DESARMAR SEGURANÇAS: MAIS QUEM ARMOU OS ASSALTANTES EM ANGOLA?
A Polícia Nacional concluiu, em fevereiro deste ano, a retirada de mais de 35.600 armas de guerra que estavam na posse de empresas de segurança privada em todo o país, substituindo-as por espingardas semiautomáticas de calibre 12 e pistolas de menor potência.
O objetivo era claro: reduzir o risco de essas armas alimentarem o mercado ilegal e a criminalidade. Cinco meses depois, porém, Luanda voltou a ser palco de assaltos armados a instituições bancárias, reabrindo o debate sobre a eficácia da medida.
O caso mais recente ocorreu a 8 de julho, na Cidadela Desportiva, onde quatro indivíduos armados, deslocando-se de motorizada e disfarçados de trabalhadores de limpeza, assaltaram uma agência do Banco BAI durante a entrega de valores.
Um segurança morreu no local e outro ficou ferido. Dias depois, um novo assalto a uma agência bancária, desta vez envolvendo uma empresa de transporte de valores, voltou a fazer uma vítima mortal entre os seguranças.
A coincidência entre os dois episódios levanta uma questão incómoda: os seguranças, agora equipados apenas com armamento de defesa, ficaram em desvantagem face a assaltantes que continuam a recorrer a armas de fogo sem qualquer restrição.
Vozes do setor já tinham alertado, ainda durante o processo de recolha, que a troca de armamento poderia deixar os vigilantes menos preparados para responder a ataques armados, sobretudo em operações de alto risco como o transporte de valores.
Por outro lado, autoridades e alguns especialistas sustentam que a medida ataca a raiz do problema, já que parte significativa das armas usadas na criminalidade em Angola tem, historicamente, origem em empresas de segurança e forças de defesa.
Reduzir esse armamento em circulação, argumentam, é um investimento de médio prazo que não se mede apenas pelos casos isolados dos últimos meses.
Os números dos próximos meses, tanto os de assaltos a bancos como os de armas apreendidas a criminosos, serão decisivos para perceber se o desarmamento das empresas de segurança está a reduzir a criminalidade em Luanda ou se, pelo contrário, deixou a linha da frente menos equipada para a enfrentar.