NO UÍGE: PUREZA INTERNA E ALEGADAS IRREGULARIDADES NA DELEGAÇÃO DO MININT
A política de Pureza Interna, implementada pelo Ministério do Interior (MININT), tem como objetivo prevenir e combater a corrupção, bem como outras práticas incompatíveis com os princípios éticos e disciplinares que regem os seus efectivos. Contudo, surgem denúncias que levantam dúvidas sobre a aplicação desta medida na Delegação Provincial do MININT no Uíge.
Os directores de Recursos Humanos, superintendente de migração-chefe Divaldo da Costa, e de Estudos, Informação e Análise, superintendente de migração Rui Duarte Neves, são apontados como suspeitos de cobrança indevida de valores para alegadas nomeações em cargos de direcção, chefia de departamentos e secções dos órgãos de apoio técnico.
Segundo as informações, Divaldo da Costa terá permanecido cerca de quatro meses fora da província, período durante o qual não respondeu a quatro notificações emitidas pela Polícia Judiciária Militar para interrogatório. Já Rui Duarte Neves chegou a ser detido e encaminhado à Penitenciária do Songo, tendo posteriormente sido colocado em liberdade para responder ao processo sob termo de identidade e residência, participando dias depois numa cerimónia oficial do MININT no Uíge.
No mês passado, uma equipa de inspectores do MININT deslocou-se à província para ouvir os suspeitos e outros intervenientes no caso. Entretanto, de acordo com as denúncias, até ao momento não foram tornadas públicas medidas disciplinares ou administrativas, mantendo-se os dois oficiais no exercício das suas funções.
Refere-se ainda que a Polícia Judiciária Militar e a Procuradoria Militar da Região Norte dispõem de elementos, incluindo extractos bancários, que alegadamente sustentam a investigação.
Perante este cenário, persistem questionamentos sobre a uniformidade da aplicação da política de Pureza Interna no seio do Ministério do Interior. As alegações levantam preocupações quanto à necessidade de uma actuação transparente e imparcial, de modo a reforçar a confiança dos efectivos e da sociedade nas instituições responsáveis pela disciplina e integridade do sector.