MPLA ESTÁ A PEDIR SOCORRO – GAEP PL
Membros do Secretariado de Tecnologias de Informação e Comunicação, com o dos Assuntos Políticos e Eleitorais do Bureau Político do MPLA, recorreram aos antigos Especialistas da Empresa Cambridge Analytics para prever os seus principais desafios para 2027… e os resultados não são nada bons.
A Cambridge Analytics é uma empresa britânica de consultoria política e análise de dados que se tornou mundialmente conhecida pelo uso de data analytics, perfilagem de eleitores, segmentação de públicos e comunicação política digital. A empresa encerrou operações em 2018, depois do escândalo envolvendo dados do Facebook e das investigações sobre as suas práticas.
As investigações parlamentares britânicas documentaram também alegações e evidências relacionadas com desinformação, microtargeting e utilização eticamente ou legalmente questionável de dados. Mas alguns Técnicos seniores da Cambridge Analytics migraram para outras empresas como a TargetSmart e a BlueLabs.
Mas é com a empresa AggregateIQ (AIQ), que pertencia ao ecossistema da Cambridge Analytics que o regime está a contar para 2027.
E quais são os problemas que atormentam o MPLA?
1- Desgaste de quase cinco décadas no poder: Em 2022, o MPLA venceu com 51,17% e 124 deputados, mas perdeu a maioria de dois terços que anteriormente detinha. A UNITA chegou a 43,95% e 90 deputados.
2- Economia e custo de vida: Inflação, falta de emprego sobretudo entre jovens, desigualdade e dependência do petróleo continuarão a ser questões politicamente sensíveis. O FMI projecta crescimento de 2,6% para 2027 e inflação média de 12,8%, enquanto o Banco Mundial continua a apontar a pobreza, o desemprego e a baixa produtividade como problemas estruturais.
3- Consolidação da oposição: Há negociações em curso para maior coordenação entre forças opositoras, incluindo iniciativas relacionadas com a FPU. Uma oposição mais coordenada, surgimento de actores políticos próximos ao MPLA e ascensão de movimentos cívicos de expressão alteram o ambiente competitivo relativamente a 2022.
4- Desafio geracional e urbano: OMPLA terá de comunicar com uma população jovem e urbana cujas expectativas económicas, sociais e digitais são diferentes das gerações que historicamente constituíram a sua base política.
5- Credibilidade institucional: Questões relacionadas com fiscalização, transparência, liberdade política, confiança no processo eleitoral e prestação de contas podem assumir maior peso na avaliação que os cidadãos fazem do sistema político.
6- Baixo engajamento das bases: Com a baixa credibilidade do actual líder junto das bases militantes, o MPLA não conseguiu mobilizar o voto dos seus membros na própria capital em 2022. Isso reduziu a margem política do partido governante para qualquer maquilhagem política face a incongruência das massas visíveis versus resultados eleitorais (com baixo nível de aderência em actos de massas, o MPLA não conseguirá facilmente ludibriar a população de que goza de bastante simpatia para justificar os votos obtidos).
7- Cisão interna: Os efeitos colaterais do combate contra opositores internos e potenciais candidatos à liderança do MPLA, criam fossos de unidade e coesão para um partido em decadência junto dos eleitores cada vez mais jovens. Aliado à isso, a boa (ou mà) recepção do futuro candidato escolhido por João Lourenço, também condiciona a segurança dos militantes, simpatizantes e eleitores.
O relatório deixa recomendações estratégicas que podem contribuir para o controle da derrapagem, mas a margem de intervenção é extremamente curta e de estrita observância política – ou seja – as margens para um colchão de amortecimento só são duas:
a) Somente o líder do MPLA pode (e deve) rever o seu plano, para evitar que o MPLA caia do poder de forma estrondosa nas eleições;
b) Há um risco elevadíssimo de Implosão institucional, que como consequência, o caos social e económico poderá se instalar.
Crédito: GAEP PL.