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NA FABRIMETAL, MAIS DE 600 TRABALHADORES DENUNCIAM BAIXOS SALÁRIOS E CONDIÇÕES DE RISCO

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Mais de 600 trabalhadores da FABRIMETAL manifestam descontentamento com as condições salariais e laborais na empresa, denunciando alegadas dificuldades relacionadas com remunerações, pagamento de horas extras, falta de subsídios de risco e assistência médica adequada.

Segundo os funcionários, foi apresentado um comunicado reivindicando o reajuste salarial dos técnicos, considerando que os actuais vencimentos não correspondem ao nível de responsabilidade, experiência e riscos associados às funções desempenhadas.

Os trabalhadores afirmam que técnicos com mais de 15 anos de serviço recebem salários base próximos de 100 mil kwanzas, situação que consideram incompatível com a exigência das actividades realizadas dentro da unidade fabril.

Entre as principais reclamações está o pagamento das horas extras, que, segundo os funcionários, é calculado em cerca de 650 kwanzas por hora. Os trabalhadores relatam cumprir jornadas prolongadas, incluindo turnos das 7h às 19h e das 19h às 7h.

Trabalhadores alertam para riscos na actividade

Os funcionários destacam ainda as condições de risco associadas ao trabalho desenvolvido na FABRIMETAL, incluindo operações com fornos industriais de grande capacidade, com temperaturas que podem atingir aproximadamente 1.800 graus Celsius.

Segundo os relatos, apesar da exposição a ambientes considerados perigosos, os trabalhadores não beneficiam de subsídio de risco nem de seguro de saúde adequado.

Outra preocupação apresentada diz respeito ao posto médico existente nas instalações da empresa. Os trabalhadores alegam que o serviço não tem garantido assistência médica e medicamentosa de forma regular aos funcionários.

Os trabalhadores recordam também um caso de acidente laboral envolvendo um colega que teria perdido um membro inferior durante o exercício das suas funções. Segundo os relatos, após o acidente, o trabalhador teria sido afastado da empresa sem uma indemnização considerada justa pelos colegas.

Diferenças de benefícios geram reclamações

Os funcionários levantam ainda preocupações sobre alegadas diferenças nos benefícios atribuídos a trabalhadores nacionais e expatriados. Segundo alguns trabalhadores, directores estrangeiros recebem benefícios adicionais, incluindo bónus, residência e transporte, enquanto profissionais angolanos em funções semelhantes enfrentam dificuldades salariais.

FABRIMETAL responde e garante negociações

Em resposta às denúncias, a FABRIMETAL, através de um responsável identificado apenas como Yuri, apresentado como director dos Recursos Humanos, informou que a comissão sindical já alcançou alguns acordos com os trabalhadores.

Segundo a empresa, as questões levantadas serão resolvidas de forma gradual, dentro do processo de diálogo estabelecido com os representantes dos trabalhadores.

A FABRIMETAL afirmou ainda que não poderá avançar com mais informações neste momento, por considerar que se trata de matéria interna da empresa, acrescentando que as negociações com o sindicato continuam em curso.

Os trabalhadores aguardam agora pelos resultados do processo negocial e pela implementação das medidas acordadas entre a administração da empresa e a comissão sindical.

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