ALTOS FUNCIONÁRIOS DO MOXICO LESTE ACUSADOS DE ENVOLVIMENTO EM CONTRABANDO DE MADEIRA E ABATE INDISCRIMINADO DE ÁRVORES
Altos responsáveis do Governo Provincial do Moxico Leste, incluindo o Governador Crispiniano dos Santos, o Procurador-Geral Adjunto da província e o Comandante da Polícia local, estão a ser acusados de envolvimento em um alegado esquema de contrabando de madeira e abate indiscriminado de árvores no município de Makondu.
REDACÇÃO CORREIO DA MANHÃ
De acordo com informações obtidas junto de fontes locais, sustentadas por vídeos e imagens, máquinas pesadas, como tractores e camiões provenientes da vizinha República da Zâmbia, têm sido utilizadas para a extração e transporte ilegal de grandes quantidades de madeira retirada do território angolano. As denúncias indicam que o Administrador Municipal de Makondu, Paulo Kamukinya, desempenha um papel central no esquema, sendo apontado como intermediário na recolha de valores cobrados aos operadores envolvidos na exploração florestal.

Ainda segundo relatos, um funcionário da administração local, identificado como Abraão, seria o responsável pela recolha de dinheiro no terreno, que posteriormente repassa às instâncias superiores.
As nossas fontes afirmam que, por cada camião carregado de madeira, é cobrado um valor aproximado de 50 mil kwachas (moeda zambiana), equivalente a cerca de dois milhões de kwanzas. A madeira é, em seguida, transportada para a Zâmbia.
Os operadores envolvidos incluem cidadãos estrangeiros, nomeadamente zambianos e chineses, que entram no território angolano, alegadamente a partir da Zâmbia, para realizar o abate de árvores com recurso a maquinaria pesada. As máquinas utilizadas, segundo as denúncias, não pertencem a empresas angolanas, mas sim a indivíduos estrangeiros.
Apesar das acusações, o director local do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE) é referido pelas fontes como a única autoridade que não está envolvido nas alegadas práticas ilícitas. Já outras entidades, incluindo responsáveis da Polícia Nacional, são acusadas de conivência ou participação directa no esquema.

A situação tem gerado forte preocupação entre as populações locais, que denunciam o impacto negativo da exploração descontrolada dos recursos florestais. Entre as consequências apontadas estão a degradação ambiental e o afastamento de abelhas, essenciais para a produção de mel.
Além disso, os residentes destacam a ausência de benefícios sociais decorrentes da exploração dos recursos naturais de forma ilegal. Para os denunciantes, o município enfrenta graves problemas sociais, desde a falta de infraestruturas básicas, como escolas, hospitais e vias de acesso. Mas os recursos da Província servem interesses de uma elite insaciáveis liderada por Crispiniano dos Santos.
“O que se vê é a saída constante de madeira, enquanto a população continua sem serviços essenciais. A riqueza local não beneficia as comunidades”, afirmou uma fonte da Laulenu sob anonimato.
As denúncias referem ainda que o anterior Administrador Municipal de Makondu terá sido exonerado por se opor às práticas em causa, tendo sido substituído pelo actual responsável do município, alegadamente mais alinhado com o esquema.
As evidências visuais, mostram que os meios utilizados entram e saem do território angolano com relativa facilidade, levantando suspeitas sobre a actuação das forças da Polícia de Guarda Fronteiriça, que estariam a permitir a circulação dos equipamentos e o transporte da madeira sem restrições. Isto mostra a rede de conexão e cumplicidade existente no município.
Até ao momento, não há qualquer reacção das autoridades visadas às acusações.
Tentámos entrar em contacto com o Governador Provincial do Moxico Leste, Crispiniano dos Santos, através do número de telefone associado ao WhatsApp, para habitual contraditório e apuração das informações que recaem sobre si e outras entidades locais. Contudo, perante a gravidade das acusações, Crispiniano dos Santos optou por remeter-se ao silêncio, não respondido às questões que lhe foram dirigidas.
Abaixo segue o texto com as perguntas enviadas ao senhor Governador Crispiniano dos Santos:
Bom dia, senhor Governador Crispiniano dos Santos.
Chamo-me Dito Dalí, em representação da Laulenu. Estamos a realizar um trabalho investigativo sobre o contrabando de madeira no município de Makondu e noutras regiões da Província do Moxico Leste.
Gostaríamos de ouvir a sua posição relativamente aos seguintes pontos:
1. Existem acusações que envolvem o seu nome em esquemas de contrabando de madeira. Quando é que tomou conhecimento dessas acusações e qual é a sua resposta?
2. Cidadãos estrangeiros da República da Zâmbia e chineses têm sido apontados como compradores de madeira da região. O senhor confirma essa informação?
3. Há relatos de que camiões carregados de madeira circulam em Makondu mediante pagamento de taxas. O senhor confirma essa informação?
4. Quem é responsável por autorizar a entrada e saída de camiões e máquinas envolvidas no abate de árvores?
5. É verdade que o administrador municipal, Paulo Kamukinya, actua como seu representante ou intermediário nesse processo?
6. Conhece o senhor Abraão, um funcionário da Administração municipal de Makondu, responsável por recolher dinheiro da venda de madeira contrabandeada?