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CASO JAAFAR ISSA: DOCUMENTOS LIBANESES CONTRADIZEM VERSÃO SOBRE NASCIMENTO EM BRAZZAVILLE

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O empresário libanês Jaafar Issa, através do Grupo Golden Trio – Comércio Geral, Lda., rejeitou as informações avançadas pelo Club-K de que não nasceu em Brazzaville, República do Congo, e afirma possuir 2 documentos oficiais que, segundo a empresa, comprovam a sua naturalidade congolesa e Libanesa. Nasceu em dois lugares ao mesmo tempo?

O empresário libanês Jaafar Issa, investigado por alegadamente utilizar documentos falsos em Angola, estará a criar embaraços ao governador de Luanda, Luís Manuel da Fonseca Nunes, por este lhe ter emitido um certificado de garantias morais e cívicas para a sua integração na sociedade angolana.

Na resposta ao Club-K, a empresa sustenta que Jaafar Issa nasceu em Brazzaville, a 5 de Setembro de 1987, e apresenta como elementos de suporte um certificado de nacionalidade, com o número 7021, e uma certidão de nascimento que atribui às autoridades municipais de Brazzaville.

Apesar de reiterar que nasceu em Brazzaville, documentos atestam que o empresário nasceu na localidade libanesa de Houmin el Tahta. A 26 de Abril de 2007, a Direcção-Geral de Segurança Geral (D.G.S.G.) do Líbano emitiu um passaporte em nome de Jaafar Issa, com o número RL 1012808, indicando que este é cidadão de nacionalidade libanesa, filho de Mohamad e de Qamar, nascido a 5 de Setembro de 1987, na localidade de Houmin el Tahta, e não em Brazzaville. O passaporte caducou a 25 de Abril de 2012.

Dois anos após a expiração do passaporte libanês, Jaafar Issa, então com 26 anos, solteiro e residente no bairro Golf Dois, casou-se, em Luanda, com a cidadã angolana Mainela Isilda Silva Paulo, de 19 anos na altura, na 5.ª Conservatória do Registo Civil da capital angolana.

Na altura, Jaafar Issa ainda utilizava documentos libaneses. O assento de casamento n.º 264/2014 reitera que nasceu a 5 de Setembro de 1987, na localidade de Houmin el Tahta, sendo filho de Moahmed e de Kamar Balhout, igualmente naturais da mesma localidade.

Apesar de viver em Angola há vários anos, Jaafar Issa terá recorrido a documentos da República do Congo que indicam que nasceu naquele país e que estará a utilizar no âmbito do processo de pedido de nacionalidade angolana.

Nascido na localidade de Houmin el Tahta, no Líbano, a 5 de Setembro de 1987, Jaafar Issa terá dificuldades em entrar no seu país de origem, depois de ter sido condenado, a 2 de Março de 2020, pelo Tribunal Criminal de Nabatieh, no Líbano, a dois anos de prisão e ao pagamento de uma multa de um milhão de libras libanesas, pelo crime de burla.

As motivações que terão levado Jaafar Issa a obter documentos congoleses poderão estar relacionadas com a impossibilidade de se deslocar ao Líbano, na sequência de uma condenação proferida a 2 de Março de 2020 pelo Tribunal Criminal de Nabatieh. Na ocasião, foi condenado a dois anos de prisão e ao pagamento de uma multa de um milhão de libras libanesas, pelo crime de burla.

Ainda segundo informações recolhidas no âmbito da investigação, Jaafar Issa já teria sido denunciado às autoridades angolanas por alegadamente permanecer no país com um passaporte da República do Congo obtido por vias duvidosas. O caso terá sido abafado após o pagamento de cerca de 13 milhões de kwanzas a uma alegada rede no Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), supostamente chefiada por uma funcionária identificada como Maria Barbosa, cujo número de telefone é indicado como 923 526 096, proveniente das Lundas. Os valores teriam sido entregues em numerário a um indivíduo identificado como «Frank».

De acordo com fontes consultadas, o caso coloca o governador de Luanda numa situação de embaraço, tendo em conta que, segundo as mesmas fontes, as autoridades angolanas passaram a encarar com maior escrutínio determinados casos envolvendo cidadãos de nacionalidade libanesa, na sequência de questões anteriormente levantadas sobre elementos ligados à Arosfram e alegadas ligações ao Hezbollah.

