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CINISMO POLÍTICO E MEMÓRIA CURTA: O MANIFESTO QUE SE DESMENTE A SI PRÓPRIO – FREDERICO ERNESTO NGUNZA

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Higino Carneiro mandou publicar um manifesto que ele próprio não teve o cuidado de ler. É um manifesto que contradiz tudo aquilo que o vimos fazer enquanto Ministro das Obras Públicas, Governador do Cuanza Sul e do Cuando Cubango, e Primeiro Secretário do Partido nestas duas últimas províncias.

Alguém que recebeu 200 milhões de dólares do Governo Central para resolver problemas emergenciais da província do Cuando Cubango e os desviou para proveito próprio e dos seus amigos não pode prometer fome zero, uma cópia descarada e mal acabada do programa lançado em 2003 no primeiro Governo do presidente Lula, do Brasil.

Higino Carneiro desviou dinheiro público que seria usado para construir escolas e hospitais no Cuando Cubango. Estes recursos foram transferidos para contas de uma empresa do seu genro, que nunca entregou as escolas e outros projectos sociais de combate à pobreza.

Portanto, é risível que venha agora prometer fome zero e prosperidade aos militantes do MPLA e ao povo angolano. É de um cinismo atroz o camarada Higino Carneiro defender causas neste manifesto que sempre ignorou. Como pode falar em progresso e desenvolvimento quem transformou o Cuanza Sul num caso de subdesenvolvimento, pobreza, fome, miséria e desigualdade jamais visto em toda a história desta província?

Alguém se lembra de um legado, um apenas, deixado pelo camarada Higino Carneiro durante a sua passagem pelo Governo do Cuanza Sul?

A sua passagem pelo Ministério das Obras Públicas foi um desastre e um marco de construção de estradas e pontes de esferovite, inclusive uma famosa estrada na região do Nzeto que está ligada ao nada. Durante o mandato de Higino Carneiro nas Obras Públicas, o INEA era um antro de corrupção sistémica e generalizada. Os contratos eram sobrefacturados, as obras não eram entregues. Várias estradas pagas nunca foram entregues. Parte deste dinheiro foi desviada para contas privadas de Higino Carneiro e de Joaquim Sebastião no Brasil e em vários paraísos fiscais.

Em resumo, a candidatura de Higino Carneiro não serve para o Partido. Serve para acomodar interesses e recuperar os privilégios perdidos nestes últimos 10 anos.

A lista de personagens que apoiam Higino Carneiro é composta, quase a 100 por cento, por indivíduos que se enriqueceram às custas do Estado e do sofrimento dos angolanos. É uma lista de apoios composta por pessoas que não precisam de exercitar a democracia interna; precisam, sim, é de interrogatório. Tão longa é a ficha corrida destas personagens.

Alguém acredita que personagens como Joanes André, Joaquim Sebastião, Malichi, Tomás Bika e outros, que jogam na equipa de Higino mas fingem lealdade ao Líder, podem trazer algo de melhor para o MPLA?

A RESPOSTA É UM CLARO NÃO.

A ideia deste grupo é sequestrar o MPLA e destruí-lo, transformando-o num satélite da UNITA de Adalberto, com quem Higino Carneiro mantém uma aliança estratégica e de propostas.

Não se pode ignorar que Higino Carneiro iniciou a sua carreira política e militar na UNITA, de onde nunca saiu, mesmo tendo atingido cargos relevantes nas estruturas do Governo e do MPLA.

Higino Carneiro não quer melhorias no MPLA; está mancomunado com interesses espúrios de todos aqueles que se consideravam donos disto tudo. São grupos de interesse que não aceitam que o país e o MPLA sejam de todos. Não toleram nem perdoam a ousadia da liderança do país em criar condições para que todos os angolanos tenham acesso à riqueza, a bons cuidados de saúde, à boa educação, à protecção social e a obras e estradas bem feitas.

O MPLA, como sempre, colocará Higino Carneiro no seu devido lugar: o da irrelevância política.

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