INCOMPETENCIA: ÁGUA NO UÍGE É UM BEM PRECIOSO AINDA INACESSÍVEL
Em pleno século 21, na província do Uíge, muitos cidadãos continuam a enfrentar filas e “enchentes” nas torneiras à procura do bem mais essencial à vida: a água. Apesar de décadas de governação do MPLA, que neste meio século prometeu progresso e modernização, a realidade diária mostra um cenário de descaso e má gestão dos recursos hídricos.
A população questiona: o que melhorou realmente com a governação do MPLA no Uíge? Estradas, escolas e algumas infraestruturas não foram construídas, o acesso contínuo e de qualidade à água permanece uma promessa não cumprida. O contraste é gritante quando se compara a publicidade oficial com a realidade nas comunidades rurais e mesmo em alguns bairros urbanos.

Enquanto isso, a administração local, sob a liderança de José Raimundo, parece impotente ou pouco comprometida em resolver o problema. Relatos de cidadãos afirmam que pedidos de intervenção, reparação de sistemas de abastecimento e medidas preventivas simplesmente não têm resposta. A água continua a faltar em períodos críticos, e a população é obrigada a recorrer a soluções improvisadas, muitas vezes pagando caro por algo que deveria ser garantido como direito básico.
Outro ponto que gera indignação são as faturas elevadíssimas, mesmo quando o serviço é irregular ou inexistente. Muitos se perguntam: por que pagar valores tão altos por um serviço que não chega de forma contínua? A explicação oficial raramente convence, e a falta de transparência no processo de faturamento e gestão dos recursos hídricos alimenta a percepção de que há corrupção e desvio de fundos.
A situação evidencia uma falha estrutural: a prioridade não está no cidadão, mas em interesses políticos e administrativos que pouco se importam com o sofrimento diário de quem precisa de água para viver. Enquanto a governação anuncia “avanços” e realiza cerimônias de inauguração, milhares de famílias continuam a enfrentar o mesmo problema de sempre: a escassez de água e a cobrança injusta por um serviço precário.
Reflexão final: no século 21, água não deveria ser um luxo, mas um direito garantido. A população do Uíge merece transparência, responsabilidade e soluções reais, e não apenas discursos políticos que escondem décadas de negligência.
DE: AMILSON MÏ GÜĒLL’S – ATIVISTA SOCIAL E DEFENSOR DOS DIREITOS HUMANOS