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AGENTES DO SIC EXECUTAM ADOLESCENTE DE 22 ANOS NA VIA EXPRESSA

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Um adolescente, identificado como Orlando Barros, foi morto a tiro por indivíduos que se fizeram passar por agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC), por volta da 1h da manhã desta quarta-feira, no município dos Mulenvos, província de Luanda. O crime, envolto em contornos ainda obscuros, levanta sérias questões sobre abuso de autoridade, impunidade e a crescente banalização da vida humana.

De acordo com informações preliminares, cinco homens, alegadamente destacados no município dos Mulenvos e trajando-se como agentes do SIC, invadiram a zona à procura do irmão de Orlando. Segundo relatos de familiares e vizinhos, os dois tinham traços físicos semelhantes. O equívoco — ou eventual ação deliberada — terá colocado o menor na mira dos supostos investigadores.

Horas depois, o corpo de Orlando foi encontrado nas mediações dos edifícios AAA, na Via Expressa. Estava morto a tiro, ao lado de outros dois corpos ainda não identificados pela família. A cena descrita por testemunhas é devastadora: três jovens estendidos no asfalto, vidas interrompidas de forma brutal, sem explicações imediatas, sem direito à defesa.

A família afirma não ter recebido qualquer notificação oficial sobre uma eventual detenção ou operação. Até ao momento, as circunstâncias exatas da morte permanecem por esclarecer, alimentando suspeitas de execução sumária.

O caso reacende o debate sobre a atuação de alguns agentes que, sob a capa da autoridade do Estado, estariam a protagonizar ações que contrariam os princípios da legalidade e da justiça. Se a missão do SIC é investigar e conduzir suspeitos aos tribunais, por que razão persistem relatos de operações que terminam em mortes? Quem fiscaliza os fiscalizadores? E que garantias têm os cidadãos de que não serão vítimas de erros fatais — ou de abusos deliberados?

A morte de Orlando Barros não é apenas mais uma estatística. É o retrato de uma juventude vulnerável num contexto em que a linha entre investigação e violência parece, por vezes, perigosamente ténue. A sociedade exige respostas claras, responsabilização exemplar e, acima de tudo, o respeito inegociável pelo direito à vida.

Até ao fecho desta edição, as autoridades competentes não haviam emitido um pronunciamento oficial detalhado sobre o ocorrido.

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