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	<title>Arquivo de Opinião - .</title>
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	<title>Arquivo de Opinião - .</title>
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		<title>NORBERTO GARCIA REDUZIDO OU HUMILHADO?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Correio da Manhã]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 13:05:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muito se tem falado da exoneração e nomeação de Norberto Garcia, o homem forte do...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Muito se tem falado da exoneração e nomeação de Norberto Garcia, o homem forte do Gabinete das Ações Psicológicas (GAP), um gabinete insólito que surgiu com a presidência do Presidente João Lourenço, mas que agora foi exonerado e enviado para liderar o centro de formação de jornalistas, o que não deixa de ser estranho, sendo ele jurista:</p>



<p>1 &#8211; A visão de muita gente é a de que Norberto Garcia foi diminuído ou humilhado, uma vez que saiu da Casa Presidencial para dirigir um centro de formação de jornalistas.</p>



<p>2 &#8211; Mas eu prefiro fazer uma leitura estratégica e estrutural do poder, em vez da leitura superficial de “quem subiu ou desceu de cargo”. No jogo do poder, cada peça tem a sua função, especialmente em sistemas políticos onde os cargos públicos podem ter funções formais e funções reais distintas.</p>



<p>3 &#8211; A exoneração ou alegada humilhação de Norberto Garcia não deve ser lida como perda de estatuto, mas como um reposicionamento num campo mais importante: a informação e a narrativa pública.</p>



<p>4 &#8211; Os títulos nem sempre revelam poder real. Ou seja, em política, há cargos discretos com enorme influência e cargos vistosos com pouca capacidade real de decisão.</p>



<p>5 &#8211; Em período pré-eleitoral, a comunicação torna-se central. À medida que as eleições se aproximam, a disputa deixa de ser apenas administrativa e passa a centrar-se no controlo da agenda pública, na mobilização emocional e na produção de legitimidade — sim, “produção” de reputação.</p>



<p>6 &#8211; A formação de jornalistas pode significar influência indirecta.</p>



<p>7 &#8211; Se uma estrutura estatal controla programas de formação, acesso, certificação ou recursos para profissionais da comunicação, isso pode moldar a sociedade e o jogo político: prioridades editoriais, controlo e criação de narrativas, censura e controlo dos fazedores de opinião.</p>



<p>8 &#8211; Analisar o jogo do poder não se deve limitar apenas aos cargos oficiais, regalias, proximidade física ao Presidente, protocolos ou estatutos &#8211; os políticos não pensam como os seres humanos “normais”.</p>



<p>9 &#8211; Ao invés disso, é preferível analisar os “porquês” ou tentar perceber para que servem certas mudanças.</p>



<p>10 &#8211; Em ciência política, o foco costuma ser: Que problema o regime está a tentar resolver? Porquê agora?</p>
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		<title>ISAÍAS KALUNGA BAJULAR TAMBÉM NÃO É ASSIM</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Correio da Manhã]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 14:43:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O presidente com mandato expirado do Conselho Nacional da Justiça (CNJ), Isaías Kalunga, terá “bajulado”...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O presidente com mandato expirado do Conselho Nacional da Justiça (CNJ), Isaías Kalunga, terá “bajulado” publicamente o governador de Luanda, Luís Nunes. No entanto, a iniciativa aparenta ter produzido o efeito inverso ao pretendido, gerando críticas e interpretações de que Kalunga acabou por errar o alvo.</p>



<p>Ao invés de reconhecer o governador no contexto próprio de Luanda — onde os resultados, a governação e as prioridades administrativas são efetivamente avaliados — a mensagem de Kalunga teria esvaziado o protagonismo local e deslocado a figura de Luís Nunes para um patamar mais amplo, como se a presença e o desempenho do governante fossem “reduzidos” ao quadro geral do país.</p>



<p>Analistas e observadores consideram que esta forma de abordagem pode ser lida como um erro político: ao tentar elevar o governador, Kalunga teria, involuntariamente, diminuído o espaço de atuação institucional de Luanda, reforçando uma leitura de desrespeito ao papel regional do Governo Provincial.</p>



