E-mail para denúncia: correiodamanha18@gmail.com

PRESIDENTE DO ISP-BENGO AURORA BAMBI ACUSADA DE DESAFIAR DECISÃO JUDICIAL E FAVORECER FAMILIARES EM CONCURSOS PÚBLICOS

0

A presidente do Instituto Superior Politécnico do Bengo (ISP-Bengo), Aurora Bambi, é acusada de desrespeitar uma decisão do Tribunal da Relação de Luanda e de promover alegado favorecimento familiar em concursos públicos, num caso que volta a colocar a instituição no centro de polémica administrativa, denunciaram os visados do concurso ao Jornal Hora H

As acusações têm origem no Processo n.º 15/2025-N, no qual o tribunal determinou a reintegração imediata de candidatos excluídos de forma considerada ilegal num concurso realizado em 2024, decisão que levou à anulação do processo concursal de 2025.

Em cumprimento da orientação judicial, o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação instruiu formalmente o ISP-Bengo, através da Nota n.º 87/GJI/MESCTI/2026, a executar integralmente o acórdão que orientava o enquadramento dos  candidatos aprovados ao concurso . No entanto, os denunciantes  disseram que, apesar de a direcção ter comunicado o cumprimento da decisão, os candidatos lesados continuam fora do Sistema Integrado de Gestão das Finanças do Estado (SIGFE), o que os impede de exercer funções e auferir salários.

Segundo as fontes do Jornal Hora H, os familiares da presidente Aurora Bambi, como o seu irmão Mateus Elavoko Chindumbo e um sobrinho, continuam no quadro de pessoal a ocupar vagas que, de acordo com os lesados, pertencem a candidatos melhor classificados e reconhecidos judicialmente.

A fonte avança ainda que, o ISP-Bengo avançou com um novo Concurso Público de Ingresso Externo para a Carreira Docente em 2026, autorizado pelo Despacho n.º 2535/26, um processo que está a ser contestado por alegadamente apresentar irregularidades, como a ausência do Conselho Científico e a definição de perfis considerados direccionados.

Entre os beneficiários apontados pela fonte deste jornal está Miguel Bunga, sobrinho da presidente, que anteriormente não foi aprovado por insuficiência técnica, mas que agora surge em posição privilegiada.

O júri do concurso inclui também Mateus Elavoko Chindumbo, irmão da dirigente, o que levanta suspeitas de conflito de interesses.

Aurora Bambi, conta a fonte,  é ainda arguida no processo n.º 84420/025.BGO, no qual responde por alegados crimes de corrupção, nepotismo e desvio de mais de 30 milhões de kwanzas destinados à investigação científica.

Apesar da gravidade das acusações, não são conhecidas, até ao momento, medidas disciplinares ou de afastamento preventivo por parte do ministério de tutela, o que tem gerado críticas no meio académico, segundo explicou a fonte.

Uma comissão de inquérito criada em Novembro de 2025 pelo ministério já  produziu resultados internos, sem, contudo, resultar em responsabilização pública.

Os denunciantes  apelam  a intervenção da Inspecção Geral da Administração do Estado e da Procuradoria-Geral da República, com vista ao apuramento de responsabilidades.

Contactada pelo jornal Hora H, a presidente Aurora Bambi indicou o seu advogado, Armindo Luís, que afirmou tratar-se de acusações ainda sem pronúncia judicial.

Segundo o advogado, “existe um processo que está sob segredo de justiça e a doutora, assim como eu, estamos proibidos de vir a público falar sobre o assunto”. Acrescentou que o Ministério Público, por estar a conduzir a investigação, terá proibido qualquer pronunciamento sobre o caso.

“Vamos aguardar até que o Ministério Público nos notifique nos autos processuais. Em caso de dúvidas, podem dirigir-se ao Ministério Público do Bengo, onde obterão a mesma informação”, referiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *