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EM ANGOLA: TRANSPARÊNCIA DO PROCESSO ELEITORAL EM DÚVIDA

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A falta de transparência no acesso aos dados públicos para as eleições de 2027, entre outras irregularidades no registo eleitoral oficioso em Angola, tal como a permanência de cidadãos falecidos nos cadernos, foram apontadas, terça-feira, 01 de Setembro, pelos activistas Luaty Beirão e Teixeira Cândido.

As eleições gerais em Angola a serem realizadas em 2027, face aos processos já em movimento, que estão a levantar dúvidas, como a obrigatoriedade da prova de vida, fazem crer, uma vez mais, que as “máquinas da mentira” estão a ser afinadas para iludir, enganar o eleitorado e captar o seu voto.

Os governantes, geralmente, fazem da mentira a sua verdadeira “arte” de governar. Não mentem apenas ao povo, aos cidadãos, mentem pe or tudo e por nada, mentem para encobrir a sua pequenez de espírito, a sua incapacidade e a sua falta de patriotismo e de amor próprio. A manutenção do poder é o objectivo primordial.

Mentir, de acordo com especialistas, é, certamente, um dos mais graves erros que se pode cometer na vida publica. É mesmo difícil imaginar-se um outro erro que tenha maiores consequências sobre a carreira política. Mais que um erro, mentir é uma falha étubica g q,rave, que implica consequências muito sérias na política.

A mentira é sempre um rompimento unilateral da confiança até então existente. É o rompimento de um pacto de honra, o mais das vezes tácito e implícito, que destrói a confiança daquele que foi alvo da mentira.

Nas relações muito pessoais, há vários elementos que podem atenuar a gravidade do acto. Afinal, existem muitos vínculos de natureza afectiva entre as duas partes. Há o reconhecimento de outras qualidades valiosas que podem contrabalançar a agressão da mentira, há mais tolerância para as explicações, e há um desejo íntimo muito forte de virar aquela página, desde que ela não mais se repita.

Nas relações políticas essas considerações não se aplicam. Nelas não há contacto pessoal entre o governante e o cidadão, entre o candidato e o eleitor.

Além disso, muito poucos são os políticos que possuem um eleitorado cativo.

As relações que existem foram criadas por estruturas sociais intermediárias, como referências de terceiros, e, acima de tudo, a comunicação pela mídia. São relações inicialmente de simpatia, a seguir de preferência, e, por fim, de confiança.

Mas é preciso qualificar: trata-se de uma confiança que não lançou raízes no íntimo do eleitor e cidadão, de uma confiança que facilmente pode ser abalada e transformar-se no seu oposto. É, pois, uma confiança precária.

Os governantes, durante o seu mandato, vão construindo “castelos de areia” que acabam por desmoronar-se prematuramente e a sua imagem perante o eleitor muda drasticamente e as “carecas” são reveladas e ficam à mostra. Assim é a confiança predominante no mundo político.

Por essa razão a mentira é tão destruidora da carreira pública. A mentira, uma vez comprovada, rompe uma relação que, sendo distante, não admite atenuante, nem explicações, como é o caso nas relações pessoais, face a face, íntimas.Veja-se o caso de uma campanha eleitoral. Toda campanha é um processo de comunicação, mas não é demais lembrar, “comunicação interesseira”, isto é, todos os candidatos buscam obter dos eleitores algo que precisam muito; ou seja, o voto.

O eleitor sabe disso e procura descobrir, dentre os candidatos, argumentos, projectos e ideias com os quais concorde, valores, atitudes, gestos e comportamentos que lhe permita identificar-se com aquele candidato e aquela candidatura.

Não basta, portanto, ter bons projectos, ideias e argumentos. Eles apelam para o lado racional do eleitor que influencia a sua decisão de voto. Mas, ao contrário do que muitos pensam, essas razões não bastam para decidir em quem votar.

Mais importante, prévio e condicionante da decisão, é o lado emocional do eleitor por meio do qual ele vai ungir com a sua confiança o seu candidato.

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