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NO UÍGE: POPULAÇÃO REJEITA “TERRAPLANAGEM” ANUNCIADA POR JOÃO LOURENÇO “UÍGE SEMPRE EM SEGUNDO PLANO”

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Despacho presidencial autoriza obras de terra em 4 vias estratégicas, mas moradores dizem que é pouco para uma província rica e esquecida

O Presidente da República, João Lourenço, autorizou a realização da despesa e a abertura de procedimento de contratação simplificada para obras de terraplanagem em quatro vias rodoviárias estratégicas da província do Uíge.

A medida abrange a ligação Kimbele–Kuango com 120 km, Ambuila–Quipedro com 97 km, Milunga/Massau com 90 km e a estrada Maquela do Zombo–Sacandica com cerca de 158 km. O despacho delega ao governador provincial a condução de todo o processo contratual e de fiscalização.

Na prática, porém, a notícia não agradou.

“Queríamos asfalto, não terra que a chuva leva”

Nas ruas de Maquela do Zombo, Kimbele e Uíge cidade, a reação foi de frustração. Para as populações, anunciar terraplanagem em 2026 é tratar o Uíge como província de segunda.

“Isso é uma brincadeira. Temos um país rico em petróleo, diamante, madeira. E o Presidente manda fazer terraplanagem? Isso dura até a primeira chuva e depois voltamos ao mesmo buraco”, desabafa um taxista em Maquela do Zombo.

A crítica é partilhada por comerciantes, camponeses e jovens: “O Uíge produz café, mandioca, milho que alimenta Luanda. Mas para escoar a produção, nos dão terra batida. Se fosse em Luanda já seria autoestrada”.

Uíge sempre em segundo plano

A sensação de abandono volta a ganhar força. Moradores lembram que promessas de asfaltagem para as principais vias do Uíge se arrastam há anos. Enquanto isso, outras províncias recebem obras definitivas.

“Terraplanagem não desenvolve ninguém. Não atrai investimento, não salva doente, não baixa o preço da comida. É só para dizer que fizeram alguma coisa. O Uíge sempre fica em segundo plano”, critica uma professora de Kimbele.

Técnicos ouvidos pela redação explicam que a terraplanagem melhora a circulação a curto prazo, mas não resiste ao inverno e exige manutenção constante. Já o asfalto garante durabilidade, reduz custos e integra de facto a província ao resto do país.

Agora a bola está com o governador

Com a delegação de competências, cabe ao governador do Uíge avançar com o processo e garantir o arranque das obras. O valor e o prazo de execução não foram divulgados.

Para a população, no entanto, o problema não é a falta de início. É a falta de ambição.

“Se Angola é rica, porque o Uíge não pode ter estrada de verdade? Não queremos paliativo. Queremos asfalto”, conclui um jovem de Sacandica.

Enquanto o despacho não sai do papel, a pergunta nas lavras e nos mercados continua a mesma, até quando o Uíge vai ser tratado como prioridade de segunda?

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