CUMBI JÚNIOR PODE SER DETIDO AINDA ESTA SEMANA POR ALEGADA BURLA DE 200 MILHÕES DE KWANZAS
O suposto empresário e empreendedor Cumbi Júnior poderá ser detido a qualquer momento, ainda esta semana, no âmbito de um processo criminal relacionado com uma alegada burla avaliada em cerca de 200 milhões de kwanzas, envolvendo um projecto financiado pelo Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), destinado à juventude.
De acordo com informações apuradas por este jornal, Cumbi Júnior é acusado de ter enganado uma cooperativa composta por três jovens, prometendo facilitar o tratamento de documentação, a compra de insumos agrícolas, fertilizantes e tratores para a lavoura da terra, no âmbito de um projecto agrícola juvenil conhecido como Projecto FADA para a Juventude. No entanto, segundo os queixosos, após o desembolso integral dos valores por parte do FADA, o acusado terá se apropriado de todo o montante, sem que qualquer actividade prevista tenha sido concretizada até à presente data.
O processo, segundo apurámos, foi instaurado em 2022, mas durante vários meses não registou avanços significativos. Contudo, uma fonte do Serviço de Investigação Criminal (SIC), que falou sob condição de anonimato, garantiu que já existe um mandato de captura emitido, e que Cumbi Júnior será detido “em qualquer lugar onde for encontrado”.
“O mandato de captura já está disponível. Assim que o cidadão for localizado, será imediatamente detido para responder pelos factos de que é acusado”, afirmou a fonte.
Entretanto, surgem também denúncias paralelas dando conta de que Cumbi Júnior alega ser sobrinho do Presidente da República, argumento que, segundo várias fontes, teria sido utilizado para evitar o pagamento de dívidas junto de instituições bancárias e para intimidar credores.

Num documento apresentado às autoridades, o queixoso relata ter esgotado todas as tentativas de resolução amigável do conflito, sem sucesso. Na queixa-crime formalizada junto ao Departamento dos Crimes e Fraudes Financeiros do Comando Municipal de Talatona, sob o processo n.º 4051/23, em tramitação desde Abril de 2023, o denunciante escreve:
“Apesar dos meus esforços para resolver essa situação, não obtive sucesso. Por isso, fui obrigado a registrar uma Queixa-Crime (…) que está em andamento desde Abril de 2023.”
No mesmo documento, o queixoso reconhece as obrigações legais decorrentes de contratos celebrados com instituições financeiras, sublinhando que estes só podem ser alterados por mútuo acordo ou nos termos da lei. Acrescenta ainda:
“Peço desculpas pelos transtornos causados ao banco e reitero o meu compromisso em liquidar o crédito assim que esta questão for resolvida.”
Até ao fecho desta edição, não foi possível obter um pronunciamento oficial de Cumbi Júnior. O espaço permanece aberto para o exercício do direito de resposta, nos termos da lei.