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DISCURSO DO PRESIDENTE DO MPLA NA ABERTURA DA X SESSÃO ORDINÁRIA DO COMITÉ CENTRAL

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Eis o discurso na íntegra do Presidente do MPLA, João Lourenço, na abertura da X Sessão Ordinária do Comité Central, ocorrido, na última quinta-feira, no Centro de Conferências de Belas, em Luanda.

-Camarada Vice-Presidente do MPLA;

 -Camarada Secretário-Geral do MPLA;

 -Camaradas Membros do Comité Central do MPLA;

 -Caros Camaradas;

 -Angolanas e Angolanos;

Realizamos esta primeira reunião ordinária do Comité Central do MPLA no ano em que comemoramos 70 anos da sua fundação, forjados num longo percurso de lutas e de vitórias, inspirados no rico legado deixado pelos líderes fundadores e continuadores do nosso Partido.

Que a nossa acção seja marcada pela contínua determinação para assegurar o progresso para o povo angolano e para toda a nação, de Cabinda ao Cunene. 

O Partido deve continuar aberto, sempre com capacidade de adaptação, que é um dos nossos traços distintivos. 

O MPLA demonstrou sempre flexibilidade para ajustar políticas, renovar práticas e incorporar novos métodos de trabalho, adaptados ao contexto económico, social e geopolítico de cada momento histórico.

No actual contexto de competição política, somos e continuaremos a ser a maior e melhor força política nacional, aberta ao diálogo, à construção de consensos e fortemente enraizada no seio do povo. 

Somos o Partido mais bem preparado para prosseguir como força dirigente da nação angolana.

-Caros Camaradas 

Reunimos hoje o Comité Central com o propósito de, entre outras matérias, convocar o IX Congresso Ordinário do MPLA e aprovar os documentos reitores para a condução de todo o processo orgânico que nos conduzirá à realização do Acto Central em Dezembro do corrente ano. 

Com este importante evento, procederemos ao balanço do trabalho desenvolvido pelo Comité Central no corrente mandato, bem como delinear novas orientações para o futuro.

O Congresso vai igualmente proceder à renovação de mandatos dos seus órgãos e organismos de Direcção, da base ao topo, e preparar o Partido para participar e vencer as próximas eleições gerais de 2027.

Ao aprovarmos e apreciarmos a Convocatória, a Agenda, as Bases Gerais, a Metodologia, o Cronograma de Acções e ao constituirmos a Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso Ordinário, estaremos a traçar o caminho para um congresso assente numa base estatutária sólida, transparente, participativa e inclusiva.

A Comissão Nacional Preparatória terá a responsabilidade de monitorar cada etapa do processo orgânico, a realização de acções de formação e capacitação de todos os envolvidos no processo, nomeadamente os militantes, quadros, responsáveis e dirigentes do Partido, bem como a realização de Assembleias de Base e das Conferências Intermédias, finalizando com a realização do acto central do Congresso, para que nos termos das Bases Gerais e da Metodologia a ser aprovada, seja assegurada a mais ampla participação dos militantes a todos os níveis.

-Caros Camaradas 

No primeiro encontro que tivemos com os CAPs, afirmei que os Camaradas Primeiros Secretários dos CAPs merecem todo o nosso respeito e consideração pelo trabalho que realizam. 

Dizia eu na altura – e cito: “Pena é que nas ocasiões em que precisamos de preencher vagas nas direcções do Partido nos mais diversos escalões até ao Comité Central, muitos destes camaradas são preteridos a favor de outros que, com jogos de influência, acabam por conseguir, de forma desmerecida, as vagas por preencher”.

A boa nova é que estamos a propor para o IX Congresso Ordinário do Partido, que pelo menos 15% dos candidatos a Membros do Comité Central e aos Comités Intermédios venham da base, isto é, dos Comités de Acção do MPLA.

Esta proposta visa conferir justiça na selecção dos candidatos, valorizar o trabalho da base e permitir que militantes que vivem o dia a dia do povo e que são os motores da dinâmica e vitalidade do MPLA estejam fortemente representados nos diferentes Orgãos de Direcção do Partido, até ao seu Comité Central. 

-Caros Camaradas 

O Partido tem vindo a realizar, com alguma regularidade, actos de massas bastante concorridos em todo o país, com tendência a aumentar daqui em diante.

Contudo, não podemos adormecer nos números dos comícios, porque os comícios, embora importantes, eles por si só não ganham eleições se os nossos militantes e cidadãos votantes, no dia das eleições, não se dirigirem às assembleias de voto para votar. 

