FRANCISCO FURTADO SOB FOGO CRUZADO DE CRÍTICAS NA CASA MILITAR
S egundo a denúncia, 26 efectivos — entre quadros permanentes e trabalhadores eventuais — foram enviados a 11 de junho de 2025 para Mavinga, com a missão de instalar uma base de apoio a um hospital de campanha. A operação, que deveria durar seis meses, terminou abruptamente ao fim de quatro, deixando para trás não apenas dificuldades logísticas severas, mas também salários e subsídios por regularizar.
O testemunho aponta para condições adversas durante a missão: variações climáticas extremas, alimentação precária e alojamento inadequado. No entanto, o aspecto mais crítico recai sobre o alegado incumprimento financeiro. Dos 26 elementos, apenas nove eram efectivos com salários regulares, enquanto 15 trabalhadores eventuais permanecem, até hoje, sem receber pelos serviços prestados.
“Há colegas que contraíram dívidas para sustentar as famílias em Luanda. Outros deixaram mulheres e filhos sem qualquer garantia de apoio. Trabalhámos meses em condições difíceis e fomos simplesmente esquecidos”, relata a fonte.
A situação, longe de ser isolada, levanta questões sobre a gestão administrativa e financeira da Casa Militar sob liderança de Furtado. Nos últimos anos, têm sido recorrentes críticas informais sobre atrasos salariais, falta de transparência nos processos internos e ausência de mecanismos eficazes de apoio aos efectivos destacados em missões fora da capital.
Fontes ligadas ao sector apontam ainda que promessas de regularização feitas por oficiais superiores, incluindo o brigadeiro Benedito, nunca se concretizaram. “Foram ao terreno, falaram connosco, garantiram pagamentos. Até hoje, nada. Nem explicações, nem soluções”, acrescenta o denunciante.
O caso torna-se ainda mais grave com a alegada expulsão de um trabalhador eventual que participou na missão e que, segundo o relato, não recebeu qualquer compensação pelos serviços prestados. Uma decisão que, a confirmar-se, levanta sérias dúvidas sobre o respeito pelos direitos laborais dentro de uma instituição que deveria ser exemplo de rigor e justiça.
Analistas consideram que este episódio expõe fragilidades estruturais na gestão da Casa Militar, colocando em causa a credibilidade da liderança de Francisco Furtado, cuja longa permanência em funções tem sido marcada por críticas à falta de modernização administrativa e à excessiva centralização de decisões.
A denúncia surge também num momento em que o Presidente da República, João Lourenço, tem reiterado publicamente o compromisso com a boa governação, combate à corrupção e valorização dos servidores públicos — princípios que, segundo os denunciantes, estão longe de ser cumpridos na prática dentro da Casa Militar.
Até ao momento, não há qualquer posicionamento oficial sobre o caso. O silêncio institucional apenas reforça a percepção de desinteresse e distanciamento denunciada pelos efectivos, que pedem intervenção urgente ao mais alto nível.
Enquanto isso, em Mavinga, Luanda e outras localidades como Licuwa e Huambo, permanecem trabalhadores à espera do que consideram ser um direito básico: o pagamento pelo trabalho realizado. Uma dívida que não é apenas financeira, mas também moral — e que coloca em xeque a responsabilidade de quem lidera uma das estruturas mais sensíveis do Estado angolano.