<p>Por isso, a atitude de Isaías Kalunga tem sido interpretada como um erro grave, sobretudo num contexto em que a credibilidade institucional e o rigor institucional deveriam prevalecer.</p>
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		<title>EM CACUACO: “CHALADO” DO ADMINISTRADOR FERNANDO FRANCISCO JOÃO DISTRIBUI DEZ PINTAINHOS PARA O COMBATE A FOME E A POBREZA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Correio da Manhã]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Apr 2026 10:15:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A administração municipal de Cacuaco está a distribuir 10 pintainhos para a população local çomo...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A administração municipal de Cacuaco está a distribuir 10 pintainhos para a população local çomo parte do programa de combate a pobreza. Essa iniciativa visa ajudar as famílias a gerar renda e melhorar sua situação económica.</p>



<p>O “chalado” administrador municipal, Fernando Francisco João, anunciou que o programa faz parte do Plano Integrado de Desenvolvimento Local de Combate a Pobreza (PIDLCP), que visa promover o empreendedorismo e melhorar a vida das pessoas no município. Até aqui, acho muito normal a ideia do governante</p>



<p>Mas antes, é bom que ele saiba que a criação de pintainhos pode ser um desafio, especialmente quando se trata de custos. A alimentação é um dos principais gastos, pois os pintainhos precisam de uma dieta rica em proteínas e nutrientes para crescerem saudáveis. Outros custos são vacinas e medicamentos por ave.</p>



<p>Considerando que cada família recebeu 10 pintainhos os custos de alimentação, podem ser significativos. É importante que a administração municipal de Cacuaco forneça apoio continuo para garantir sucesso do programa.</p>



<p>Além disso, é fundamental que as famílias sejam capacitadas em tecnicas de criação e manejo de aves para minimizar os custos e maximizar a produção.</p>



<p>Está é a minha opinião!</p>



<p>Moreira Mário – jornalista</p>
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		<item>
		<title>DIREITO À MANIFESTAÇÃO EM ANGOLA SOB PRESSÃO: ATÉ QUANDO SERÃO IMPEDIDOS OS PROTESTOS?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Correio da Manhã]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 20:42:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A realização de manifestações públicas em Angola continua a suscitar debate quanto ao exercício efectivo...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A realização de manifestações públicas em Angola continua a suscitar debate quanto ao exercício efectivo dos direitos e liberdades fundamentais consagrados na Constituição.</p>



<p>Apesar de, nos últimos oito anos, terem sido convocados diversos protestos em várias partes do país, muitos destes acabaram por não se concretizar conforme previsto, devido a obstáculos administrativos, alterações de última hora aos percursos inicialmente comunicados ou mesmo proibições sem fundamentação clara.</p>



<p>Em alguns casos, segundo relatos de organizadores e observadores, a alegada falta de autorização tem sido apontada como motivo para impedir a realização das manifestações. Noutras situações, mudanças tardias impostas pelas autoridades acabam por inviabilizar a mobilização dos participantes. Quando, ainda assim, os promotores insistem em manter as iniciativas, surgem denúncias de intervenções policiais consideradas desproporcionais pelos activistas.</p>



<p>Para alguns sectores da sociedade civil, este cenário reflecte a persistência de um ambiente de intimidação. Um jovem activista ouvido sobre o tema considera que, apesar de Angola se afirmar como um Estado democrático de direito, continua a existir “um sistema de medo consolidado através de uma polícia que, em vez de actuar como uma polícia republicana, é vista como partidarizada e repressiva”.</p>



<p>Entretanto, especialistas e observadores sublinham que, frequentemente, o foco mediático e institucional acaba por incidir mais sobre as razões invocadas para impedir os protestos do que sobre as reivindicações que motivam as manifestações. Esta realidade levanta novas questões sobre o papel das manifestações públicas no espaço democrático angolano e sobre a percepção das autoridades relativamente ao impacto dos protestos de rua na estabilidade do país.</p>



<p>O debate mantém-se aberto: serão as manifestações uma ameaça à ordem pública ou uma expressão legítima da participação cívica numa sociedade democrática?</p>
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		<item>
		<title>ENTRE A SUCESSÃO E O COLAPSO: O LEGADO DE JOÃO LOURENÇO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Correio da Manhã]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 16:42:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Às portas de uma nova transição política, Angola enfrenta uma realidade incómoda: o verdadeiro campo...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Às portas de uma nova transição política, Angola enfrenta uma realidade incómoda: o verdadeiro campo de decisão não está nas urnas, mas no interior do partido no poder. Após uma década de governação, João Lourenço deixa um legado marcado pela concentração de poder, ausência de reformas estruturais e um sistema político concebido para se auto-reproduzir.</p>



