MATURIDADE DAS BASES GARANTE PUJANÇA DA UNITA
Segundo o presidente da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), Adalberto Costa Júnior, o partido que dirige teve um trajeto de muita responsabilidade e resiliência, visto que percorreu fases históricas bastante diferenciadas.
Destacou a participação da organização política, anteriormente movimento de libertação, na luta anticolonial, na transição para a independência de Angola, alcançada em 1975, na guerra civil interna (terminada em 2002) e atualmente na “tentativa” de consolidar o Estado democrático e de direito.
“São fases muito distintas, felizmente temos testemunhos históricos da fundação [do partido] que nos ajudam muito no aconselhamento da gestão partidária até porque Angola se transformou num país bastante difícil”, afirmou, em entrevista à Lusa, no âmbito das celebrações dos 60 anos da UNITA, que se assinalam na sexta-feira.
Em declarações na cidade do Luena, província do Moxico, onde foi fundada a UNITA em 13 de março de 1966, Adalberto Costa Júnior disse que tem sido um desafio muito grande liderar o partido, sobretudo devido à “criminalização” dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos.
“Hoje as questões simples tornaram-se bastante complexas, já que o direito à oposição está criminalizado, o direito à crítica está criminalizado, o direito a manifestação e a censura é institucionalizada e liderar nestas circunstâncias é um desafio muito grande”, afirmou.
Apesar dos referidos desafios, prosseguiu, o seu partido assinala 60 anos de existência com uma “pujança de se lhe tirar o chapéu”, sobretudo olhando para o continente africano, enaltecendo a robustez e maturidade das bases do partido ao longo da história.
Para o líder político, as anteriores lideranças a agremiação política (fundada por Jonas Savimbi na região de Muangai) foram importantes e tiveram um papel assinalável neste percurso, mas “o poder das bases e a sua maturidade” foram fundamentais.
“As nossas bases têm maturidade, sofrem muito, a intolerância bate sobre elas nas aldeias mais ínfimas deste país, está a retomar, infelizmente, tinha desaparecido em determinada fase, mas hoje está a vir com força, muitos mortos”.
Deplorou também as manchas de intolerância política que ressegurem no país, com registo de mortes — como recentemente aconteceu no interior de Angola, tendo referido que o país registou “500 incidentes com mais de 200 mortos” nos primeiros oito anos de paz.
Contudo, disse que a UNITA olha para a grande oportunidade de ser poder, por via democrática, em 2027, e está atualmente “focada” em organizar o partido para uma campanha eleitoral mantendo o projeto da “ampla frente para a alternância”.
Celebrar 60 anos “é um percurso de maturidade”, de muitos desafios e de uma enorme carga social, porque, por outro lado, explicou, com o fim da guerra foram “centenas de milhares de famílias que o Estado não absorveu, que não legitimou as reformas”.
Estes “batem à porta do partido todos os dias” e a UNITA “não vira a cara” e “mais este elemento é uma grande obra”, notou.
Costa Júnior assegurou igualmente que ao longo da história a UNITA tem honrado a memória e o espírito de luta e abnegação de todos os fundadores do partido, muitos ainda em vida: “E é uma grande satisfação continuarmos a beber desta grande maturidade”.
Uma transição geracional está em curso no partido, conforme sinalizou o responsável político, com aumento da representatividade das mulheres na direção e, sobretudo, jovens “muito exigentes também na UNITA e que não aceitam e não devem ficar de fora”.
“Creio ter operado também esta grande exigência, mas este é um desafio permanente”, realçou.
Adalberto Costa Júnior garantiu mesmo que a UNITA “está bem viva”, mas, acrescentou, tem muitos desafios “associados principalmente ao país mal governado”. Se Angola “fosse um país mais bem governado teríamos de facto muito menos problemas”, disse.
Com o país “sem democracia, sem Estado de direito, criminalizando direitos constitucionais num país jovem, com a pressão que nós temos de empregabilidade, de educação, de subsistência, com fome que grassa, temos de facto uma tarefa hercúlea pela frente”, considerou.
Assinalou ainda que o partido está a preparar-se para ser poder em 2027, acreditando que “será desta vez”, por entender que a UNITA poderia ter chegado ao poder, particularmente em 2022, “se não fossem as fraudes eleitorais”.
A direção da UNITA, deputados e convidados visitam na sexta-feira a localidade de Muangai, para assinalar os 60 anos de fundação do partido: “É um simbolismo muito grande, porque respeitamos quem entregou tudo, quem teve esta veleidade naquele período de sair das suas aldeias e enfrentar o poder colonial”.
No local serão homenageados o fundador e líder histórico do partido, Jonas Savimbi, e os seus correligionários, como sublinhou Costa Júnior, dando nota que a sua direção tenciona edificar de uma obra na região para jovens e estudantes poderem visitar: “mas, num país plural e democrático, que ainda não temos”.