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Muito se tem falado da exoneração e nomeação de Norberto Garcia, o homem forte do Gabinete das Ações Psicológicas (GAP), um gabinete insólito que surgiu com a presidência do Presidente João Lourenço, mas que agora foi exonerado e enviado para liderar o centro de formação de jornalistas, o que não deixa de ser estranho, sendo ele jurista:

1 – A visão de muita gente é a de que Norberto Garcia foi diminuído ou humilhado, uma vez que saiu da Casa Presidencial para dirigir um centro de formação de jornalistas.

2 – Mas eu prefiro fazer uma leitura estratégica e estrutural do poder, em vez da leitura superficial de “quem subiu ou desceu de cargo”. No jogo do poder, cada peça tem a sua função, especialmente em sistemas políticos onde os cargos públicos podem ter funções formais e funções reais distintas.

3 – A exoneração ou alegada humilhação de Norberto Garcia não deve ser lida como perda de estatuto, mas como um reposicionamento num campo mais importante: a informação e a narrativa pública.

4 – Os títulos nem sempre revelam poder real. Ou seja, em política, há cargos discretos com enorme influência e cargos vistosos com pouca capacidade real de decisão.

5 – Em período pré-eleitoral, a comunicação torna-se central. À medida que as eleições se aproximam, a disputa deixa de ser apenas administrativa e passa a centrar-se no controlo da agenda pública, na mobilização emocional e na produção de legitimidade — sim, “produção” de reputação.

6 – A formação de jornalistas pode significar influência indirecta.

7 – Se uma estrutura estatal controla programas de formação, acesso, certificação ou recursos para profissionais da comunicação, isso pode moldar a sociedade e o jogo político: prioridades editoriais, controlo e criação de narrativas, censura e controlo dos fazedores de opinião.

8 – Analisar o jogo do poder não se deve limitar apenas aos cargos oficiais, regalias, proximidade física ao Presidente, protocolos ou estatutos – os políticos não pensam como os seres humanos “normais”.

9 – Ao invés disso, é preferível analisar os “porquês” ou tentar perceber para que servem certas mudanças.

10 – Em ciência política, o foco costuma ser: Que problema o regime está a tentar resolver? Porquê agora?

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