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“BARRICADA E CARTAZ: POLÍCIA TRAVA MARCHA NO UÍGE ENQUANTO MPLA FAZ EVENTO LIVRE NO MESMO DIA”

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A marcha convocada por cidadãos e activistas no dia 06 de Junho do corente mês, contra as mortes de mães e recém-nascidos na Maternidade Provincial do Uíge foi brutalmente impedida pela Polícia Nacional, gerando onda de repúdio nas redes sociais e entre organizações da sociedade civil.

Com cartazes como “PAREM DE NOS MATAR NA MATERNIDADE” e “PARTO SEGURO, VIDAS SEGURAS!”, dezenas de manifestantes saíram às ruas para exigir respostas da direcção hospitalar e do Governo Provincial liderado por José Carvalho da Rocha, sobre os óbitos recorrentes na unidade. As imagens divulgadas mostram o cordão policial a barrar o avanço do grupo no centro da cidade.

Em nota de repúdio divulgada neste fim-de-semana, a sociedade civil acusa a Polícia Nacional, “particularmente na pessoa do Comandante Provincial”, de ter sido usada para impedir o exercício da liberdade de reunião e manifestação, direitos garantidos pelos artigos 47º e 44º da Constituição de Angola.

O ponto mais crítico da nota é a comparação feita pelos manifestantes, enquanto a marcha era travada, “diversas actividades partidárias do MPLA decorreram normalmente sob protecção e garantia da própria Polícia Nacional” no mesmo dia, acusa a fonte do jornal Fax.

Para os signatários, o facto levanta sérias questões sobre a imparcialidade das instituições públicas e o respeito pelo princípio da igualdade perante a lei.

A nota afirma ainda que “a repressão severa contra cidadãos pacíficos não resolve os problemas da saúde pública nem apaga a dor das famílias”.

Já os organizadores listam 5 exigências fundamentais para por fim a repressão e protestos pacíficos; respeito às liberdades fundamentais; abertura de inquérito independente sobre as mortes na maternidade; responsabilização de gestores em caso de negligência e compromisso efectivo do Governo Provincial e Ministério da Saúde para melhorar as condições da unidade.

Até ao fecho desta matéria, a Polícia Nacional no Uíge e o Governo Provincial não emitiram comunicado oficial sobre a operação do dia 06 de Junho. A direção da Maternidade Provincial também não se pronunciou sobre as denúncias mais recentes.

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