ADVOGADO É ACUSADO DE SUPOSTAMENTE “TRAIR CLIENTE” E FAZER ACORDO COM OUTRA PARTE QUE AGREDIU CAMPONESES NO ZANGO
Um advogado identificado por Moniz Francisco Pedro, com Cédula nº 4390, terá supostamente assinado um contrato extra-judicial sem consentimento do senhor Júlio Inguezo Txizala, seu cliente que o contratou para defender a causa de uma associação em que o denunciante é presidente.
Segundo testemunhas, agindo de má-fé, o acusado contratou vários homens mascarados e armados, vulgo ‘kaenches’, que espalham terror e agrdeiram brutalmente camponeses maioritariamente idosas, causando-lhes ferimentos graves.
O denunciante disse que Júlio Inguezo Txizala contratou o advogado para defendê-lo de uma usurpação de terreno e acusa-o de traição e quebra de confiança.
“O contratei para defender as terras dos camponeses que vivem em casas de chapa há mais de 25 anos.
O advogado terá feito um contrato extra-judicial, sem o meu consentimento. A própria associação já cedeu parte do terreno para a construção do Hospital Geral de Viana.
Apesar disso, dois cidadãos, o advogado e um suposto subinspector da Polícia Nacional, identificado por Fernando David Miúdo, usurparam o terreno à força, usando métodos criminosos para afastar os legítimos donos do espaço”, acusou.
Acrescentou que meteram uma equipa denominada ‘kaenches’, liderada por um jovem de nome Bruno, que espalha o terror no seio dos camponeses, chegando ao ponto de irem às casas de senhoras desguarnecidas, ameaçando-as e agredindo-as para não manifestarem os seus direitos.
“Agrediram os camponeses com pedras, blocos e catanas. Todos ficaram gravemente feridos. Quem cometeu este acto bárbaro foi o advogado Moniz. Ele quer ficar com o espaço à força. Ele criou um grupo de camponeses falsos. Queremos justiça. Ele comete crime por ser advogado”, delatou, sublinhando que foram ao Conselho de Advogados de Luanda, disseram que abriram um processo disciplinar contra ele.
“Vamos chegar até à última instância para ele pagar pelo crime que cometeu”, desabafou.
Contactado pela reportagem do Jornal Na Mira do Crime para apresentar o seu contraditório relativamente às acusações que pesam sobre si, Moniz Francisco Pedro, afirmou inicialmente que não poderia se pronunciar sobre um processo no qual actua como advogado.
“Eu não posso responder num processo pessoal; eu estaria a violar o meu direito constitucional”, afirmou.
Questionado sobre se estaria disposto a responder às acusações numa perspectiva pessoal, uma vez que os denunciantes também teriam feito referências à sua pessoa, Moniz manteve a posição de que não se pronunciaria naquele momento, alegando que existe um processo em investigação.
Segundo o advogado, caso exista um processo formalmente aberto, deverá aguardar-se o momento e a instância apropriados para que as partes apresentem as suas posições.
Moniz afirmou ainda que, no âmbito de outro processo relacionado com pessoas que teriam sido mencionadas ou detidas, já teria prestado esclarecimentos perante a Ordem dos Advogados de Angola, da qual afirma fazer parte. “Se é um processo aberto, que está em investigação junto à PGR, evidentemente a gente vai manifestar”, declarou.
O advogado destacou também a necessidade de preservar o bom nome das pessoas envolvidas enquanto os factos ainda estiverem sob investigação.