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GENERAL ANTÓNIO DEMBO: DO FILHO DE UM PASTOR METODISTA AO COMANDO DA UNITA

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António Nabuco Sebastião Dembo nasceu a 25 de Agosto de 1944, em Nambuangongo, numa família profundamente ligada à presença metodista no norte de Angola. O seu pai, Sebastião Dembo, era pastor metodista e servia comunidades rurais do Bengo; a sua mãe, Muhembo Nabuco, era trabalhadora doméstica. Mais tarde, o pai assumiu responsabilidades na congregação metodista de Muxaluando, onde ficou conhecido também pela sua capacidade de oratória. Fontes biográficas confirmam igualmente que António Dembo realizou parte dos estudos primários em escolas metodistas de Muxaluando e Quimai.

Antes de ser general, político ou um dos homens mais próximos de Jonas Savimbi, Dembo foi, portanto, um jovem formado num ambiente metodista. Essa dimensão da sua história é muitas vezes esquecida quando a sua biografia é reduzida exclusivamente à guerra.

A sua formação ultrapassaria posteriormente as fronteiras de Angola. Estudou na Argélia, incluindo em El Harrach, e prosseguiu formação ligada à engenharia e à radioelectrónica. A sua trajectória educacional tornou-o parte de uma geração de angolanos que viveu simultaneamente a experiência da formação no exterior, do anticolonialismo e das profundas transformações políticas que antecederam a independência.

Em 1969, António Dembo ingressou na UNITA. A partir daí, a sua vida ficaria definitivamente ligada à luta política e militar angolana. Ao longo dos anos assumiu funções diplomáticas, políticas e militares, tornando-se uma das figuras mais importantes da organização. Em 1982, regressou para assumir responsabilidades na Frente Norte, numa região onde a UNITA procurava ampliar a sua implantação.

Dembo não foi apenas um comandante de campo. A sua trajectória combinou formação académica, diplomacia, organização política e comando militar. Na década de 1980 chegou à patente de general e assumiu responsabilidades sobre forças especiais da UNITA. Em 1992, depois da morte de Jeremias Chitunda, tornou-se vice-presidente da UNITA, consolidando-se como um dos principais homens da estrutura dirigida por Jonas Savimbi.

Há também um aspecto particularmente significativo na sua ascensão: Dembo era originário do norte de Angola, enquanto grande parte da base histórica da UNITA se encontrava no centro e sul do país. A sua posição no círculo superior da organização demonstrava, portanto, a dimensão política que tinha alcançado dentro do movimento.

Em 1997, Savimbi e a liderança da UNITA indicaram Dembo como sucessor caso o líder morresse. Não se tratava, portanto, de uma sucessão improvisada nos últimos dias da guerra: anos antes, Dembo já havia sido colocado formalmente numa posição de continuidade da liderança.

Os últimos anos, porém, foram dramáticos. Com o avanço das Forças Armadas Angolanas e o crescente isolamento militar da UNITA, Dembo permaneceu junto da direcção do movimento. A sua própria saúde encontrava-se fragilizada pela diabetes.

Em 22 de Fevereiro de 2002, Jonas Savimbi morreu em combate no Moxico. António Dembo, também ferido, sobreviveu e assumiu imediatamente a liderança da UNITA, conforme o plano sucessório anteriormente estabelecido. Mas a sua presidência duraria apenas três dias. Morreu em 25 de Fevereiro de 2002. Fontes de referência associam a morte aos ferimentos sofridos no confronto, agravados pelo seu estado de saúde e pela diabetes.

Ao longo dos anos surgiram outras narrativas e suspeitas sobre a sua morte, incluindo alegações de que teria sido deliberadamente eliminado. Essas versões devem ser apresentadas como alegações, pois não encontrei, nas fontes consultadas, documentação suficiente para tratá-las como conclusão histórica estabelecida.

Depois da sua morte, Paulo Lukamba Gato assumiu interinamente a liderança da UNITA.

Uma história que começa antes da guerra

Independentemente das diferentes avaliações políticas sobre a UNITA, Jonas Savimbi ou a longa guerra civil angolana, existe um aspecto da biografia de António Dembo que merece ser recuperado historicamente: a sua história não começou com uma arma nas mãos.

Começou numa família angolana do norte do país, filho de um pastor metodista, e passou pelas escolas metodistas antes de chegar aos centros de formação no exterior e, posteriormente, à luta política e militar.

O jovem educado nas missões metodistas de Muxaluando acabaria por tornar-se engenheiro, diplomata, general, vice-presidente e, nos últimos três dias da sua vida, líder da UNITA.

É justamente essa complexidade que torna António Dembo uma figura importante para compreender a história contemporânea de Angola: educação missionária, nacionalismo, independência, guerra civil, política e poder cruzaram-se numa única vida.

António Dembo morreu em 2002, mas a sua trajectória permanece ligada a algumas das páginas mais difíceis e decisivas da história angolana do século XX.ll

By: Pastor Perfeito Massamba

Fontes consultadas

1. W. Martin James, Historical Dictionary of Angola. Lanham, MD: Scarecrow Press, 2004, p. 45.

2. Félix Miranda, “General António Dembo, Vice-Presidente da UNITA”, reportagem originalmente publicada no semanário Terra Angolana, n.º 74, Janeiro/Fevereiro de 1996, posteriormente reproduzida pelo Club-K.

3. Reuters/Folha de S.Paulo, “UNITA confirma morte de vice-líder em Angola,” 3 de Abril de 2002. Regista o anúncio da UNITA sobre a morte de Dembo e menciona a diabetes grave de que sofria.

4. Inter Press Service (IPS), “UNITA Defiant after Savimbi’s Death,” 25 de Fevereiro de 2002. Fonte contemporânea aos acontecimentos, que identifica Dembo como vice-presidente e uma das principais figuras da hierarquia da UNITA imediatamente após a morte de Savimbi.

5. RTP Arquivos, “Governo de Unidade e Reconciliação Nacional em Angola,” 11 de Abril de 1997. Material audiovisual histórico que inclui declarações de António Dembo no contexto político angolano de 1997.

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