A SOMBRA DO PALÁCIO: EDELTRUDES COSTA É A PROVA DE FOGO DO COMBATE À CORRUPÇÃO EM ANGOLA
Por trás das grossas paredes da Cidade Alta, o Diretor de Gabinete do Presidente da República enfrenta uma sucessão de denúncias que colocam à prova a credibilidade do discurso oficial de combate à corrupção em Angola.
O cenário repete-se com uma regularidade inquietante na politica angolana. Edeltrudes Mauricio Fernandes Gaspar da Costa, Diretor de Gabinete do Presidente da República, volta a ocupar o centro de um intenso debate politico e ético, alimentado por denúncias públicas de corrupção e tráfico de influência que permanecem sem esclarecimento oficial conclusivo.
Figura central da engrenagem do poder na Cidade Alta, Edeltrudes Costa é frequentemente descrito como o homem que detém as chaves do gabinete mais influente do país. A sua permanência no epicentro do poder, apesar de sucessivas suspeitas, tornou-se um dos maiores paradoxos do discurso de moralização da vida pública promovido pelo Presidente João Lourenço
O “Privilegiado” da Cidade Alta
Desde o início do atual ciclo presidencial, Edeltrudes Costa tem sido apontado por investigações jornalísticas e plataformas independentes de denúncia, como o Maka Angola e o Club-K, como um dos simbolos mais visiveis de um alegado sistema de tráfico de influência entre o setor público e interesses privados.
As denúncias sugerem que o dirigente terá beneficiado empresas alegadamente ligadas ao seu circulo pessoal em contratos públicos de elevado valor, envolvendo prestação de serviços de consultoria e importação de bens. Embora nenhuma condenação judicial tenha sido tornada pública, os dados divulgados levantam sérias interrogações sobre conflitos de interesses.
“O caso Edeltrudes põe à prova a seriedade do combate à corrupção. Se não houver investigação transparente, a mensagem que passa é que a lei não alcança todos de forma igual.”
Um Histórico de Suspeitas
Um dos episódios mais citados envolve alegadas transferências financeiras para o exterior, associadas à aquisição de imóveis de luxo em Portugal. Tais informações, amplamente divulgadas em meios de comunicação social, nunca foram formalmente esclarecidas pelas autoridades competentes.
Analistas políticos ouvidos pela nossa reportagem sublinham que a longevidade de Edeltrudes Costa no Palácio Presidencial-mais de uma década atravessando diferentes fases do poder-alimenta a perceção de um sistema de proteção politica que resiste às reformas anunciadas.
O Silêncio Ensurdecedor
Apesar da pressão de partidos da oposição, como a UNITA, e de organizações da sociedade civil, a Procuradoria-Geral da República ainda não anunciou qualquer investigação pública conclusiva envolvendo o Diretor de Gabinete do Presidente.
O silêncio do Presidente João Lourenço sobre o caso tem sido interpretado por observadores como um risco político calculado, mas que cobra um preço elevado à credibilidade institucional de Angola junto de parceiros internacionais e investidores estrangeiros.
Impunidade ou Justiça?
As acusações que circulam em torno de Edeltrudes Costa-frequentemente descrito por criticos como um “oligarca das importações” ou um exemplo de “corrupção de colarinho branco”-permanecem no dominio das denúncias públicas, à espera de respostas institucionais claras.
Enquanto essas respostas não chegam, o caso continua a ser observado atentamente pela opinião pública. No tribunal informal da cidadania, o dossiè Edeltrudes tornou-se um teste decisivo à promessa de que, na nova Angola, ninguém está acima da lei.