NO UÍGE: SOCIEDADE CIVIL CONVOCA MARCHA PACÍFICA CONTRA MORTES NA MATERNIDADE DO UÍGE
Sob o lema “Vidas Humanas Importam. Justiça!”, os organizadores apelam à participação pacífica dos cidadãos, familiares das vítimas, organizações da sociedade civil e demais membros da comunidade preocupados com a qualidade dos serviços de saúde na província.
PEDRO PAKA
Organizações da sociedade civil na província do Uíge convocaram uma marcha pacífica de repúdio e solidariedade para amanhã,Sábado, 06 de Junho em protesto contra as constantes mortes registadas na Maternidade do Uíge. A iniciativa surge em resposta à crescente preocupação da população com alegados casos de negligência médica, maus-tratos às pacientes, falta de medicamentos e condições inadequadas nos serviços de saúde.
A marcha terá concentração às 10h00, no Portão Principal do Estádio 4 de Janeiro, com partida prevista para as 13h00. O percurso seguirá por várias artérias da cidade do Uíge, passando pela Rua Industrial, Avenida do Café, contornando o portão adjacente à Praça da Independência, seguindo depois pela Rua Dr. Agostinho Neto, Rua Comandante Bula, Rua 1.º de Agosto e terminando na Rua dos Cães.
De acordo com o documento dirigido ao Comando Provincial da Polícia Nacional e ao Governo Provincial do Uíge, os promotores da manifestação afirmam que a situação tem mergulhado inúmeras famílias em dor, tristeza e desespero, devido ao elevado número de mães e recém-nascidos que que perdem a vida naquela unidade hospitalar.
No comunicado, a sociedade civil destaca que a saúde pública deve ser um espaço de dignidade, responsabilidade e respeito pela vida humana, defendendo que as mulheres não podem continuar a enfrentar situações de medo, abandono e desespero quando procuram assistência médica.
A marcha pretende chamar a atenção das autoridades para a necessidade de melhorias urgentes nos serviços prestados pela maternidade, exigindo maior responsabilização dos gestores, humanização do atendimento e reforço das condições hospitalares.
Os organizadores garantem que a manifestação será realizada de forma pacífica e dentro dos limites da lei, apelando à participação dos cidadãos e à solidariedade para com as famílias afectadas pelas sucessivas perdas humanas.
As constantes denúncias de mortes maternas e neonatais na Maternidade do Uíge representam uma preocupação em matéria de direitos humanos. O direito à saúde e à vida são direitos fundamentais consagrados pela Constituição da República de Angola e por diversos instrumentos internacionais dos quais Angola é signatária.
Quando cidadãos sentem a necessidade de sair às ruas para exigir melhores condições de atendimento hospitalar, isso demonstra que existem preocupações legítimas que precisam de ser ouvidas e investigadas pelas autoridades competentes. Mais do que números, cada morte representa uma família destruída, uma criança que perde a mãe ou uma mãe que perde o seu filho.
É fundamental que as instituições públicas promovam investigações transparentes sobre os casos denunciados, identifiquem eventuais falhas e adoptem medidas urgentes para garantir serviços de saúde dignos, seguros e humanizados para toda a população. A protecção da vida deve ser sempre uma prioridade absoluta do Estado.