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UNITA IGUAL AO MPLA: ADALBERTO COSTA JÚNIOR ACUSADO DE AFASTAR SAMAKUVA  DO COMITÉ PERMANENTE

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Isaías Henrique Ngola Samakuva já não faz parte do Comité Permanente da UNITA, por decisão unilateral do presidente do partido, Adalberto Costa Júnior, após a realização do XIV  congresso ordinário, em Novembro de 2025, que o reconduziu para mais um mandato de cinco anos, e a medida está a provocar um mal- estar no seio de alguns membros

Desconhecem-se as razões que determinaram a  exclusão de Isaías Samakuva, pois  o líder do partido  não justificou a decisão aos membros deste órgão deliberativo e, ao que tudo indica, pode-se abrir um novo precedente, no que concerne às divisões internas.

Mas fontes deste jornal alegam que Samakuva foi excluído por ter desmentido Adalberto quando o acusou de ter tido uma gestão danosa dos recursos do partido, durante o seu consulado, que se consubstanciaram em alegadas dívidas num banco privado, a  uma empresa chinesa e também a uma empresa que comercializa viaturas. Adalberto Costa Júnior fez estas acusações na cidade de Moçâmedes, capital da província do Namibe, durante uma reunião com membros do executivo provincial local, quando se encontrava em campanha eleitoral naquela circunscrição do litoral Sul, alusiva ao conclave passado.

Inconformado, e para lavar a sua imagem, o ex-presidente tinha enviado uma carta ao seu sucessor, na qual  refutou todas as acusações, tendo inclusive apresentado o último relatório de contas durante uma reunião do Comité Permanente.

A atitude de Samakuva, segundo fontes deste jornal, terá sido interpretada por Adalberto Costa Júnior como uma afronta a si, daí ter tomado a decisão de o afastar desse importante órgão dessa força política. Aliás, atendo-se ainda às nossas fontes, o clima entre os dois líderes já não era o mais saudável, desde que o primeiro passou a dirigir a Fundação Jonas Malheiro Savimbi( FJMS).

Por altura da sua apresentação pública, ocorrida num dos hotéis de luxo de Luanda, o presidente da UNITA tinha dito publicamente que a mesma era uma emanação, mas o verdadeiro motivo era a criação de uma força política, pelo MPLA  para fazer frente à UNITA, sob alegação que tinha perdido a popularidade, depois das eleições gerais de 2022, em que o partido do “galo negro” obteve 90 deputados.

Segundo apurou o Pungo a Ndongo, a relação entre ambos azedou em 2019, quando o Tribunal Constitucional (TC)  anulou o primeiro conclave que tinha eleito Adalberto Costa Júnior, depois de uma providência cautelar interposta por um grupo de militantes e quadros fiéis a Isaías Samakuva, com destaque para Manuela dos Prazeres, Ana Filomena Domingos, Rafael Mukanda, Kawiki Sampaio da Costa,entre outros.

Durante esse processo todo, até a repetição do conclave, o antigo líder do partido manteve-se num silêncio sepulcral, chegando ao ponto de ser ameaçado por seguidores de Adalberto Costa Júnior, no Sovsmo, em Viana, onde se tinha dirigido para presidir a uma reunião preparatória para a convocação de um novo congresso, depois de o primeiro ter sido chumbado.

Além de Samakuva, foram também afastados Alcides Sakala Simões e Franco Marcolino Nhany, o primeiro, antigo secretário para as relações exteriores, e o segundo foi secretário-geral, no último mandato de Isaías Samakuva, cujas causas também não foram reveladas.

Alcides Sakala concorreu à liderança da UNITA, no XIII Congresso Ordinário, em 2019, tendo perdido para Adalberto Costa Júnior, por uma mínima vantagem sobre o seu adversário, e no XIV conclave, foi o presidente da comissão eleitoral.

PORTA-VOZ RECUSA FALAR

Contactado por este jornal, sobre o assunto, o porta-voz da UNITA, Fernando Francisco Falua, recusou comentar, tendo-nos sugerido que falássemos com os três membros afastados, por alegadamente não estar em condições para pronunciar-se sobre esta questão.

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