TRIBUNAL: SENTENÇA DE DESPEJO DE IMÓVEL FAVORECE INQUILINO DO ENTÃO INQUILINO
Uma equipa de oficiais de diligências do Tribunal da Comarca de Belas, Sala do Civil, com a sentença nº 180/2026 – D, colocou ao relento uma família composta por 9 elementos (proprietária do imóvel) a favor de um terceiro, Mamud Barry (nas imagens), ao qual o imóvel foi subarrendado pelo então inquilino Joueid Mohamed Vadel (ausente do País).
O dia cinco de fevereiro de 2026, pelas 11 horas, ficará marcado na vida do casal Jorge Justino e Yara Manuela, dignos proprietários da residência c/s número, rua do Kuro Kilamba, Centralidade do Kilamba, defronte das bombas de combustível Pumangol.
Inusitadamente, o tribunal desalojou o proprietário do imóvel a favor de um terceiro que, através de trespasses de chaves, se apossou do contrato (feito com o conterrâneo já em fim de extinção de cinco anos), explorando por seis meses uma cantina e uma padaria.
Não quer sair
Segundo Yara Manuela, quando faltavam três meses, Joueid Vadel foi comunicado da não continuidade. “Sem resistência, rubricamos a rescisão – como o sr. Jornalista pode ver, está aqui o documento”, (exibiu).
Gostaria de nascer noutro País
Yara sublinhou: “Sinceramente, gostaria de ter nascido noutro País. Não consigo perceber que um órgão de soberania como o tribunal desaloje o proprietário de um imóvel a favor de um terceiro, uma pessoa que se favoreceu de trespasse de chaves pelo meu inquilino. Eu vivo na parte de trás e tinha arrendado a parte da frente ao Joueid Mohamed Vadel, que a transformou em cantina e padaria.
Hoje, eu e o meu esposo ausentes de casa, o tribunal envia uma equipa e invade a minha residência, arrombando a porta (quebra vidros, parte os cadeados), com os homens do (vigarista) Mamud Barry retiraram os meus pertences e jogaram-nos na rua! Partiram a minha louça, dei falta do dinheiro que tínhamos em casa avaliado em 8.600.000,00 (oito milhões e seiscentos mil Kwanzas) – quem vai devolver este prejuízo?”, interrogava-se. “Isso é o cúmulo, até onde chegou a corrupção, sr. Jornalista”, atirou.
“Tenho sete filhos, cujo menor tem 1 ano e meio. O Barry deve apenas retirar os seus pertences (material da padaria e os meios da cantina); ele não tem dívida connosco e porque a casa é nossa, nem nós com ele. Há oito meses que teimosamente ele próprio abandonou aqui as coisas, exigindo que estabelecêssemos um outro contrato de arrendamento com ele, não sendo do nosso interesse. Ele usa influências: o cônsul da Mauritânia, o director da Angola Real também se meteram nisso com ameaças de morte e tudo”, reiterou.
“O único contrato que ambos homologamos e demos por extinto foi com o Vadel.
Este senhor Mamud Barry que reivindica o nosso espaço, e agora o tribunal na sentença nº 180/2026 – D o favorece, não é, e nunca foi nosso inquilino; não existe quaisquer documento rubricado entre as partes. Ele era suposto gerente do Vadel e pessoa encarregada de efectuar os pagamentos da renda por via de transferência na ausência do inquilino (Vadel).
Tínhamos arrendado a casa toda; ao virmos visitar, decepcionamo-nos com a imundice, paredes alteradas, aí decidimos a restituição do imóvel. O Vadel comunicou da intenção ao representante (Mamud Barry), este solicitou-nos um período de três meses a fim de comercializar os produtos existentes; foi-lhe concedido. Só que ele excedeu o tempo e, sem o nosso consentimento, efectuou uma transferência de mais três meses para a minha conta bancária. Observámos a má intenção do homem. Fizemos a devolução dos valores, pensámos estar tudo terminado.”
A sentença
Yara acrescentou: “O tribunal apresenta uma sentença em nome de Mohamed Vadel, como se fosse a pessoa que reivindica, sei lá o quê? Não nos deram a ler. Mas quem vem encabeçar o despejo é o Mamud Barry. Pelo menos o tribunal teria que nos comunicar”, lamenta.
Senhorio é detido
Soube o Na Lente do Crime: Jorge Justino Simão, proprietário (senhorio) do imóvel, foi detido no Comando da Polícia do Kilamba por desacato às autoridades, conta Yara Manuela, “porque na ocasião o Jorge, quando recebeu o telefonema do vizinho que o alertou do acto, encontrou os filhos e o mobiliário na rua, e na reacção do momento, perdeu as estribeiras e insurgiu-se contra a equipa judiciária.”
Na sexta-feira, dia 06, a nossa equipa regressou ao local do crime, já com Jorge Simão em liberdade. Disse ao Na Lente do Crime: “Por incrível que pareça, nunca o tribunal me convocou para audiência ou esclarecimento. Fui detido e levado ao tribunal do Benfica, aí o meu advogado foi chamado e exigiu-se o pagamento de uma caução de KZ 210.000,00 (duzentos e dez mil Kwanzas); minutos depois fui posto em liberdade”, disse.
Na procura da verdade material, Mamud Barry, para além de esboçar um sorriso de felicidade (como quem diz “ganhei”), recusou-se a tecer quaisquer declarações ao Na Lente do Crime.