SILÊNCIO DO GOVERNO AUMENTA REVOLTA DA POPULAÇÃO SOBRE A CRISE DE COMBUSTÍVEL, ÁGUA E GÁS NO UÍGE
Cidade do Uíge vive dias de caos com filas intermináveis nas bombas e falta de bens essenciais. População acusa gestão do Governador Carvalho da Rocha de incompetente e não saber comunicar.
CORREIO DA MANHÃ
Desde os últimos dias, as principais bombas de combustível do Uíge registam filas quilométricas. Motorizadas, carros e camiões ocupam ruas inteiras à espera de abastecer. As imagens mostram centenas de motociclistas parados no centro da cidade, muitos desde a madrugada, sem garantia de que haverá combustível suficiente para todos.
Mas a falta de gasolina é apenas uma parte do problema.
Moradores relatam que a escassez de água potável se agravou nos bairros periféricos, com torneiras secas há mais de uma semana. Ao mesmo tempo, o gás de cozinha desapareceu das revendas, obrigando famílias a recorrer ao carvão e à lenha, com impacto direto no custo de vida e na saúde das mulheres e crianças.
“Estamos aqui desde as 4h da manhã por combustível, em casa não tenho água nem gás para cozinhar. É viver de milagre”, desabafa uma zungueira do bairro Papelão.
A falta de comunicação oficial tem aumentado a indignação. Até ao momento, o Governo Provincial do Uíge não emitiu nenhuma nota explicando as razões da rutura de stock de combustível, água e gás.
“É muita incompetência. O governador Carvalho da Rocha está à frente da província e não consegue resolver nem os problemas mais básicos. São vários os problemas sociais que se acumulam e ninguém vem dizer o que se está a passar no Uíge”, critica um morador.
Economistas e ativistas locais alertam que a repetição destes episódios revela falhas estruturais na planificação e distribuição de bens essenciais. “O Uíge não pode continuar refém de rupturas em cadeia. Falta combustível, falta água, falta gás. Isso é gestão de emergência permanente”, afirma um ativista social da província.
Procurado pela redação, o Gabinete de Comunicação do Governo Provincial do Uíge não respondeu até ao fecho desta edição.
Enquanto isso, nas ruas, a paciência esgota-se. Para os uigenses, a crise já não é só de combustível. É de confiança.