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PAPA SABE QUE O POVO AINDA NÃO APRENDEU A VIVER SEM COMER

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O reitor do Santuário da Muxima expressou alegria pela visita de Leão XIV a Angola, em Abril, considerando que o Papa carrega uma mensagem de “paz, esperança e reconciliação” que deve proporcionar “dias melhores” para os angolanos. Vinte milhões dos quais são pobres.

D e acordo com o padre Mpindi Alberto, o Papa Leão XIV — que visita Angola entre 18 e 21 de Abril — não vai solucionar os problemas socioeconómicos do país (há 50 anos governado pelo MPLA), mas virá “como enviado de Deus que carrega uma mensagem de esperança, de paz e reconciliação”, mesmo que seja num país em que o Povo está, desde 1975, a aprender a vier sem… comer.

O líder da Igreja Católica, que vai visitar no dia 19 de Abril o Santuário da Muxima, província do Icolo e Bengo, onde deve presidir à oração do terço, deve trazer igualmente uma mensagem de amor, “focada, sobretudo, nos jovens, crianças, idosos e marginalizados”.

“Porque a palavra de Deus chega até nós e nós devemos abraçar essa palavra de maneira a viver para haver mudança (…). O é um servo de Deus que vem à igreja particular de Angola com uma mensagem de esperança”, disse o sacerdote à Lusa, defendendo “foco” nas palavras do Papa para que seja possível “uma Angola onde as pessoas vão viver bem”.

A Vila da Muxima, que alberga o maior santuário mariano de devoção católica da África subsaariana, está em requalificação e daí deve emergir uma basílica com capacidade de acolher mais de 4.600 fiéis, uma praça de peregrinação e demais infra-estruturas modernas.

Está igualmente em reabilitação a antiga igreja, nas margens do Rio Kwanza, onde Leão XIV deve presidir a uma celebração eucarística no segundo dia de visita a Angola.

Em declarações no interior da secular paróquia, onde técnicos trabalharam para manter a estrutura original da infra-estrutura católica, Mpindi Alberto manifestou satisfação pelo curso das obras em toda a extensão da Vila da Muxima e destacou (pudera!) a atenção que o Presidente do MPLA e, por inerência, Presidente da República (para além de Titular do Poder Executivo), general João Lourenço, dedica ao local.

“Para o santuário, a visita do Papa à Muxima tem um significado forte e profundo na história de Angola, é uma mãe a quem se dedicou este lugar, mãe de Jesus, mãe de Deus, e estará a interceder por nós em todas as situações”, frisou.

Segundo o reitor do santuário, a devoção a Muxima, “intercessora de milhares de devotos” tem uma “forte” simbologia espiritual porque os fiéis acorrem ao local “para desabafar e se encontrar com Deus pelo intermédio da nossa senhora, Mamã Muxima”.

O Presidente do MPLA visitou na terça-feira a vila da Muxima onde se inteirou do andamento das obras, a cargo do Gabinete de Obras Especiais (GOE), tendo recebido garantias de que o macroprojecto deve estar concluído em um ano.

Mpindi Alberto aplaudiu, por outro lado, a construção da basílica e da praça das peregrinações “que já está 99% concluída” e a reabilitação da antiga capela, salientando que as obras devem garantir “maior conforto, aconchego e segurança” aos peregrinos.

Mpindi Alberto considerou ainda que a igreja antiga, que está a ser restaurada, apenas será reaberta “após a reza do terço pelo Papa Leão XIV, em 19 de Abril”, sublinhando que por falta de espaços para albergar peregrinos estes deverão visitar o santuário e depois regressar às zonas de origem, enquanto decorrem as obras.

O Santuário da Muxima foi fundado em 1599 e está localizado a mais de 130 quilómetros do centro da capital angolana, Luanda.

Como nos (en)cantou Nelo Carvalho, «Mamã saiu bem cedo pela madrugada. Nas costas leva o filho doente. Caminha apressada ao longo da estrada. Seu destino é Muxima como toda a gente.

(…) Acende uma vela lá no altar. A sua prece foi atendida. Valeu a pena ir à Muxima. Pagou promessa para o filho andar. Meu filho agora já vai à escola. Agradecida, reza feliz pela graça concedida na cura do seu petiz. Meu filho agora já vai à escola, já joga à bola».

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