UNITA NO CUANZA-NORTE DENUNCIA ABANDONO DE INFRAESTRUTURAS PÚBLICAS E ACUSA GOVERNO DE DESPERDÍCIO
A UNITA no Cuanza-Norte voltou a denunciar o alegado abandono de infraestruturas públicas construídas com recursos do Estado, considerando a situação um exemplo de desperdício de dinheiro público e de falta de estratégia na gestão do património.
A denúncia foi apresentada esta semana, em N’Dalatando, durante uma conferência de imprensa promovida pelo Secretariado Provincial da UNITA, que esteve centrada no estado político, económico e social da província e na visão do partido para uma eventual mudança de governação em 2027.
O secretário provincial da UNITA no Cuanza-Norte, Ernesto Pedro Tomás, afirmou que a organização acompanha com preocupação a situação da província e atribuiu os problemas registados ao que considera ser um “modelo de governação esgotado”, marcado pela falta de planeamento e pelo distanciamento entre as autoridades e as populações.
Entre as infraestruturas apontadas pelo partido estão o sistema de captação e distribuição de água do município da Cerca, o Terminal Rodoviário de N’Dalatando, localizado no bairro Km 11, as bombas da Sonangol na Banga, além de mercados municipais e empreendimentos públicos e habitacionais inacabados ou abandonados.
Para a UNITA, o estado destas estruturas demonstra que investimentos realizados com recursos públicos não estão a cumprir a finalidade para a qual foram concebidos.
A posição surge semanas depois de o partido ter realizado uma acção de fiscalização em vários municípios do Cuanza-Norte, durante a qual denunciou igualmente o abandono de obras públicas em Cambambe e Golungo Alto.
Ernesto Pedro Tomás criticou ainda a alegada falta de conservação do património público, defendendo que o Estado deve garantir a utilização e manutenção das infraestruturas construídas com dinheiro dos contribuintes.
Na conferência, a UNITA invocou o artigo 198.º da Constituição da República de Angola e a Lei da Probidade Pública para sustentar a necessidade de uma gestão pública assente na transparência, responsabilidade e defesa do interesse colectivo.
“Governar não é administrar a propaganda; governar é responder às necessidades do povo”, afirmou Ernesto Pedro Tomás.
O dirigente partidário defendeu, por outro lado, a necessidade de um novo ciclo de governação em Angola a partir de 2027, com a UNITA a apresentar-se como alternativa política para liderar um “Governo Inclusivo e Participativo”.