Por esta razão, precisamos incrementar o nosso trabalho no contacto directo com os cidadãos, através do trabalho porta-a-porta, do levantamento real daqueles que nos garantem o voto, para que o MPLA ganhe as próximas eleições gerais. 

Precisamos aprimorar a nossa base estatística, definir uma estratégia de crescimento e de mobilização que permita trazer para as fileiras do Partido novos militantes, formar conveniente e atempadamente os nossos agentes e cabos eleitorais e manter o diálogo com os diferentes segmentos da sociedade angolana, em particular com os líderes e fazedores de opinião.

-Caros Camaradas,

Hoje não podemos descurar a mobilização política nas redes sociais e o combate à desinformação, que são, nos dias que correm, dois lados inseparáveis da vida pública e, em particular, da disputa pelo poder entre as forças concorrentes.

As plataformas digitais tornaram-se ferramentas poderosas para engajar cidadãos, mas também abriram espaço para a manipulação, para a disseminação de notícias falsas e caluniosas e, por isso palco, privilegiado utilizado por aqueles adversários e opositores políticos sem escrúpulos para, sem fundamento, promover o assassínio de carácter, a honra e o bom nome dos dirigentes e quadros, principalmente contra os do MPLA.

Sem perder o foco do nosso trabalho, devemos estar atentos e desmontar o discurso antecipado da suposta fraude eleitoral por parte de alguns compatriotas com alucinações.

Nas últimas eleições, diziam saber da existência de um túnel que nunca conseguiram mostrar a ninguém mesmo desafiados a fazê-lo perante as Autoridades e, se necessário fosse, perante os observadores internacionais. 

No entanto, mesmo num clima de grande abertura democrática como ficou evidente no processo de condecorações no quadro dos 50 anos da Independência Nacional, continuam a promover o ódio, a violência e a intolerância política no seio das populações.

-Caros Camaradas,

No âmbito dos 70 anos da fundação do nosso Partido, foi aprovado pelo Bureau Político um amplo programa de iniciativas políticas, cuja implementação deve contar com a participação de todos os militantes, simpatizantes e amigos do Partido. 

Exorto as nossas estruturas, da base ao topo, para que, em sede do IX Congresso Ordinário, celebremos o aniversário da fundação do Partido, aproveitando o processo orgânico que vai iniciar em breve.

Aproveito esta ocasião para dirigir palavras de apreço às mulheres pelo mês de Março, dedicado ao reconhecimento do papel que desempenham na vida política, económica e social do país, e felicito a nova Secretária-Geral da OMA e o respectivo Comité Nacional pela confiança merecida das militantes da organização.

Que a celebração da Jornada Março-Mulher seja um compromisso renovado de valorizar, proteger e promover os direitos da mulher em toda a sua dimensão na sociedade.

-Caros Camaradas

-Compatriotas

A Direcção de um Partido como o nosso MPLA não pode ficar indiferente ao que se passa no mundo de hoje, onde assistimos ao reconfigurar da actual ordem mundial imposta pela força das armas das maiores potências mundiais, por sinal membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o que é mais grave porque delas esperávamos o melhor exemplo de respeito dos princípios universalmente aceites de sã convivência entre as nações.

Devemos acompanhar e analisar as consequências deste perigoso caminho enveredado por aqueles que deviam ser os maiores defensores da paz e segurança mundiais, mas que embora não tenham consultado e concertado com as Nações Unidas que a todos nos representa, as consequências desta sua errática opção acabam por afectar negativamente a todos os países e economias do mundo.

Advogamos sempre pela necessidade da reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e de outras instituições multilaterais internacionais como o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, mas infelizmente o que estamos a assistir é o trilhar de um caminho em sentido oposto, o que, com certeza, vai piorar ainda mais o actual estado de coisas na arena internacional.

Defendemos a necessidade do respeito do Direito Internacional, da aplicação efectiva da Carta das Nações Unidas e do regresso ao multilateralismo.

Manifestamos a nossa mais viva solidariedade para com os povos do mundo vítimas da agressão e do terrorismo, na RDC, no Sudão, na Somália, na Nigéria, nos países do Sahel africano, na Palestina, na Ucrânia e, mais recentemente, nos países do Golfo Pérsico no Médio Oriente.  

Com estas palavras, declaro aberta esta reunião ordinária do Comité Central.

A Luta Continua 

A Vitória é Certa.

Muito obrigado pela vossa atenção!

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