e confiou-lhe a pasta do Ministério do Interior. Um amigo com alta responsabilidade política no País confidenciou-me: “Essa nomeação é um desastre! Este homem não tem perfil para este cargo”. Ignorei-o com sucesso. Os resultados do alerta estão agora à vista de quem quer ver. Quando anunciada a sua elevação para o cargo de ministro do Interior, Eugénio Laborinho festejou. Foi visto nas Redes Sociais a dançar “kuduro”.
César Laborinho traiu a confiança e a amizade de João Lourenço. Extrapolou os poderes que detinha. Transformou-se num perigo para Segurança Nacional. Causou inúmeros prejuízos à economia nacional. Foi associado ao tráfico de drogas e de combustíveis. Com os seus actos e omissões desacreditou o Executivo. Embaraçou o Titular do Poder Executivo e Presidente da República. Abusou da sua confiança.
João Lourenço tomou a medida mais improvável aos olhos dos cidadãos: A de defenestrar Eugénio Laborinho do cargo de ministro do Interior e afastá-lo à francesa do Bureau Político do MPLA. João Lourenço cansou-se da brincadeira! Fartou-se dos abusos do seu “amigo de cola e gengibre”. Tirou-lhe a vaidade. Cortou-lhe as asas! Foi a queda aparatosa do anjo Genito!
Eugénio Laborinho anda acabrunhado. Feito um milhafre ferido na asa. Cabisbaixo. A empáfia esfumou-se. O motivo é simples: O Presidente da República vai entregar-lhe às feras da Justiça. João Lourenço vai dar “luz-verde” proximamente à PGR para apertar os calos ao ex-ministro do Interior. Saiu sem honra nem glória do Bureau Político. Eugénio Laborinho sai da política pela porta pequena. Triste e pensaroso anda João Lourenço que, por estes dias, farta-se de perguntar ao seus botões: “Até tu, Genito?”.