PAPA CRITICA FOME EM ÁFRICA E ROUBO DE RECURSOS DURANTE MISSA NOS CAMARÕES
O Papa criticou esta Sexta-feira, durante uma missa em Duala, nos Camarões, diante cerca de 120.000 fiéis, aqueles que roubam e se “empanturram em comida” perante “aqueles que nada têm para comer”, referindo-se à fome em África.
Na missa que realizou esta manhã nos Camarões, o Papa Leão XIV quis, com a parábola da multiplicação dos pães e dos peixes, destacar na sua homilia, realizada em francês – o idioma oficial do país – o problema da fome em África, apesar de ser uma terra rica em recursos.
“A multiplicação dos pães e dos peixes ocorre na partilha, eis o milagre! Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se for tomado, não com uma mão que acumula, mas com uma mão que dá”, disse, numa esplanada adjacente ao estádio Japoma, na cidade mais populosa dos Camarões, Duala.
“A comida abunda, não se raciona por emergência, não se rouba por disputa nem se desperdiça por aqueles que se empanturram perante aqueles que nada têm para comer”, acrescentou Bento XIV.
Perante a sua chegada, o Papa foi recebido com euforia, com cânticos de “Viva il Papa” (Viva o Papa) pelos fiéis que agitavam “ramos da paz” e bandeiras do Vaticano.
Durante a sua homilia, o Bispo de Roma convidou ainda os camaroneses a serem “actores do futuro” e a “recusarem todas as formas de abuso e violência”.
Precisamente na cidade de Duala, houve, no Outono passado, repressão e violência perante manifestantes que protestavam contra a reeleição, para um oitavo mandato, do Presidente Paul Biya, de 93 anos, no poder desde 1982.
Perante as autoridades, na primeira fila das quais se encontrava Paul Biya, o Papa proferiu então um discurso de uma firmeza rara, apelando nomeadamente a “quebrar as cadeias da corrupção”.
Desde a sua chegada na Quarta-feira, as intervenções do Papa têm sido marcadas por uma forte componente social: na Quinta-feira, denunciou “o mal causado a partir do exterior, por aqueles que, em nome do lucro, continuam a apoderar-se do continente africano para o explorar e pilhar”.
Aproximadamente 26,7 por cento da população dos Camarões vive abaixo da linha da pobreza, segundo dados do Banco Mundial.
Embora o país possua recursos – como petróleo, minerais, madeiras preciosas, cacau, café, algodão – a pobreza é generalizada, especialmente em zonas rurais e no norte, afectando cerca de 8,1 milhões de pessoas, segundo estimativas do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (IFAD, em inglês).
Após a missa, o Sumo Pontífice é esperado no hospital católico Saint-Paul de Duala e regressará a Yaoundé, a capital do país, onde proferirá um discurso perante o meio universitário.
Leão XIV concluirá a sua digressão nos Camarões com uma missa na manhã de Sábado.
Antes dos Camarões, o chefe dos 1,4 mil milhões de católicos efectuou uma visita histórica à Argélia e agora seguirá o seu périplo em Angola e na Guiné Equatorial até 23 de Abril.