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JOSÉ CARVALHO DA ROCHA ACUSADO DE OBRIGAR PROFESSORES A CONTRIBUÍREM 25.000KZ CADA PARA O CONGRESSO DO MPLA

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Directores de escolas da província dizem receber exigência de contribuição de 25.000 Kz para congresso do MPLA. Prazo vai até 10.06.2026

Nas salas de professores e corredores das escolas públicas do Uíge, um assunto tem tirado o sono dos directores: uma suposta cobrança de 25.000,00 kwanzas por pessoa para custear o próximo congresso do MPLA na província. A informação foi avançada à reportagem por fonte ligada à rede de ensino, que pediu anonimato por medo de represálias.

Segundo o relato, a ordem teria chegado nos últimos dias com data marcada, “todos os valores devem ser entregues até 10 de Junho de 2026. Para muitos gestores, a exigência caiu como peso extra num momento em que as escolas já enfrentam dificuldades com material didático, merenda e manutenção”.

“É responsabilidade dos partidos organizarem a situação financeira dos seus congressos. O salário mal dá para as despesas de casa”, desabafou um dos directores contactados. A mesma fonte afirmou que a orientação teria vindo acompanhada de aviso: quem não contribuir estará sujeito a exoneração do cargo.

A cobrança, se confirmada, reacende uma discussão antiga em Angola: os limites entre a função pública e a militância partidária. A Constituição angolana garante a liberdade de associação política e proíbe o uso de bens e meios do Estado em proveito de partidos. Já os estatutos dos partidos preveem que congressos sejam financiados por quotizações, donativos e outras receitas próprias.

Até ao fecho desta matéria, a Direcção Provincial da Educação do Uíge não respondeu aos pedidos de esclarecimento. A direcção provincial do MPLA também não se pronunciou sobre a denúncia. Ambos os lados terão espaço para apresentar sua versão.

Enquanto isso, nos gabinetes das escolas, os directores fazem contas. Entre cumprir a suposta ordem e preservar o salário, muitos dizem estar diante de uma escolha que não pediram para fazer.

O jornal segue acompanhando o caso e aguarda posicionamento oficial dos órgãos envolvidos.

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