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JOÃO LOURENÇO: DE MESSIAS A DITADOR, A ESPERANÇA QUE SE TORNOU O DESASTRE DE UMA NAÇÃO – OLAVO CASTIGO

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1. O MESSIAS QUE O POVO ESPERAVA

Em 2017, Angola respirou. Depois de 38 anos de José Eduardo dos Santos, o país queria acreditar que a mudança tinha chegado.

João Lourenço apareceu como o homem novo. Falava de combate à corrupção. Falava de repatriamento de capitais. Falava de moralização da vida pública. Falava de uma Angola para todos.

O povo, cansado, chamou-lhe esperança. A imprensa internacional chamou-lhe reformador. Os jovens chamaram-lhe messias.

Na Ciência Política, este fenómeno tem nome: messianismo político. É quando uma sociedade tão ferida projeta num só homem a salvação de toda a nação. Não foi João Lourenço quem se fez messias. Foi o desespero do povo que o fez messias.

E ele aceitou o papel.

2. A PRIMEIRA TRAIÇÃO: O COMBATE À CORRUPÇÃO QUE VIROU PERSEGUIÇÃO SELECTIVA

O primeiro sinal de que o messias tinha outro projecto foi o chamado combate à corrupção.

Na teoria, era justiça. Na prática, tornou-se vingança política.

Combateram-se os filhos de Dos Santos, combateram-se os adversários internos do MPLA, mas o sistema que produz a corrupção ficou intacto. Os mesmos contratos sem concurso. Os mesmos monopólios. As mesmas famílias a comerem do Estado, só com outros nomes.

Na academia, isto chama-se justiça selectiva. Não se destrói o crime. Destrói-se apenas o criminoso que não é do nosso grupo.

O povo começou a perceber: não era uma limpeza. Era uma substituição de donos.

3. A ECONOMIA QUE MATOU A ESPERANÇA

Um messias mede-se pelo pão na mesa do povo. E o pão desapareceu.

O kwanza desvalorizou. O preço do arroz, do óleo, do feijão, do pão, subiu até ao céu. O salário ficou no chão. O desemprego dos jovens tornou-se uma epidemia nacional.

Enquanto isso, o Estado continuava a gastar milhões em festas, em congressos, em carros de luxo, em viagens, em propaganda.

Do ponto de vista da Economia Política, João Lourenço não falhou por falta de recursos. Angola tem petróleo, tem diamantes, tem terra, tem água, tem gente. Falhou por falta de prioridades. O dinheiro existe. Só não chega ao povo.

Um governo que empobrece o seu povo enquanto enriquece a sua elite não é um governo reformador. É um governo predador.

4. DE REFORMADOR A DITADOR: O MEDO COMO MÉTODO DE GOVERNO

A segunda viragem foi a mais perigosa: o medo.

Um presidente que tinha prometido abrir Angola começou a fechar Angola. Manifestações reprimidas. Jornalistas intimidados. Activistas presos. Jovens espancados nas ruas por exigirem emprego, água, luz, escola.

Nas universidades, o medo entrou nas salas de aula. Nas igrejas, o medo entrou nos púlpitos. Nas famílias, o medo entrou na mesa do jantar: não fala, não critica, não publica.

Na Ciência Política, ditadura não é só quando não há eleições. Ditadura é quando há eleições mas não há liberdade. É quando o voto existe mas a voz não existe.

João Lourenço não precisou de tanques nas ruas. Precisou apenas de controlar os tribunais, a imprensa pública, a polícia e a Comissão Nacional Eleitoral. O autoritarismo moderno não grita. Ele sussurra, ele prende em silêncio, ele sufoca devagar.

5. A JUVENTUDE TRAÍDA

A maior tragédia do governo João Lourenço é a juventude.

São os jovens que mais acreditaram nele em 2017. São os mesmos jovens que hoje vendem água na rua, que apanham táxi sem destino, que fogem para Portugal, para o Brasil, para a Namíbia, para onde houver vida.

Um país que expulsa os seus jovens não tem futuro. Tem apenas presente de miséria e passado de promessas.

Na Sociologia, isto chama-se ruptura do contrato social. O Estado prometeu educação, emprego e dignidade. O Estado entregou fome, repressão e humilhação.

6. A ESPERANÇA QUE VIROU DESASTRE

João Lourenço entrou como esperança e vai sair como lição.

Lição de que nenhum homem salva uma nação. Nação salva-se com instituições fortes, com justiça independente, com imprensa livre, com oposição respeitada, com povo vigilante.

O desastre de Angola não é apenas económico. É moral. É a destruição da confiança. O povo já não acredita no Presidente. Já não acredita no Parlamento. Já não acredita na Justiça. E um povo sem confiança no Estado é um povo à beira do abismo.

Mas a história ensina uma coisa: nenhuma ditadura é eterna. Nenhum messias falso dura para sempre. Os impérios caem. Os regimes caem. O que fica é o povo.

João Lourenço não foi traído pelo povo. Foi ele quem traiu o povo.

Veio como messias. Governou como ditador. E deixará Angola como desastre.

Mas Angola é maior do que João Lourenço. Angola é maior do que o MPLA. Angola é maior do que qualquer presidente.

E um dia, a esperança que ele destruiu vai renascer, não num homem, mas no povo.

Angola não precisa de messias. Precisa de liberdade.

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