DETENÇÕES NO SME: COMBATERAM OS OUTROS E AGORA ESTÃO ENVOLVIDOS EM CORRUPÇÃO E FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS
Os Serviços de Investigação Criminal (SIC) desencadearam uma série de detenções no seio do gabinete do director-geral do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), no âmbito de investigações relacionadas com alegadas práticas de actos migratórios irregulares, incluindo a emissão de vistos e cartões de residência.
De acordo com apurações, foi detido na terça-feira, 11 de Março, Cláudio Vandunem, que desempenhava funções de director-adjunto do SME. No mesmo processo, foi igualmente notificado o intendente de imigração José Silva, chefe do gabinete do director-geral da instituição.
Oriundo do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), Cláudio Vandunem encontrava-se colocado no SME desde finais de 2024, integrando o grupo de quadros levado para a instituição pelo actual director-geral do serviço, José Coimbra Júnior, “Coy”. Apesar de a detenção ter sido executada pelo SIC, fontes indicam que a operação terá contado com autorização prévia do SINSE, na sequência de informações consideradas comprometedoras sobre a gestão da instituição, que poderão igualmente embaraçar o próprio director-geral.
Segundo informações recolhidas pelo Club-K, a direcção do SME terá transferido mais de 20 mil milhões de kwanzas provenientes das receitas do organismo, que se encontravam depositadas no Banco Económico (BE), para uma conta no Banco de Comércio e Indústria (BCI). A partir dessa conta terão sido efectuados pagamentos a empresas suspeitas de manter ligações com membros da direcção da instituição.
No cargo desde Outubro de 2024, a actual direcção do SME terá concentrado diversos procedimentos administrativos sensíveis. Apesar de existir uma norma que determina que os vistos de trabalho devem ser emitidos a partir das missões consulares de Angola no exterior, o gabinete do director-geral passou a exercer controlo directo sobre este expediente. Fontes indicam que terão sido designados representantes de determinadas nacionalidades estrangeiras para actuarem como intermediários no tratamento destes processos.
No caso dos cidadãos indianos, é referido o nome de um cidadão identificado como Monir, a quem terá sido atribuída a prerrogativa de recolher vistos e cartões de residência dos seus compatriotas quando estes ficam prontos no SME. Já no caso de cidadãos libaneses, empresas como a Sicomex e a MAC terão sido escolhidas para proceder à recolha dos documentos quando finalizados. Segundo as mesmas fontes, estes procedimentos seriam tratados directamente com José Silva, chefe do gabinete do director-geral do SME.
A suspensão da emissão de vistos de trabalho em território nacional está igualmente a provocar congestionamento nas missões diplomáticas angolanas. No consulado de Angola em Guangzhou, na China, a procura aumentou significativamente e, há vários meses, a direcção do SME não responde aos pedidos de autorização relacionados com vistos de trabalho.
Para além da detenção do director-adjunto pelo SIC, fontes indicam que o acompanhamento do caso terá sido desencadeado pelo SINSE, que terá autorizado a operação. O escândalo poderá vir a envolver outros quadros da instituição, incluindo o próprio director-geral do SME, que beneficia de estatuto especial, uma vez que a sua nomeação é feita por despacho presidencial.