OBRIGADA ASSINAR A PRÉ-REFORMA: FILHOS DE AGENTE DA POLÍCIA COM 41 ANOS DE SERVIÇO PEDEM AUDIÊNCIA AO MINISTRO MANUEL HOMEM
Filhos da efectiva da Polícia nacional identificada como Júlia Pascoal, com 41 anos de serviço na corporação, que ingressou na instituição a 7 de Agosto de 1984 e mantém, até ao momento, a patente de agente de 3.ª classe, pedem uma audiência ao ministro Manuel Homem face à estagnação na carreira da progenitora, colocada no Comando Municipal do Kilamba-Kiaxi, em Luanda, e denunciam que a mesma está ser obrigada assinar a pré-reforma sem antes ser promovida. De acordo com os filhos, que apresentaram a denúncia sob anonimato ao Na Mira do Crime, a situação é considerada “injusta” e motivo de preocupação no seio familiar.
“A área dos Recursos Humanos do Comando-Geral da Polícia Nacional contactou a nossa mãe para assinar a pré-reforma, mas ela negou-se a fazê-lo sem que haja uma resolução para a sua situação”, referiram.
“Talvez estejam a pensar que, como a nossa mãe tem 41 anos de serviço e está prestes a completar 42, seja considerada uma pessoa idosa por isso, pedimos encarecidamente que ela seja chamada para que saibam realmente quem é a efectiva que se encontra nesta condição, sem ser promovida durante todo este tempo, enquanto muitos com quem trabalhou ou formou já são oficiais superiores, e permanece na mesma patente”, defenderam.
“Neste preciso momento, pretendem encaminhar muitos efectivos nesta condição para a reforma em todo o país, não podem misturar as coisas, a situação da nossa mãe deve ser tratada à parte, não é por estarem a aproveitar esta ocasião que devem colocá-la automaticamente na reforma, é preciso separar os casos”, sublinharam.
“O director dos Recursos Humanos do Comando-Geral tem obrigado a nossa mãe a assinar a pré-reforma, alegando que está a cumprir orientações do ministro Manuel Homem e do comandante-geral Francisco Ribas, disse ainda que nenhum efectivo com mais de 30 ou 40 anos de serviço irá para a reforma com a patente de subchefe ou agente e que, depois de assinar, as promoções viriam e ela passaria a receber como oficial superior, mesmo assim, ela negou-se a assinar”, explicaram.
“Ela não assinou porque está nesta luta desde 2014, o que temos visto são promessas atrás de promessas, até hoje as instâncias superiores nada fizeram para resolver o problema, queremos uma intervenção urgente por parte do senhor comandante-geral e do ministro”, frisaram.
“Ela começou a trabalhar com apenas 17 anos, já é tempo de ir para a reforma, mas não pode sair nesta condição, como agente de 3.ª classe, deve ser-lhe dado tudo aquilo a que tem direito pelos serviços prestados à corporação, queremos que seja promovida a uma patente de oficial superior e, posteriormente, que assine a reforma e permaneça em casa, não é isso que está a acontecer”, realçaram.
“A qualquer momento em que a nossa mãe for chamada, ela explicará tudo sobre a forma como os acontecimentos ocorreram, referindo que comandantes provinciais e outros efectivos que já se encontram na reforma conhecem claramente a sua trajectória profissional”, adiantaram.