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ENTRE O MÉRITO E O ESPECTÁCULO DAS EXONERAÇÕES E NOMEAÇÕES DE ANTÓNIO MUSSUMARI NA LUNDA-NORTE

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Começo por reconhecer, comissão de serviço é passagem temporária. Por isso, parabéns aos recém-nomeados e respeito aos exonerados. Principalmente àqueles que não mereciam segunda oportunidade.

Agora, vamos à análise fria, do ponto de vista administrativo e político:

1°. A TROCA DE CADEIRA DO LÔVUA-CUANGO.

Do ponto de vista administrativo e político, manter o antigo Administrador do Lôvua como actual Administrador do Cuango é um erro estratégico.

Politicamente, conduziu as últimas eleições no seu município e perdeu por goleadas. Administrativamente, o saldo é zero: o município continua um escombro. A única marca da sua gestão foi criar separações entre os próprios liderados. Sem projetos concretos, sem ações que possamos mencionar com orgulho e impactos visíveis.

Se no Lovua não fez, não fará no Cuango. Estamos lixados enquanto povo. Lógica simples.

Manter quadro por suposto medo porque é e seria correspondente da Joana Clemente e passar a publicar titulares como na época do Dom 14 isso não é governação. É chantagem institucionalizada. Com medo não se constrói governação séria, competente e de mérito. Constrói-se medo.

2°. CHITATO E XÁ CASSAU: MUDANÇA ONDE NÃO DOÍA.

 Achei desnecessária a exoneração na Administração do Chitato e Xá Cassau. São administrações que não gritavam por mudança urgente.

Enquanto isso, administrações que clamam por nova gestão, como o Cambulo, permanecem intocáveis. Entendemos que a política é jogo de interesses. Mas esses interesses não podem estar 100% acima do interesse público (melhor dizer, interesse colectivo: de todos).

Politicamente, a única nomeação com lógica eleitoral é a atual Administradora do Chitato, que segundo eu, poderia ser colocada no Cuango. Ela conduziu eleições e ganhou. Se o critério foi político, ela e a Administradora do Luangue fazem duas gestoras com ficha comprovada nas urnas, neste governo.

3°. INCOMPETÊNCIA INDUZIDA: O CASO DA DIRECTORA PROVINCIAL DO AMBIENTE.

A cessante Administradora do Chitato foi nomeada Directora Provincial do Ambiente. Respeito à pessoa, mas temos que ser técnicos: ela não é formada na área.

Isso é o que chamo de incompetência induzida. Promover alguém pra pasta técnica sem base técnica e depois exigirmos resultados, enquanto temos engenheiro(s) ambientalista(s) na província, formado(s) e a trabalhar como técnico(s) no próprio departamento ministerial, é  desperdício de quadro e insulto à técnica.

4°. MUSSUNGUE: ACERTO TARDIO, ERRO DE MÉTODO.

Não queria falar, mas é preciso. O antigo Administrador do Mussungue, visivelmente, não tinha capacidade para a demanda do município. A substituição era esperada e necessária.

O erro está no método: ignoraram quadros locais. Foram buscar alguém em Luanda para Administrar o município. Poderia entender, minimamente, se fosse para o cargo de assessor ou como Director de um departamento ministerial. Administrar município vai além de papeis e orçamentos.

Exige conhecer o terreno, o povo, a língua local predominante, a dor real do cidadão. Pese embora existir exemplos concretos de quem foi confiado e fez ao contrário. Ainda assim, não é saudável a estratégia utilizada. Isto é uma ofensa moral aos quadros locais.

Espero não ser rotulado como tribalista, ou deixar alguém de mau humor com esta fundamentação em volta da recém nomeada no Mussungue. Estou apenas a passar a minha visão governamental, como cidadã comum, com base ao que é visível em outras paragens do nosso país. A título de exemplo, cá mesmo na nossa região leste, às províncias como Moxico e Lunda Sul, só para citar, vemos, em todos os seus municípios, às nomeações de Administradores e não, são conduzidas com base aos seus membros do partido á nível local. Seja estes, naturais de outras províncias como locais, mais desde que, vivem e trabalham na província, com residência permanente, trabalhos políticos comprovados a nível do partido e com uma socialização sólida com a população (a famosa aceitação social).

Entendo que a visão de quem nomeia não é igual à nossa. Mas visão dever ser acompanhada com a dinâmica social, económica e política.

No entanto, não vamos julgar às pessoas, mas sim cobrar resultados. Porém, aguardamos para ver mais uma vez, o espectáculo.

A prática é o critério da verdade. O resto é espectáculo.

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