INVESTIGAÇÃO APONTA “MÁFIA” DA EMPRESA DP WORLD NO PORTO DE LUANDA COMO FACILITADOR NAS EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES ILEGAL
Multinacional dos Emirados Árabes Unidos de DP World acusada de estar envolvida em escândalos de espionagem, tráfico de drogas e facilitação de exportação de minarais importantes do país através do Porto de Luanda.
Escândalo no Porto de Luanda: Tráfico de Influência, Contrabando e Obstrução à Justiça Abalam a DP World
Funcionários seniores da multinacional são acusados de desvio de equipamentos, com investigações travadas por oficial superior da Polícia Nacional contratado pela empresa. Caso soma-se a um recente escândalo de tráfico de cocaína.
Francisco Pizon recentemente contratou o Oficial Superior da Polícia Nacional Isaac Pereira, para facilitar a sua ligação com a secreta e os órgãos de defesa e segurança do país. Isaac Manuel Pereira é Superintendente-Chefe colocado no Comando Geral da Polícia sendo também funcionário sénior- dos serviços de inteligência e agora Director de Segurança da DP World Luanda, disse a fonte .
Uma complexa teia de tráfico de influências e desvios de equipamentos está a levantar graves suspeitas sobre as operações da DP World Luanda. No centro das denúncias está a estratégia da administração, liderada pelo CEO Francisco Pizon, de recrutar altas patentes das forças de segurança do Estado para neutralizar investigações criminais e obter vantagens ilícitas face à concorrência.
A “Blindagem” da Inteligência Segundo fontes ligadas ao processo, Francisco Pizon contratou recentemente o Superintendente-Chefe Isaac Manuel Pereira, oficial superior do Comando Geral da Polícia Nacional e quadro sénior dos serviços de inteligência, para o cargo de Director de Segurança da DP World. A manobra visa garantir uma ligação directa com a secreta e os órgãos de defesa angolanos.
Com uma vasta rede de informadores infiltrados em terminais portuários concorrentes e instituições públicas — incluindo Sogester, SONILS, Unicargas, Multiterminais, AGT e o próprio Conselho de Administração do Porto —, o novo director assegura informação privilegiada ao CEO. Esta prática não é nova na empresa: o antigo Director de Segurança, João Batista, possuía um perfil idêntico ligado à inteligência.
O Esquema de Desvio de Equipamentos Portuários A influência do Superintendente-Chefe Isaac Pereira foi recentemente posta à prova para abafar um esquema milionário de venda ilegal de património. O Director Técnico da DP World, Eric Rayo, em conluio com o Director de Ambiente, Décio Simões, orquestrou o desmantelamento e venda de contentores, máquinas e equipamentos portuários (incluindo máquinas Terex, caminhões cisternas, tractores e contentores frigoríficos) entregues à empresa no âmbito do acordo de concessão.
Para a execução da fraude, a dupla recorreu à empresa Green West — antiga parceira de negócios de Eric Rayo dos tempos da Sogester — especializada na compra de peças usadas. O esquema contou alegadamente com a conivência de chefias do Departamento Técnico do Porto de Luanda, nomeadamente o Eng. Doria e o Eng. Célio, sob orientação do Administrador para a Área Técnica, Willy Guimarães, que na semana anterior já haviam retirado toneladas de equipamentos, abrindo um grave precedente.
Após a Administração Geral Tributária (AGT) ter indeferido a saída do material, os directores da DP World utilizaram um estagiário, identificado como Benção, para forjar documentação. O documento falso autorizava a saída de “madeiras” em nome de uma empresa de limpezas, a Lua Jardim, numa tentativa de ludibriar a Polícia Fiscal Aduaneira, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) e a AGT. O esquema permitiu a retirada de 90% dos equipamentos alvo antes de ser detectado.
Obstrução à Justiça e Impunidade A irregularidade foi notada pela Comandante da Polícia Fiscal Aduaneira, que acusa corpo directivo da DP World, Inspectora-Chefe Irene, e pelo Segundo Comandante, Inspector Nunguono, de terem acionado o SIC. A equipa do Inspector de Investigação Criminal Manuel deteve o estagiário Benção e a equipa da Green West, iniciando diligências para capturar os directores Eric Rayo e Décio Simões, que se encontravam foragidos. Durante o interrogatório, o estagiário confessou desconhecer o valor dos equipamentos e apontou os dois directores como mandantes.
No entanto, a operação foi abruptamente abortada. O Comissário de Investigação Criminal Clotário, a mais alta patente do SIC Porto, interveio exigindo o arquivamento imediato do caso alegando “ordens superiores”. Fontes confirmam que a ordem partiu directamente do Director de Segurança da DP World, Isaac Pereira, que, instruído pelo CEO Francisco Pizon, usou a sua patente e influência para proteger Eric Rayo.
