ACTIVISTAS E POLÍTICAS CRITICAM ALEGADA INSTABILIDADE GOVERNATIVA DE JOÃO DIOGO GASPAR NO CUANZA NORTE
A exoneração da vice-governadora para o Sector Político, Social e Económico do Cuanza-Norte, Esperança Domingos Rodrigues, pelo Presidente da República, João Lourenço, continua a suscitar reações de organizações cívicas, activistas e actores políticos da província, entre estas, a Associação dos Jovens do Kwanza-Norte (AJOKWA) manifestou preocupação com a sucessiva substituição de responsáveis no Governo Provincial, considerando que a constante mudança de gestores compromete a estabilidade administrativa e o desenvolvimento local.
Num documento tornado público esta semana, a que o Jornal Hora H teve acesso, a organização cívica refere que a província enfrenta um quadro de “instabilidade governativa” nos domínios político, social e económico, apontando para a necessidade de maior continuidade nas políticas públicas.
Segundo a AJOKWA, a nomeação de três titulares diferentes para a vice-governação do sector Político, Social e Económico num período aproximado de um ano revela a existência de desafios estruturais no seio da administração provincial.
A associação sustenta que a frequente substituição de responsáveis pode gerar um ambiente de desconfiança institucional entre os gestores públicos e afectar a implementação de programas governativos.
A organização questiona ainda os fundamentos das sucessivas exonerações, defendendo maior clareza quanto aos critérios de nomeação e avaliação dos gestores públicos.
A AJOKWA aproveitou igualmente para desejar sucessos ao recém-nomeado vice-governador provincial, Marcos André Pedro Garcia, sublinhando que o novo responsável assume funções num contexto de elevada expectativa social e política.
Entretanto, o secretário provincial do PRA-JA Servir Angola no Cuanza-Norte, João Quipipa Dias, também reagiu à exoneração de Esperança Domingos Rodrigues, considerando que a constante substituição de dirigentes pode afectar a estabilidade administrativa.
“Quando a estabilidade administrativa dá lugar à improvisação, quem acaba por pagar a factura é a população”, afirmou o político, defendendo que a governação exige visão estratégica, planeamento e estabilidade institucional.
João Quipipa Dias felicitou igualmente Marcos André Pedro Garcia pela nomeação, manifestando o desejo de que o interesse público prevaleça e que os resultados possam responder às expectativas da população.
Por sua vez, o secretário provincial do Movimento Social para Mudança, Isaías da Paixão, considerou “anormal” a sucessão de vice-governadores no executivo provincial desde a chegada do governador João Diogo Gaspar, em Janeiro de 2024.
“Já se passaram três vice-governadoras desde que o governador chegou. Isso demonstra que alguma coisa não está bem”, declarou, felicitando igualmente o novo vice-governador.
Também o activista cívico Hélder Neto mostrou-se preocupado com as sucessivas alterações na estrutura governativa provincial, defendendo a necessidade de maior estabilidade institucional.
Contactado anteriormente pelo Jornal Hora para prestar esclarecimentos sobre alegadas divergências internas no executivo provincial, o governador do Cuanza-Norte, João Diogo Gaspar, afirmou que não tolera irregularidades na gestão da coisa pública, nomeadamente práticas relacionadas com desvios financeiros e outras infracções administrativas.