NOVELA JU MARTINS: EM ANGOLA, ASSISTIMOS A UM CASO QUE MERECE REFLEXÃO
Um vídeo íntimo envolvendo o radialista Almir Agria foi suficiente para resultar na sua expulsão da Rádio Nacional de Angola e no afastamento dos órgãos públicos de comunicação social. As consequências recaíram sobre ele, independentemente de quem tenha sido responsável pela divulgação do conteúdo.
Perante esse precedente, surge uma questão legítima: os critérios morais e disciplinares são aplicados de forma igual para todos ou existem exceções para determinadas figuras protegidas pelo poder?
Se a defesa da moral pública justificou sanções severas num caso, por que razão situações semelhantes parecem receber tratamentos diferentes?
O silêncio também comunica. E quando as regras deixam de ser universais, instala-se a perceção de que existem cidadãos de primeira e de segunda categoria.
Por isso, apelamos ao Presidente da República e Presidente do MPLA, Camarada João Lourenço, para que faça prevalecer o bom senso, a coerência e o respeito pelos valores que o partido sempre afirmou defender.
A manutenção de Ju Martins no centro desta polémica, sem qualquer esclarecimento ou posição clara, levanta dúvidas legítimas entre militantes e cidadãos. O MPLA não pode correr o risco de ser visto como uma organização que pune uns e protege outros.
Ainda há tempo para demonstrar que ninguém está acima dos princípios, que a moral pública não é seletiva e que a credibilidade do partido continua a assentar na justiça, na ética e na igualdade de tratamento.
O momento exige reflexão e ação. Porque nenhuma conveniência política pode valer mais do que a honra, os valores e o bom nome do MPLA perante os seus militantes e perante o povo angolano.