Oficiais da Polícia Fiscal e do SIC, sob anonimato, lamentam a subversão das forças de segurança a interesses corporativos privados. A Inspectora-Chefe Irene já havia alertado Isaac Pereira repetidas vezes para cessar a interferência em processos aduaneiros, sublinhando que a soberania do Estado não pode ser subjugada a uma empresa privada.
O Sombrio Histórico de Tráfico de Drogas Este escândalo agrava a reputação da DP World Luanda, que ainda tenta afastar as sombras de um grave caso de narcotráfico. Em novembro de 2023, sete trabalhadores da empresa foram detidos pelo envolvimento no tráfico de 46 quilos de cocaína, dissimulados no sistema de ventilação de contentores de alimentos provenientes do Brasil.
Nesse caso, um gerente de segurança patrimonial da DP World desligou o sistema de videovigilância para facilitar a extracção da droga. Um outro superintendente-chefe da Polícia Nacional havia sido contratado por 20 milhões de kwanzas para proteger a mercadoria ilícita e obstruir as investigações do SIC. Os envolvidos neste caso de 2023 continuam em prisão preventiva, a aguardar desfecho no Tribunal de Comarca de Luanda.
Diante do avolumar de crimes e da flagrante obstrução às autoridades no Porto de Luanda, as fontes policiais apelam agora a uma intervenção urgente do Ministério Público. Exige-se não apenas a responsabilização dos directores envolvidos no desvio de equipamentos, mas também a abertura de um inquérito rigoroso para erradicar a interferência externa de oficiais superiores do SIC e da Polícia Nacional a favor dos executivos da DP World.
Francisco Pinzon sempre teve gosto em ter acesso a informação privilegiadas, lembrando que o seu antigo Director de Segurança João Batista também foi funcionário dos Serviços de inteligência com acesso a informação privilegiada. O recém contratado tem uma base de informação bastante alargada com infiltrados em todos os terminais portuários (Sogester, SONILS, Unicargas, Multiterminais, AGT e Conselho de Administração do Porto) deixando-o em vantagem face a concorrência.
Recentemente o novo Director de Segurança Superintendente-Chefe Isaac Pereira, orientou o SIC-Porto a parar imediatamente a investigação daquele que seria o segundo escândalo envolvendo a DP World desde que iniciou a exploração do Terminal Multiuso depois de no ano passado já estar envolvida no tráfico de Cocaína, ele conseguiu impor a vontade do seu CEO Francisco Pinzon diante da lei e das instituições públicas como a Polícia Fiscal Aduaneira o SIC Porto, AGT e o Porto da Luanda.
Em novembro de 2023, um outro grupo de 7 trabalhadores da mesma Empresa DP World, foram detidos pelo trafico de drogas de marca cocaina.
Com os arguidos foram encontrados 46 quilos de drogas do tipo cocaína, que retiraram de um contentor de alimentos, do Porto de Luanda.
O superintendente-chefe foi contratado pelos restantes arguidos para proteger a mercadoria ilícita na sua viatura em troca de 20 milhões de kwanzas, e era tido como o protector dos demais implicados.
Segundo a acusação, o navio atracou no Porto de Luanda, no dia 13 de Maio de 2023, proveniente do Brasil, e estava carregado de contentores frigoríficos com diversas mercadorias.
Entretanto, entre os contentores que o navio trazia, estavam três que continham alimentos perecíveis, que também traziam escondidos no sistema de ventilação 38 pacotes de cocaína.
Um dos arguidos, gerente de segurança patrimonial da DP World, desligou o sistema de gravação das câmaras de videovigilância, do dia em que outro arguido, também funcionário da referida empresa, retirou do contentor os pacotes.
Conforme acusação do Ministério Público (MP), os arguidos, de forma concertada, participaram, cada um com tarefas específicas, para a retirada das drogas no contentor, nas instalações da empresa DP World, localizada no Porto de Luanda.
A acusação refere que 16 pacotes foram movimentados e entregues a um dos acusados, para retirar o produto do Porto de Luanda, na sua viatura.
Um deles acabou sendo monitorado pelos operativos do Serviço de Investigação Criminal (SIC), do Porto de Luanda, que o detiveram em posse dos 16 pacotes de drogas, numa mochila.
Segundo o SIC, diligências foram feitas e detectou-se que no mesmo contentor havia outros pacotes de drogas que foram aprendidos e levados ao laboratório onde concluiu tratar-se de cocaína.
Fontes do processo contaram ao Novo Jornal que o oficial superior da Polícia Nacional, do comando geral, tentou obstruir as investigações do SIC, pois era ele tido como o protector dos restantes envolvidos.
Sendo assim, o MP acusa este superintendente-chefe e outros sete arguidos, dos crimes de tráfico de droga e outras actividades ilícitas, bem como de associação criminosa.
Os arguidos encontram-se em prisão preventiva e o julgamento decorre no Tribunal de Comarca de Luanda.