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LUKAMBA GATO ACUSA TPA DE ESTUPIDEZ NA ABORDAGEM À MORTE DE JONAS SAVIMBI

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O general na reforma Paulo Lukamba “Gato” manifestou críticas severas à recente abordagem da Televisão Pública de Angola (TPA) sobre a morte de Jonas Savimbi, considerando que o tratamento televisivo assumiu um carácter sensacionalista e colide com o espírito de reconciliação nacional que o país procura consolidar.

A reacção surge após a divulgação, esta terça-feira, 7 de Abril de 2026, de declarações atribuídas ao general Geraldo Sachipengo Nunda, incluídas numa peça jornalística que revisitava os acontecimentos relacionados com a morte do fundador da UNITA.

Segundo Paulo Lukamba “Gato”, a forma como o tema foi apresentado não contribui para o reforço da paz nem para o aprofundamento da convivência democrática em Angola. O antigo responsável militar defendeu que matérias com forte peso histórico exigem maior prudência editorial, sublinhando que “a paz exige respeito, elevação, reserva e sentido de Estado”.

Na mesma linha, considerou que a referida reportagem poderia ter privilegiado uma reflexão sobre os ganhos alcançados ao longo dos 24 anos de paz no país, optando, em vez disso, por destacar aspectos sensíveis e controversos ligados às circunstâncias da morte de Jonas Savimbi, o que, na sua perspectiva, não favorece o ambiente de reconciliação nacional.

A emissão da TPA ocorreu dois dias após as celebrações do Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, assinalado a 4 de Abril, e centrou-se em declarações atribuídas ao general Nunda, nas quais se procurou desmontar o que foram descritos como “mitos” em torno da figura do antigo líder da UNITA. A oportunidade e o enquadramento editorial da peça suscitaram críticas em diferentes sectores, que consideram a abordagem desajustada ao actual contexto de reconciliação nacional.

Entre os elementos destacados na reportagem, foram referidos episódios relacionados com a captura de responsáveis militares das antigas FALA, a intercepção de comunicações estratégicas e informações recolhidas junto de oficiais superiores que terão contribuído para localizar a coluna presidencial da UNITA. Segundo a narrativa apresentada, a destruição da base de Big Jô terá deixado Savimbi desorientado, tendo posteriormente sido surpreendido enquanto descansava na sua tenda, com reduzido dispositivo de segurança, acabando por ser atingido mortalmente durante o confronto.

Ainda de acordo com o relato divulgado, após a confirmação da morte do líder da UNITA, terá sido estabelecido contacto com o general Apollo com vista à suspensão de ataques no Norte do país, numa fase já próxima da consolidação da paz.

A difusão destes detalhes reacendeu o debate sobre os limites editoriais no tratamento de matérias historicamente sensíveis. Enquanto órgão público de comunicação social, a TPA é frequentemente chamada a observar princípios de isenção, pluralismo e responsabilidade editorial, sobretudo quando aborda episódios ligados à memória colectiva e ao processo de reconciliação nacional.

Para analistas e observadores, a controvérsia agora gerada evidencia que, passados 24 anos sobre o fim do conflito armado, a forma como se revisitam acontecimentos marcantes da história recente continua a suscitar leituras divergentes quanto ao seu impacto político, social e simbólico no presente angolano.

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