VENDA DE DIVISAS NO BANCO BNI DE FORMA ILEGAL EXPÕE SUPOSTOS FUNCIONÁRIOS CORRUPTOS INVESTIGADOS PELAS AUTORIDADES
Dois funcionários do Banco de Negócios Internacional “BNI”, estão a ser investigados pelas autoridades policiais, depois de serem expostos numa rede de venda ilegal de divisas, de Angola para Portugal, em troca de comissão. O dinheiro em Kwanzas para compra das divisas são transferidas para contas pessoais dos acusados ou de pessoas próximas, em Angola, e depois são revendidas em moedas estrangeiras, principalmente Euros, de forma faseada e ilegal, em contas sedeadas em Portugal. Os suspeitos estando agora envolvidos nos crimes de indícios de burla qualificada, abuso de confiança, associação para delinquir, uso indevido de identidade institucional e eventual falsificação informática.
NGUNZA CHIPENDA
Um cidadão nacional, cujo nome vamos omitir, por razões de segurança do mesmo, natural do município do Cazenga, província de Luanda, nascido aos 27 de Outubro de 1991, casado, foi atraído por esta associação, e vê agora os seus kwanzas evaporarem-se, depois de ter injectado mais de 30 milhões de kwanzas, para compra de cerca de 30 mil Euros, dinheiro depositado em contas diferentes, com a promessa de receber os euros.
A investigação Na Mira do Crime sabe que tudo começou no mês de Junho de 2024, quando o lesado foi apresentado a um funcionário do Banco BNI <Quissindo>, alegadamente afecto ao Departamento de Operações Cambiais e o Guala, apresentado como suposto colaborador/intermediário.
Após contactos insistentes dos acusados, a vítima terá aceitado uma proposta que consistia no fornecimento de divisas em Portugal, mediante pagamento de comissão previamente acordada.
A identificação institucional apresentada pelo primeiro acusado, de acordo com a vítima, foi determinante para a sua decisão em avançar com o negócio.
Operação de Teste
Numa primeira fase, este jornal sabe que foi acordada uma operação de teste, no valor de 9 mil euros.
Por instrução dos envolvidos, foi solicitado o envio de valores em Kwanzas para a conta de um cidadão apenas identificado como Sevany, isto no dia 25 de Junho de 2024.
Foram efectuadas às seguintes transferências: 5 milhões de kwanzas, dois milhões e um milhão e no final mais 950 mil kwanzas, fazendo um total de 8 milhões de 950 mil kwanzas.
Posteriormente, foi solicitada a transferência adicional de 550 mil kwanzas, sob alegação de alteração cambial, igualmente efetuada na mesma data. Foi então enviado um total de 9 milhões e 500 mil kwanzas.
Pagamentos de Euros
De acordo com a nossa investigação, dos valores enviados, no dia 01 de Julho de 2024, foi realizada apenas uma transferência de 5 mil Euros, ficando em dívida 4 milhões e 462 mil e 251 Kwanzas pendentes, sob promessa de compensação futura.
Novas operações com dinheiros avultados
A investigação Na Mira do Crime dá conta que, no dia 09 de Julho de 2024, as partes avançaram para montantes superiores e, nos IBANS conforme solicitado: 0052 0000 0996 0945 1015 8 para recebimento de 5 mil Euros, foi enviado o valor em Kwanzas de 5 milhões e 300 mil, no IBAN: 0052 0000 2042 5228 1010 4, para recebimento de 8 mil Euros, foi enviado o valor em Kwanzas de 8 milhões e 350 mil, no IBAN 0052 0000 1285 9672 1612 2, para o recebimento de 5 mil Euros, o valor enviado em Kwanzas é de 5 milhões e 300 mil, no IBAN 0052 0000 1176 6726 1618 1, do primeiro suspeito, funciário do banco BNI, o valor solicitado em Euros é de 12 mil Euros, e foi enviado em Kwanzas o valor de 12 milhões e 450 mil Kwanzas.
Ou seja, no total solicitado é de 30 mil Euros, e foi enviado em Kwanzas 35 milhões, 862 mil e 251 unidades, isto (incluindo remanescente da operação de teste).
Incumprimentos e atrasos após às transferências, passaram a ocorrer de forma sistemática, sempre acompanhados de justificações inconsistentes.
A nossa investigação descobriu que, no dia 16 de Agosto de 2024, foi realizada apenas uma única transferência de 5 mil Euros, sendo alegadamente descontado 5 milhões e 468 mil e 587 Kwanzas, informação sustentada exclusivamente por imagens enviadas pelo primeiro acusado.
Perante a demora excessiva, os remetentes pediram reembolso integral dos Kwanzas, o que foi recusado, sob alegação de indisponibilidade.
Nos dias seguintes do mês de Agosto do referido ano, foram efetuados reembolsos fragmentados sendo: no dia 20/08/2024: 5 milhões de enviados no IBAN 0052 0000 2042 5228 1010 4, no dia 21/08/2024: 3.350.000 AKZ, no dia 26/08/2024: 3.000.000 AKZ e 1.500.000 AKZ 27/08/2024: 800.000 AKZ, estando em dívida 16 milhões e 747 mil e 664 Kwanzas.
Reunião para consenso e devolução do dinheiro caiu em saco roto
Dados em posse do Na Mira do Crime dão conta que houve a posteriori uma reunião presencial com os acusados, nomeadamente Matos Quissindo e Guala, onde foi acordado pagamento mensal de 100.000 AKZ, enquanto se buscava solução definitiva.
No entanto, cada um terá feito o pagamento pontual de 300 mil Kwanzas, sendo que, o segundo acusado terá supostamente assumido ter gasto os valores recebidos; e o segundo alegado ter sido burlado por Sevany.
O Na Mira do Crime sabe que o primeiro elemento já foi notificado pela Polícia de Investigação Criminal, e o processo segue os seus trâmites normais.
Este jornal remeteu um documento à direcção do Banco BNI para contraditório, no dia 05 de Janeiro para exercer o contraditório, mas, passados mais de três dias, não obtivemos resposta.