E-mail para denúncia: correiodamanha18@gmail.com

FALTA DE WC OBRIGA ALUNOS E PROFESSORES A FAZEREM NECESSIDADES AO AR LIVVE NO CUANZA NORTE

0

Os  professores e alunos da Escola Primária n.º 19, localizada no bairro Kitata e anexa à Escola n.º 29 do bairro 11 de Novembro, na cidade de Ndalatando, província do Cuanza-Norte, enfrentaram ao longo do ano lectivo 2025/2026 sérias dificuldades devido à inexistência de wcs na instituição, e são frequentemente obrigados a satisfazer as suas necessidades fisiológicas ao ar livre ou em casas vizinhas.

A denúncia foi feita pelo secretariado provincial do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) no Cuanza-Norte, através do seu secretário provincial, António Ricardo que reporta que a falta de infra-estruturas sanitárias tem criado constrangimentos diários para professores e estudantes, além de representar riscos para a saúde pública e para as condições mínimas de higiene no estabelecimento de ensino.

Durante uma visita ao local, o MEA constatou que a escola não dispõe de casas de banho, obrigando alunos e docentes a recorrerem aos quartos de banho de moradores da vizinhança ou ao matagal  para satisfazerem as suas necessidades fisiológicas.

Os moradores do bairro Kitata, ouvidos pelo Jornal Hora H, manifestaram solidariedade para com a comunidade escolar, permitindo o uso das suas instalações sanitárias. No entanto, consideram que a situação evidencia a precariedade das condições em que decorre o processo de ensino e aprendizagem naquela instituição.

Além da ausência de balneários, o MEA denunciou outras carências estruturais. A escola apresenta salas de aula sem portas nem janelas, quadros degradados e falta de material informático.

Outro problema apontado é a escassez de carteiras. De acordo com António Ricardo, existem turmas com mais de 80 alunos a partilhar entre 20 e 30 carteiras, obrigando muitos estudantes a assistirem às aulas sentados no chão.

A insuficiência de mobiliário escolar tem originado conflitos entre os alunos, havendo registo de agressões motivadas pela disputa de lugares para se sentar.

A falta de vedação constitui igualmente uma preocupação. Segundo relatos de moradores, durante a noite as instalações escolares são frequentemente utilizadas para práticas ilícitas, situação agravada pela ausência de iluminação pública nas imediações. A instituição encontra-se ainda sem energia eléctrica desde 2018, apesar de existir fornecimento de corrente eléctrica da rede pública nas zonas adjacentes.

Face à falta de segurança, os professores são obrigados a remover os quadros das salas de aula no final de cada jornada e guardá-los em locais seguros e utilizam cadeados adquiridos com recursos próprios, numa tentativa de evitar furtos e actos de vandalismo.

O Jornal Hora H, contactou a directora municipal da Educação do Cazengo, Simónia Cazua Madeira, que encaminhou o assunto para a área social da Administração Municipal. Uma responsável daquele sector, que preferiu não se identificar, reconheceu a existência do problema e afirmou que a situação é do conhecimento das autoridades locais.

A mesma fonte adiantou que parte dos alunos que frequentavam a Escola n.º 19 já foi transferida para uma nova escola construída no bairro Kibuangoma, considerada mais adequada e dotada de melhores condições para o ensino.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *