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“NÃO HÁ PARTIDO MAIS DEMOCRÁTICO EM ANGOLA DO QUE A UNITA”, AFIRMA ADALBERTO COSTA JÚNIOR

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O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, reafirmou esta semana o compromisso do partido com os princípios da democracia interna e da pluralidade política, defendendo que “não há em Angola um outro partido mais democrático do que a UNITA”.

As declarações foram feitas através de uma publicação na sua página oficial do Facebook e reforçadas num vídeo divulgado nas redes sociais, num momento de elevada tensão política em Angola, marcado pela preparação do IX Congresso Ordinário do MPLA e pela polémica em torno do processo judicial envolvendo o general Higino Carneiro.

Na mensagem escrita, Adalberto Costa Júnior sustentou que a democracia constitui a essência identitária da UNITA. “A democracia não é um discurso na UNITA. É o nosso ADN. Não a herdámos. Nascemos dela”, escreveu o líder do maior partido da oposição angolana. Segundo afirmou, a organização construiu-se com base na prática do debate interno, da alternância e da participação plural, mesmo em contextos politicamente adversos.

O dirigente sublinhou ainda que a visão política da UNITA não assenta na concentração do poder, mas sim na sua distribuição e fiscalização. “A nossa visão de Angola não é o poder pelo poder. É o poder repartido. A alternância como regra. A liberdade como chão. A democracia como único caminho”, declarou.

No vídeo publicado posteriormente, Adalberto Costa Júnior procurou aprofundar a ideia de que a UNITA representa, no actual contexto angolano, um exemplo de maturidade democrática. O líder opositor destacou os congressos internos realizados pelo partido desde 2003, classificando-os como exercícios de pluralidade e participação política.

“Não é fácil fazer congressos plurais”, afirmou, dirigindo-se aos militantes do partido e à sociedade civil. Segundo explicou, o debate contraditório dentro da organização tem sido frequentemente interpretado pelos adversários políticos como sinal de divisão, quando, na sua óptica, representa precisamente um sinal de vitalidade democrática.

O presidente da UNITA recordou ainda episódios ocorridos após o congresso plural de 2003, referindo alegadas tentativas de criar conflitos internos através da instrumentalização mediática. Apesar disso, considerou que o partido conseguiu transformar esses momentos numa “escola de maturidade democrática”.

“Nós hoje podemos dar lições e ensinar aqueles que fogem da pluralidade democrática. Nós estamos lá longe, eles ainda não começaram”, declarou.

As afirmações de Adalberto Costa Júnior surgem num contexto particularmente delicado da vida política angolana. O MPLA prepara actualmente o seu IX Congresso Ordinário, previsto para Dezembro, num ambiente marcado por especulações internas e pela reactivação do processo judicial contra Higino Carneiro, um dos nomes apontados como potencial candidato à liderança do partido no poder.

A Procuradoria-Geral da República acusa Higino Carneiro dos crimes de peculato e burla qualificada. O Higino Carneiro contesta a reabertura do processo, alegando que o mesmo já teria sido arquivado pelas autoridades competentes em 2025. O general denunciou ainda a existência de uma “mão invisível” interessada em inviabilizar a sua candidatura ao congresso partidário.

Nos bastidores políticos angolanos, cresce a percepção de que o processo poderá ter implicações directas na disputa interna do MPLA. Alguns analistas consideram que uma eventual constituição formal como arguido poderá servir de fundamento para afastar Higino Carneiro da corrida à liderança partidária através dos mecanismos internos de validação de candidaturas.

O caso reacendeu igualmente o debate sobre a independência das instituições judiciais em Angola e sobre a relação entre justiça e poder político. Observadores críticos defendem que a situação volta a expor fragilidades estruturais do sistema judicial angolano, num momento em que aumentam as exigências por maior transparência, imparcialidade institucional e consolidação democrática no país.

Neste cenário, as declarações de Adalberto Costa Júnior assumem também um claro significado político, ao procurarem posicionar a UNITA como alternativa democrática face às críticas dirigidas ao funcionamento interno do MPLA e às suspeitas de interferência política nas instituições do Estado.

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