<p>Antes de discutir quem sucederá a João Lourenço, impõe-se uma pergunta mais incómoda: que país deixará o presidente no fim do seu segundo e último mandato?</p>



<p>O problema não é apenas de sucessão política, mas de herança estrutural. Ao longo de uma década de governação, o que se consolidou não foi um projecto reformista, mas o aprofundamento de um sistema assente no revanchismo, na captura do Estado e na desgovernação.</p>



<p>Angola não emergiu como um Estado mais forte ou mais justo — tornou-se mais concentrado, mais opaco e mais vulnerável aos caprichos de um poder presidencial sem freios.</p>



<p>A falha mais grave deste ciclo político reside na recusa em reformar os fundamentos institucionais do Estado. O sistema judicial permaneceu subordinado ao poder político, incapaz de se afirmar como garante independente da legalidade e do equilíbrio entre instituições. Em vez de limitar o poder, a justiça tem sido frequentemente instrumentalizada para o exercício selectivo da autoridade. O resultado é uma justiça baseada na arbitrariedade, onde nunca se conseguem prever as decisões. A justiça tornou-se sinónimo de injustiça.</p>



<p>Ao mesmo tempo, manteve-se intacta a arquitectura de um presidencialismo imperial, sem mecanismos eficazes de controlo e responsabilização. Não houve nenhuma iniciativa de revisão constitucional que permitisse reequilibrar o sistema político, devolver poder aos cidadãos e estabelecer limites claros ao exercício do poder executivo. Ao contrário do que se poderá pensar, o principal derrotado com esta postura é o próprio presidente da República, seja quem for o titular: em Angola, hoje, a Presidência da República é o símbolo de todo o mal.</p>



<p>Se há um instrumento central na manutenção de qualquer poder político é a capacidade de projectar autoridade — e, em última instância, medo. Em Angola, esse papel continua, em larga medida, associado às Forças Armadas Angolanas (FAA). Paradoxalmente, sendo João Lourenço um general, o seu mandato ficou marcado pela negligência estrutural com que encarou o próprio exército.</p>



<p>Longe de qualquer esforço consistente de modernização ou valorização, as FAA foram deixadas ao abandono. Em vastas regiões do país, os quartéis continuam a ser construções precárias, de pau-a-pique, adobe e chapas de zinco — indignas para qualquer força que se pretenda profissional e respeitada. Não se trata apenas de uma questão de falta de condições materiais, mas de desvalorização institucional, que tem impacto em todas as negociações africanas para a obtenção da paz. Angola já não consegue acenar com uma força militar que intimide os inimigos da paz.</p>



<p>Este desinvestimento não só fragiliza a capacidade de defesa e de controlo das fronteiras, como expõe uma contradição fundamental: o poder mantém a aura de força, mas esvazia os seus próprios instrumentos. A médio prazo, esse desequilíbrio pode revelar-se perigoso — tanto para a estabilidade interna como para a segurança do Estado.</p>



<p>A degradação do aparelho do Estado é o outro rosto desta década. A administração pública, que deveria assentar no mérito, na estabilidade e em condições dignas de trabalho, permanece capturada por lógicas de clientelismo, baixos salários e ausência de incentivos à excelência. Em vez de um corpo técnico capaz de executar políticas públicas com rigor e continuidade, consolidou-se uma máquina burocrática desmotivada, permeável a pressões políticas e frequentemente orientada para a sobrevivência individual.</p>



<p>Sem uma reforma séria da função pública — que valorize o mérito, profissionalize carreiras e assegure condições materiais mínimas —, qualquer ambição de desenvolvimento sustentável permanece retórica. O Estado não falha apenas por falta de recursos, mas por falta de estrutura, de visão e de compromisso com o interesse público.</p>



<p>A este quadro soma-se um silêncio igualmente grave: a ausência de uma reforma curricular no ensino. Num país que deveria investir no seu capital humano como prioridade estratégica, o sistema educativo permanece ancorado em referenciais ultrapassados. Os actuais currículos, concebidos em 2000 para sustentar a reforma de 2004, acumulam hoje cerca de duas décadas de desfasamento. De acordo com a prática internacional, estes instrumentos deveriam ser revistos a cada cinco ou seis anos — o que significaria que Angola já deveria ter implementado, pelo menos, três ciclos adicionais de reforma educativa.</p>



