ESCRIVÃO JOSÉ NOTIFICADO COMO DECLARANTE NO “CASO RUSSOS”: HIGINO CARNEIRO, LUCAMBA “GATO” ACJ GOVERNADOR DE MALANGE E OUTROS SERÃO OS PRÓXIMOS
O director-geral do Jornal Hora H, Escrivão José, foi notificado no passado dia 3 de Março para comparecer na sessão de julgamento desta terça-feira, 24, no âmbito do processo que envolve dois cidadãos russos e os angolanos Buca Tanda e Amor Carlos Tomé. Escrivão integra a lista de declarantes do processo, cuja primeira audiência acabou por ser suspensa, após a apresentação de várias questões prévias levantadas pelas equipas de defesa.
Apesar da suspensão, o jornalista deverá comparecer na próxima sessão, marcada para o dia 14 de Abril, por alegado contacto com o arguido Amor Carlos Tomé. Sem avançar detalhes, por se tratar de matéria em segredo de justiça, afirmou estar tranquilo, por considerar não ter qualquer envolvimento no caso.
A sessão inicial ficou marcada pela fase de questões prévias, etapa processual que antecede a produção de provas, na qual os advogados apresentam ao tribunal matérias que devem ser previamente resolvidas.

No decurso desta fase, os advogados de defesa dos cidadãos russos e angolanos alegaram excesso de prisão preventiva dos arguidos e solicitaram a audição de diversas figuras políticas, tanto da UNITA como do MPLA, bem como líderes de associações de taxistas.
O advogado dos cidadãos russos, Eliseu Nguinite, defendeu a necessidade de serem ouvidos, na qualidade de declarantes, o general Higino Carneiro, os generais Paulo Lukamba “Gato”, o Dino Matross, Adalberto Costa Júnior, Nelito Ekuikui, António Venâncio, o superintendente do Serviço de Investigação Criminal, Manuel, Rodrigo Catimba, Francisco Paciência, ambos da ANATA, Francisco Osvaldo, da ATA, além de um périto forense da Agência de Protecção de Dados.
Por sua vez, a defesa dos cidadãos angolanos, representada por David Guz, requereu a convocação, igualmente como declarantes, dos directores-gerais, do Caminhos de Ferro de Benguela, Endiama, Sodiama, Biocom, bem como do governador da província de Malanje.
A audiência contou ainda com a presença de representantes da Embaixada da Rússia em Angola, além da esposa de um dos cidadãos russos.
Face ao elevado número de questões prévias apresentadas, o Ministério Público solicitou o adiamento da sessão, pedido que foi acolhido pelo tribunal, que deverá pronunciar-se sobre as matérias na próxima audiência.
Os arguidos são acusados de diversos crimes, nomeadamente espionagem, terrorismo e organização terrorista, financiamento ao terrorismo, instigação pública ao crime, associação criminosa, corrupção activa de funcionário, tráfico de influência, falsificação de documentos, introdução ilícita de moeda estrangeira no país, retenção de moeda e burla.