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OBRAS NÃO APAGAM DÉCADAS DE ABANDONO: O POVO DO ZAIRE NÃO DEVE CAIR NESTA NARRATIVA!

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Alguns membros do MPLA no Zaire afirmam que Pedro Tanda deixará de ter argumentos para a campanha eleitoral de 2027 porque o Governo está a concluir ou a executar várias infra-estruturas na província, entre elas:

* O Hospital Geral de Mbanza Kongo;

* O Aeroporto Internacional Nimi a Lukeni;

* A Centralidade de Mbanza Kongo, incluindo os primeiros 200 apartamentos já entregues;

* A via principal do Soyo;

* As estradas de Kuimba, Madimba, Kaluka, Kindeji, Serra de Kanda, Nóqui e Lufico;

* A ponte sobre o rio Mbridge, no N’Zeto.

Segundo essa narrativa, estas obras serão suficientes para calar a boca Tanda e Mbalu, e garantir uma vitória eleitoral do MPLA em 2027.

Mas esta visão revela uma compreensão limitada da política e uma profunda subestimação da consciência do povo do Zaire.

1. Em primeiro lugar, as obras não pertencem ao MPLA.

É importante recordar que o Hospital Geral de Mbanza Kongo, o Aeroporto Nimi a Lukeni, as estradas, as centralidades e todas as demais infra-estruturas não são património do MPLA.

São obras financiadas com recursos públicos, provenientes dos impostos dos cidadãos e das riquezas nacionais, incluindo o petróleo extraído maioritariamente na própria nossa província do Zaire, particularmente no Soyo, (Soyo dieto).

Governar não é fazer favores ao povo. Governar é cumprir deveres.

Nenhum governante deve exigir gratidão eleitoral por realizar aquilo que constitui uma obrigação constitucional do Estado.

2. Em segundo lugar, o povo tem o direito de perguntar: por que demorou tanto?

A questão principal não é apenas o que está a ser feito agora.

A questão é: por que razão estas obras demoraram tantos anos a acontecer?

* O Hospital Geral arrastou-se durante quase 15 anos;

* O aeroporto passou por sucessivos adiamentos;

* Muitas estradas permaneceram degradadas durante décadas;

* As centralidades foram prometidas muito antes de começarem a sair do papel.

Se estas necessidades já eram conhecidas há muito tempo, porque só agora se assiste à sua concretização?

Esta é uma pergunta legítima que nenhum cidadão deve ser impedido de fazer.

3. Em terceiro lugar, desenvolvimento não é apenas cimento e betão

= Uma estrada é importante.

= Um hospital é importante.

= Um aeroporto é importante.

Mas desenvolvimento não se mede apenas por inaugurações.

O povo do Zaire continua a enfrentar problemas profundos:

* Desemprego juvenil elevado;

* Falta de oportunidades económicas;

* Dificuldades de acesso à água potável em várias localidades;

* Problemas enfrentados pelos pescadores;

* Escassez de indústrias locais;

* Pouca integração dos quadros da província em sectores estratégicos;

* Persistência da pobreza em comunidades localizadas numa das regiões mais ricas de Angola.

O verdadeiro desenvolvimento acontece quando as infra-estruturas melhoram efectivamente a vida das famílias.

4. Em quarto lugar, democracia não se resume a inaugurações

Pensar que uma obra inaugura automaticamente um voto é reduzir a democracia a um simples acto de propaganda.

O cidadão consciente avalia:

* As promessas feitas;

* As promessas cumpridas;

* As promessas esquecidas;

* Os resultados alcançados;

* E o impacto real das políticas públicas na sua vida.

A democracia exige prestação de contas, fiscalização e avaliação permanente da governação.

5. Em quinto lugar, ninguém deve ser “calado” numa democracia

Dizer que uma obra servirá para “calar” um dirigente político demonstra uma visão incompatível com os princípios democráticos.

Numa democracia, a função da oposição não é ficar calada.

A função da oposição é:

* Fiscalizar;

* Questionar;

* Denunciar falhas;

* Apresentar alternativas;

* Defender os interesses das populações.

Uma obra pública não elimina o direito ao contraditório nem substitui o debate político.

A verdadeira questão:

O que deve interessar ao povo do Zaire não é saber se Pedro Tanda terá ou não argumentos em 2027.

A verdadeira questão é esta:

Depois de mais de 50 anos de governação, o MPLA conseguiu transformar o enorme potencial económico do Zaire em prosperidade para a maioria dos seus habitantes?

É essa pergunta que cada cidadão deverá responder quando chegar o momento de votar.

Porque as obras podem impressionar.

Mas é a qualidade de vida do povo que determina o verdadeiro balanço de qualquer governação.

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