<p>Em vez disso, o Ministério da Educação limitou-se a fazer correcções pontuais de manuais e conteúdos, mantendo-se praticamente inalteradas as disciplinas, os programas e a estrutura do ensino. O resultado é um sistema incapaz de preparar novas gerações para os desafios contemporâneos, perpetuando desigualdades e comprometendo o futuro do país.</p>



<p>Do ponto de vista económico, o seu legado é igualmente revelador. Temos uma governação marcada pela alocação presidencial arbitrária de dezenas de biliões de dólares em contratos públicos, sem concurso público, consolidando um sistema de favorecimento selectivo.</p>



<p>Em vez de promover um ambiente concorrencial e diversificado, Lourenço incentivou oligopólios que pouco ou nada contribuem para a produtividade ou para a modernização da economia, funcionando sobretudo como sorvedouros dos recursos do Estado. A prometida diversificação económica permaneceu num plano das intenções, sem correspondência em políticas eficazes ou resultados tangíveis.</p>



<p>Ao mesmo tempo, Angola falhou em atrair investimento estrangeiro relevante que pudesse dinamizar sectores estratégicos e introduzir padrões de competitividade. Persistiu, pelo contrário, uma lógica de promiscuidade entre o poder político e os grupos empresariais mais beneficiados pelos contratos públicos, minando a confiança, distorcendo o mercado e perpetuando um modelo económico fechado.</p>



<p>A sucessão</p>



<p>É neste contexto que a questão da sucessão se torna decisiva. Mais do que as eleições gerais de 2027, o verdadeiro momento de definição do futuro político de Angola reside no congresso do MPLA, a ser realizado em Dezembro próximo.</p>



<p>Há uma responsabilidade que não pode continuar a ser varrida para debaixo do tapete: a dos militantes do MPLA. Ao colocarem reiteradamente o partido acima do país, tornaram-se co-autores do sistema que hoje asfixia as instituições, que empobrece e degrada os próprios cidadãos que os deputados dizem representar. A lealdade cega não é virtude política — é abdicação. E cada silêncio cúmplice, cada aceitação resignada, cada aplauso automático ajudou a consolidar o estado actual de captura, desigualdade e desgovernação.</p>



<p>A história não absolve quem teve escolha e preferiu não a exercer.</p>



<p>A pergunta central é simples, mas carregada de consequências: terão os militantes capacidade para influenciar um processo minimamente competitivo, com múltiplas candidaturas, ou aceitarão, submissos, que João Lourenço determine, sem contestação, o seu sucessor?</p>



<p>A história recente oferece um precedente revelador. Em 2018, a lógica da bicefalia — que permitiria ao ex-presidente José Eduardo dos Santos manter o controlo do partido enquanto Lourenço exercia a presidência da República — foi rapidamente desmantelada. O poder não admite partilha prolongada. Foi forçada uma transferência total de controlo.</p>



<p>Hoje, perante os resultados acumulados de uma governação marcada pelo saque, pela concentração de poder e pela ausência de reformas estruturais, faz sentido questionar: com que legitimidade política poderá Lourenço manter-se à frente do partido e, a partir daí, condicionar o futuro do país?</p>



<p>Perante este quadro, torna-se claro que o problema de Angola não é apenas de liderança, mas de arquitectura política. A alternância dentro do MPLA, por si só, não resolverá um sistema desenhado para concentrar poder e limitar escolhas. E a alternativa oferecida pela UNITA não tem demonstrado capacidade para romper com essa lógica estrutural.</p>



<p>O país permanece refém de um modelo em que os cidadãos não escolhem directamente o seu presidente, mas apenas ratificam listas partidárias previamente determinadas. Neste arranjo, o poder circula dentro de um perímetro fechado, inacessível à renovação real e à responsabilização efectiva.</p>



<p>Angola precisa de mais do que uma mudança de rostos — precisa de uma ruptura institucional. Uma reforma constitucional que devolva aos cidadãos o direito de escolher directamente o chefe de Estado, que separe claramente os poderes e estabeleça mecanismos robustos de controlo e responsabilização. Um sistema em que o presidente não seja produto automático de uma lista partidária, mas resultado de uma escolha directa, transparente e competitiva, que lhe dará legitimidade pessoal para se colocar acima dos partidos políticos e promover o interesse nacional e o bem comum.</p>



