CASO UNITEL: FILHA DE JOÃO LOURENÇO DECIDE VENDA DA EMPRESA DA FILHA DE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS
A Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) assume o centro da maior operação do mercado de capitais angolano dos últimos anos, com a entrada em bolsa da UNITEL através de uma Oferta Pública de Venda (OPV) de 7,5 milhões de acções, representando 15% do capital social da operadora.
OPERAÇÃO HISTÓRICA DE 15% DO CAPITAL
A operação, enquadrada no PROPRIV e promovida pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), marca a transição da UNITEL para o mercado bolsista, num processo que reforça o papel da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) enquanto plataforma estruturante do sistema financeiro angolano.
De acordo com o calendário da operação, o apuramento dos resultados da OPV está previsto para 27 de Julho de 2026, seguindo-se a admissão à negociação das acções na BODIVA a 29 de Julho, caso sejam cumpridos os requisitos regulatórios.
Com a concretização da operação, a UNITEL passa a integrar o grupo restrito de grandes empresas cotadas em Angola, ampliando a exposição ao mercado e a participação de investidores privados no seu capital.
A OPV contempla 7.500.000 acções ordinárias, das quais 1.000.000 estão reservadas aos trabalhadores da empresa e do grupo, enquanto 6.500.000 são destinadas ao público em geral, incluindo investidores institucionais nacionais e estrangeiros.
O preço foi fixado num intervalo entre 36.036 e 40.040 kwanzas por acção, sendo o valor final determinado em função da procura registada durante o período de subscrição.
Subscrição e intermediários financeiros
O período de subscrição decorre entre 6 e 24 de Julho de 2026, através de várias instituições financeiras autorizadas, incluindo bancos de investimento e sociedades corretoras com operação no mercado angolano.
As ordens poderão ser submetidas presencialmente, por via electrónica ou através de plataformas digitais, dependendo da entidade intermediária.
A operação é considerada um teste à capacidade de absorção do mercado de capitais angolano e ao papel da BODIVA na dinamização da bolsa como instrumento de financiamento empresarial.
A estrutura de governação da BODIVA, liderada pela sua Comissão Executiva presidida por Cristina Giovanna Dias Lourenço, surge neste contexto como parte do aparelho institucional responsável pela condução técnica do processo de admissão e negociação dos títulos.
Analistas apontam que a operação poderá marcar um ponto de viragem na profundidade e liquidez do mercado bolsista angolano, ao colocar pela primeira vez uma empresa de telecomunicações de grande dimensão sob escrutínio directo do mercado de capitais.