“PROCESSOS POLÍTICOS DISFARÇADOS DE PROCESSOS CRIME” – CARLOS ROSADO
Decorrem nos tribunais angolanos dois processos políticos disfarçados de processo crime. Num dos processos, Osvaldo Caholo, preso há seis meses, é acusado de rebelião, instigação pública ao crime e apologia pública ao crime.
Como provas, são apresentados excertos de vídeos. Num dos vídeos, Osvaldo Caholo diz mais ou menos o seguinte: “Se eu tivesse uma arma, dava um tiro no Presidente.” Enfim, são declarações que supostamente não se fazem ou não se devem fazer, pelo menos são declarações inflamadas, mas insuficientes para se acusar alguém de rebelião, de instigação pública ao crime, de apologia pública ao crime.
Para que estas acusações vão para frente, são precisas outras provas que não são estas.
Num outro processo, são acusados dois russos e também dois angolanos de espionagem, terrorismo, organização terrorista, tráfico de influência e associação criminosa.
O acusado principal é um jornalista angolano, o Amor Carlos, e como prova, são apresentados artigos e escritos que Amor Carlos escreveu no Facebook antes das manifestações em Angola do final de Julho, e onde Amor Carlos diz que prevê que, que possa haver manifestações.
Mais uma vez [o Ministério Público] está acusar alguém de terrorismo, espionagem, etc, com base em escritos
Por amor de Deus, isto não existe.
Tem que se provar que efectivamente há uma associação criminosa. Não basta apresentar, por mais que discordemos deles, escritos que não são prova de que alguém é terrorista, de que alguém está a organizar um golpe de Estado para derrubar o presidente João Lourenço.
Portanto, isto, de alguma maneira, vem provar aquilo que os analistas têm dito, que é a utilização da justiça para fins inconfessos e que favorecem o governo e que favorecem e MPLA.
Osvaldo Caholo e também os dois russos e os dois angolanos, nomeadamente Amor Carlos, ainda assim não tiveram a sorte que tiveram, por exemplo, os líderes dos taxistas das manifestações do final de Julho que estiveram cinco ou seis meses presos e agora foram libertados por insuficiência de provas.