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ANGOLANOS RECORDAM OS HERÓIS DA LUTA ARMADA DE LIBERTAÇÃO DO DIA 04 DE FEVEREIRO

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O 4 de Fevereiro de 1961 ocupa um lugar central na história de Angola. Na madrugada desse se deu o início da Luta Armada de Libertação Nacional, um momento decisivo que rompeu, de forma irreversível, com o silêncio e o sofrimento imposto pelo regime colonial português e abriu caminho para a longa caminhada rumo à Independência.

Naquele dia, um grupo considerável de angolanos, ligados ao MPLA e à UPA, avançou contra símbolos claros do poder colonial em Luanda. Foram atacadas a Casa de Reclusão Militar, a Cadeia da 7.ª Esquadra da polícia, a sede dos CTT e a então Emissora Nacional de Angola. O objectivo principal era libertar presos políticos e afirmar, perante o mundo e o próprio povo angolano, que a resistência deixava de ser apenas política e clandestina, e passava a ser armada.

Apesar da desigualdade de meios e da forte repressão que se seguiu, o impacto do 4 de Fevereiro foi profundo. Mais do que o sucesso militar imediato, o acto teve um enorme valor simbólico. Demonstrou coragem, organização e, acima de tudo, a disposição de enfrentar um sistema colonial violento, mesmo sabendo dos riscos elevados que isso implicava.

Entre os muitos participantes, a maioria deles anónimos, três figuras ficaram registadas na memória colectiva através de imagens fotográficas e televisivas. Paiva Domingos da Silva e Imperial Santana são apontados como principais líderes da acção daquela madrugada.

Ao lado deles surge a figura singular de Engrácia Capenha, que ficou conhecida como a “Rainha do 4 de Fevereiro”. Tinha cerca de 17 anos na época e foi envolvida num ritual tradicional, acreditado como essencial para garantir o sucesso da operação. A sua imagem tornou-se um símbolo da dimensão espiritual, cultural e humana que também marcou a luta de libertação.

Passadas mais de seis décadas, o 4 de Fevereiro continua vivo na consciência nacional. É uma data celebrada, evocada e respeitada, mas que ainda reclama maior divulgação e aprofundamento histórico. Muitos dos protagonistas directos já não estão entre nós, o que torna ainda mais urgente o registo rigoroso dos factos, dos contextos e dos sacrifícios feitos por milhares de angolanos que ofereceram, em muitos casos, a própria vida pelo ideal da liberdade.

Recordar o 4 de Fevereiro não é apenas revisitar o passado. É um exercício de memória colectiva e de responsabilidade histórica. É garantir que as novas e futuras gerações compreendam que a Independência Política de Angola não foi um dado adquirido, mas o resultado de um caminho árduo, marcado por coragem, sofrimento e uma determinação inabalável rumo a uma Independência, sociocultural e económica.

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