E-mail para denúncia: correiodamanha18@gmail.com

SAÚDE EM ANGOLA ESTÁ DOENTE: “QUANDO TE LEVAM AO HOSPITAL GERAL DE LUANDA, ESTÁS A IR PROCURAR A MORTE EM VEZ DA CURA”

0

O que era para ser um local de cura tem sido descrito por vários cidadãos como um verdadeiro cenário de desespero. Comentários de pacientes, familiares e estagiários estão a levantar sérias preocupações sobre o funcionamento do Hospital Geral de Luanda e, de forma mais ampla, dos hospitais públicos em Angola.

Entre os relatos mais marcantes, há quem afirme que “quando te levam ao Hospital Geral de Luanda, estás a ir procurar a morte em vez da cura”, refletindo o nível de desconfiança e medo que muitos cidadãos dizem sentir ao recorrer aos serviços de saúde pública.

Um outro testemunho reforça essa percepção: “Na minha família, quando eu estava no terceiro ano da universidade, um dos meus professores entrou na sala de aula e disse o seguinte: escrevam nas capas dos vossos cadernos, eu nunca vou levar um familiar meu ao Hospital Geral de Luanda”.

Estagiários também decidiram quebrar o silêncio. Segundo denúncias, muitos são obrigados a assumir responsabilidades que deveriam ser dos médicos, trabalhando sem supervisão adequada e enfrentando maus-tratos por parte de profissionais mais experientes. “Vamos para aprender, mas acabamos fazendo o trabalho dos médicos, e ainda somos tratados com rudeza”, relata um dos testemunhos, acrescentando que o ambiente é tão hostil que muitos vão ao estágio com medo.

Segundo diversos comentários, muitos estagiários afirmam que, apesar de estarem na fase de aprendizagem, são frequentemente deixados sozinhos para lidar com pacientes graves, sem instruções adequadas dos médicos e doutores responsáveis. “Muitos deixam o trabalho nas mãos de alguém que nem uma injeção sabe aplicar corretamente. E ainda somos maltratados pelos médicos, sentimos-nos inúteis”, relatam alguns estagiários. Eles reforçam que deveriam atuar como ajudantes, e não assumir responsabilidades que colocam vidas em risco.

Outros estagiários apelam à Ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, para que a situação seja revista e, se necessário, para que toda a direção hospitalar seja exonerada. Segundo eles, “nada é feito para o bem-estar da sociedade; em vez de ajudar, acabam prejudicando. Não é normal deixar um paciente gravemente ferido nas mãos de um estagiário”.

Os comentários revelam ainda um cenário preocupante de desumanização no atendimento. Pacientes e familiares denunciam arrogância por parte de profissionais de saúde, falta de empatia e até cobranças ilegais dentro das unidades hospitalares. Há relatos de pagamentos exigidos para garantir uma cama ou até para carregar telemóveis, o que agrava ainda mais a indignação.

Casos de alegada negligência médica também estão entre as denúncias mais graves. Um cidadão afirma ter perdido o pai após falhas no diagnóstico e atraso na realização de exames, enquanto outros relatam mortes de familiares após longas horas de espera ou transferências tardias.

Um familiar relata ainda um caso dramático: “A minha irmã perdeu a vida. Deu entrada às 6h e só às 19h foi transferida; acabou por morrer já no caminho”.

Além disso, muitos apontam para a falta de segurança e organização nos hospitais públicos, descrevendo-os como locais onde “ninguém vê ninguém e ninguém sente a dor do próximo”.

Estes relatos surgem por intermédio de uma publicação da página Luanda Sul Line, que destacou recentemente casos de violência na Camama e a dificuldade de atendimento no Hospital Geral de Luanda, mostrando que situações de risco de vida frequentemente ficam nas mãos de estagiários sem acompanhamento adequado.

Diante da gravidade das acusações, vários cidadãos apelam à intervenção da Ministra da Saúde, pedindo inspeções rigorosas e medidas urgentes para melhorar o atendimento e as condições nos hospitais.

Enquanto isso, cresce o sentimento de revolta e frustração entre os utentes, com alguns a defenderem até o encerramento de unidades que consideram ineficazes.

A situação levanta um alerta sério sobre o estado do sistema de saúde pública em Angola, onde, segundo os relatos, procurar atendimento pode estar longe de ser uma garantia de cuidado e segurança.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *