CUANZA-NORTE: FALTA DE CARTEIRAS DEIXA ALUNOS A ASSISTIR ÀS AULAS DE PÉ
Pais e encarregados de educação denunciam condições precárias em escolas de Ndalatando e pedem intervenção urgente das autoridades. Governo provincial anuncia entrega de oito mil carteiras para combater a carência.
A falta de carteiras continua a preocupar professores, alunos, pais e encarregados de educação em várias escolas da província do Cuanza-Norte. Em algumas instituições de ensino, sobretudo na cidade de Ndalatando, há relatos de alunos que são obrigados a assistir às aulas de pé ou a transportar carteiras de uma sala para outra.
Na cidade de Ndalatando, capital da província, pais e encarregados de educação contactaram a reportagem do Jornal Hora H para denunciar as condições do Complexo Escolar Comandante Hoji Ya Henda, antiga Escola Nova n.º 18-A, localizada no bairro Tenga, antigo bairro dos Coqueiros.
Segundo os encarregados de educação ouvidos pelo Hora H, a escola, que alberga alunos do ensino primário e do I ciclo do ensino secundário nos períodos da manhã, tarde e noite, apresenta problemas que vão desde as condições da infraestrutura até à insuficiência de carteiras.
Os denunciantes afirmam que, devido à falta de mobiliário escolar, alguns alunos têm sido obrigados a assistir às aulas de pé, situação que consideram preocupante e incompatível com as condições necessárias para um ensino adequado.
Os pais e encarregados de educação apelam, por isso, à intervenção do Governo Provincial do Cuanza-Norte, da Administração Municipal de Cazengo e da Direcção da Educação, para a melhoria das condições da instituição.
«“Não se admite que, numa escola do município sede, os alunos estudem nestas condições. É uma escola histórica, que ostenta o nome de um grande comandante e nacionalista”, lamentaram alguns encarregados de educação.»
Os pais questionam igualmente a capacidade das autoridades para resolver problemas considerados básicos, como a aquisição de carteiras, pintura da escola e recuperação dos muros.
“É tão difícil comprar carteiras para uma escola tão pequena? É tão difícil pintar e levantar os muros?”, questionaram.
Os encarregados de educação defendem que a melhoria das condições das escolas deve constituir uma prioridade, tendo em conta a importância da educação para o desenvolvimento da província e do país.
OPOSIÇÃO DENUNCIA FALTA DE CARTEIRAS
A insuficiência de carteiras também foi denunciada pelo político do PRA-JA Servir Angola no Cuanza-Norte, João Quipipa Dias, que chamou a atenção para a situação vivida na Escola Primária n.º 211, actualmente denominada Escola Cônego Manuel das Neves, em Ndalatando.
Segundo João Quipipa Dias, “em Ndalatando, município de Cazengo, sede da província, a Escola Primária n.º 211 enfrenta uma situação preocupante devido à falta de carteiras. As crianças são obrigadas a transportar carteiras de uma sala para outra para poderem assistir às aulas”.
O político, que foi deputado pelo círculo eleitoral do Cuanza-Norte pela bancada parlamentar da UNITA, considera que a situação merece maior atenção por parte das autoridades.
Para João Quipipa Dias, a educação das crianças da província não deve continuar a ser afectada pela falta de condições materiais nas escolas.
O político defende ainda que as instituições de ensino devem ser espaços destinados à educação, formação e promoção da cidadania, e não à instrumentalização político-partidária.
«“Queremos uma política que respeite as instituições, valorize a educação e coloque os interesses dos alunos acima de qualquer agenda partidária”, advertiu.»
GOVERNO ANUNCIA 8 MIL CARTEIRAS
Entretanto, durante a recente visita de trabalho de três dias da ministra da Educação, Erika Batalha, ao Cuanza-Norte, foram entregues simbolicamente oito mil carteiras escolares destinadas a responder às necessidades de várias escolas da província.
A entrega aconteceu durante a inauguração do Instituto Politécnico n.º 1041, ocasião que também ficou marcada pela entrega de dois autocarros e livros destinados ao apetrechamento da biblioteca da nova instituição.
O governador provincial do Cuanza-Norte, João Diogo Gaspar, reconheceu a existência de carências de carteiras em várias escolas da província e considerou a entrega dos meios um reforço importante para o sector da educação.
«“Conhecemos a carência de carteiras que ainda se verifica em várias escolas da nossa província. Por isso, este reforço representa um passo importante para melhorar as condições de ensino e aprendizagem e proporcionar maior dignidade aos nossos alunos e professores”, afirmou.»
O governador apelou ainda aos alunos, pais e encarregados de educação para que contribuam para a conservação dos meios entregues às escolas.
«“Fica aqui o apelo aos alunos, pais e encarregados de educação para que todos juntos cuidemos destes meios, pois o benefício é colectivo. O trabalho continua, juntos, de mãos dadas”, apelou João Diogo Gaspar.»
Apesar do anúncio da entrega das oito mil carteiras, pais e encarregados de educação continuam a exigir que os meios cheguem efectivamente às escolas onde persistem problemas de acomodação dos alunos, sobretudo nas instituições localizadas na cidade de Ndalatando.