De acordo com informações recolhidas, Jaafar Issa estaria a tentar obter a nacionalidade angolana utilizando documentos obtidos alegadamente de origem duvidosa, que terá adquirido na República do Congo. Entre esses documentos estaria um passaporte obtido por intermédio de um intermediário identificado como Hussein Khazen, pelo qual terá pago cerca de 10 mil dólares norte-americanos.

O cidadão Jaafar Issa nasceu na localidade de Houmin el Tahta, no Líbano, a 5 de Setembro  de 1987. Contudo, no passaporte congolês n.º 0A0237111, que alegadamente terá adquirido na República do Congo, o cidadão é apresentado como tendo nascido em Brazzaville. Segundo as informações disponíveis, este será o único dado divergente em relação aos seus documentos libaneses.

Um documento do Ministério do Interior do Líbano, datado de 1 de Outubro, reitera que Jaafar Issa, filho de Mohamad e de Kamar Ballout, nasceu em Houmin el Tahta, no distrito de Nabatieh, sul do Líbano, contrariando a informação constante do passaporte congolês.

As motivações que terão levado Jaafar Issa a obter documentos de origem alegadamente duvidosa para se instalar em Angola são associadas a uma condenação que terá sofrido em 2 de Março de 2020, pelo Tribunal Criminal de Nabatieh. Segundo as informações recolhidas pelo Club-K, o mesmo foi condenado a dois anos de prisão e ao pagamento de uma multa de um milhão de libras libanesas pelo crime de burla.

Ainda segundo informações recolhidas no âmbito da investigação, Jaafar Issa já teria sido denunciado às autoridades angolanas por alegadamente permanecer no país com um passaporte congolês obtido por vias duvidosas. O caso terá sido abafado após o pagamento de cerca de 13 milhões de kwanzas a uma alegada rede no SME, supostamente chefiada por uma funcionária identificada como Maria Barbosa, cujo número de telefone é indicado como 923 526 096. Os valores teriam sido entregues em numerário a um indivíduo identificado como «Frank».

Issa é também portador de uma autorização de residência do SME, com o n.º 0040476T01, na qual é igualmente apresentado como tendo nascido em Brazzaville. Jaafar Issa operará no sector diamantífero nas Lundas, sendo apontado como sócio das empresas THE WORLD IS YOUR COMPANY — EXPLORAÇÃO MINEIRA, LDA., e GOLDEN TRIO — PROTECÇÃO E VIGILÂNCIA, LDA., entre outras.

Até determinado momento, uma das suas empresas pagaria uma avença mensal de um milhão de kwanzas à GER Filhos Limitada, alegadamente ligada a um antigo comandante da Lunda Norte, em troca de protecção. Issa é igualmente apontado como próximo de um operativo do Serviço de Informações e Segurança do Estado (SINSE), identificado como «Pachão», que, segundo as informações recolhidas, lhe garantiria protecção em Angola.De confissão religiosa xiita, Jaafar Issa é, por vezes, associado ao movimento palestiniano Hamas, que opera na Faixa de Gaza. Essa associação baseia-se, segundo as informações recolhidas, na alegação de que terá sido visto a fazer sinais interpretados como relacionados com o movimento islâmico. Não foram apresentados elementos independentes que permitam confirmar uma ligação orgânica ou financeira entre Issa e o Hamas.

As suspeitas ganharam nova dimensão após a apreensão, a 13 de Setembro de 2026, de 536.350 dólares norte-americanos pela Polícia Fiscal Aduaneira, na fronteira do Luvo, município da província do Zaire, quando um homem tentava transportar o dinheiro para a República Democrática do Congo (RDC).

Na sequência do caso, circularam relatos segundo os quais o dinheiro pertenceria a Jaafar Issa e se destinaria a uma contribuição para a direcção do Hamas. Contudo, a informação sobre a alegada propriedade dos valores e o seu eventual destino não foi confirmada por fontes independentes.

As fontes acrescentam que alguns desses indivíduos terão recorrido a documentos de países africanos cuja autenticidade é questionada para se movimentarem em Angola.

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