ANALISTA APONTA JOÃO LOURENÇO COMO PEÇA-CHAVE NA MEDIAÇÃO DA PAZ NO LESTE DA RDC
As deslocações frequentes do presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, à Luanda, criam oportunidades concretas de diálogo franco e redução de suspeitas no processo de resolução do conflito no leste da RCD.
A afirmação é do analista político Eurico Gonçalves, que disse esta sexta-feira, à Rádio Correio da Kianda, que Angola pode desempenhar um papel decisivo como mediadora do conflito, sobretudo pela adopção da postura de neutralidade e escuta activa, o que, na sua visão, permite a realização de acordos pragmáticos.
O especialista disse ainda que a existência de mais de 120 grupos armados a operar na região, aliado ao facto de os países vizinhos como o Ruanda e Uganda manifestarem interesses estratégicos pelos recursos minerais disponíveis na RDC, torna a situação mais complexa ainda, bem como fragiliza a estabilidade. De acordo com Eurico, para o fim do conflito, é essencial a aplicação de um conjunto de condições, a citar.
“A inclusão de um cessar-fogo efectivo e monitorizado de forma imediata. A inclusão de todos os actores, comunidades locais e dos países vizinhos. A condenação regional e internacional, envolvendo Angola, União Africana, EUA, Quénia, Qatar e a ONU. E, por último, solução de longo prazo com o desarmamento, reintegração e justiça local”, disse.
Eurico termina dizendo que a paz verdadeira surge apenas do correcto entendimento das divergências.
Note que o Presidente da República e da União Africana (UA), João Lourenço, apelou quinta-feira, em Luanda, para um cessar-fogo imediato e incondicional no Leste da República Democrática do Congo (RDC).