<p>Sem essa transformação, qualquer sucessão será apenas uma encenação — uma transição controlada dentro do mesmo sistema que produziu o actual estado de captura, desigualdade e descrédito institucional.</p>



<p>A questão, portanto, não é quem vem a seguir. É se Angola continuará a aceitar um sistema que impede que alguém verdadeiramente novo possa sequer chegar lá.</p>



<p>A repetição de ciclos sucessivos de má governação e de escolhas incestuosas dentro do aparelho partidário do MPLA não é apenas uma questão de gestão política. Está em causa o futuro do país, a sua soberania e a independência nacional.</p>
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		<title>DIVALDO MARTINS PARA MINISTRO DO INTERIOR &#8211; DITO DALÍ</title>
		<link>https://correiodamanha.info/divaldo-martins-para-ministro-do-interior-dito-dali/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Correio da Manhã]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 16:08:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde o primeiro mandato do Presidente João Lourenço, a sociedade civil angolana tem vindo a...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde o primeiro mandato do Presidente João Lourenço, a sociedade civil angolana tem vindo a defender a nomeação do Comandante Divaldo Martins para os cargos de Ministro do Interior ou de Comandante-Geral da Polícia Nacional. Ainda assim, o regime prefere indivíduos pouco qualificados e limitados, como Manuel Homem e Eugénio César Laborinho, deixando de lado aqueles que verdadeiramente se destacam.</p>



<p>Não tenho dúvidas de que, se o Comandante Divaldo Martins tivesse um perfil de bajulador, incompetente ou alinhado com práticas menos recomendáveis como se observa em certos sectores do MPLA, já teria sido nomeado para um desses cargos.</p>



<p>Divaldo Martins não é perfeito, nem santo. Mas o que leva muitos a reconhecê-lo é a forma republicana, equilibrada e profissional com que exerce as funções públicas. Sabe ouvir e dialogar, aplica a lei com rigor e recorre ao uso da força apenas quando necessário para garantir a ordem pública. A província da Huíla é, aliás, uma das poucas onde raramente se ouvem relatos de violência ou mortes nas manifestações cívicas e políticas.</p>



<p>É, portanto, uma figura cuja intervenção pública, seja em entrevistas sobre o sector que dirige, seja em opiniões sobre o país, suscita interesse e respeito.</p>



<p>Destaca-se não só pelo desempenho profissional, mas também pelo seu carisma. Além disso, pouco ou nada se ouve sobre o seu envolvimento em escândalos de corrupção, banditismo ou negócios obscuros, ao contrário do que tem sido associado a outros responsáveis, como o actual Comandante Provincial da Polícia do Moxico, várias vezes acusado de práticas como corrupção, desvio de meios logísticos, contrabando de combustível e exploração ilegal de madeira.</p>



<p>Para muitos cidadãos, sobretudo os chamados “Revús”, Divaldo Martins não é apenas um comandante, é o “mano Divaldo”. Ou seja, uma das poucas figuras que ainda reúne simpatia e respeito popular, mesmo servindo um Estado marcado por desvios sob a governação do MPLA.</p>



<p>Ainda assim, o Presidente João Lourenço continua a preferir trabalhar com gestores pouco preparados e figuras sem mérito reconhecido.</p>



<p>ACJ, tens aqui um exemplo de profissional com quem poderás contar em 2027. Aqueles que o MPLA marginaliza por serem competentes devem ser aproveitados e valorizados em nome da pátria.</p>



<p>Dito Dalí</p>
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		<title>JUSTIÇA EM RISCO NO UÍGE: NÃO DEIXEM LIBERTAR O LÍDER DA “MILÍCIA” QUE ATERRORIZOU DAMBI ANGOLA!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Correio da Manhã]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 10:56:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Uíge está em alerta máximo! Virgílio Cordeiro João, o acusado líder de milícia, pode...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Uíge está em alerta máximo! Virgílio Cordeiro João, o acusado líder de milícia, pode ser libertado apesar das graves acusações de associação criminosa, rapto, tortura e uso ilegal de arma de fogo.</p>



<p>O governador José Carvalho da Rocha tem a responsabilidade de garantir que a justiça seja feita, sem interferências políticas.</p>



<p>CRIMES GRAVES QUE NÃO PODEM SER ESQUECIDOS:</p>



<p>&#8211; Liderou uma milícia que aterrorizou a aldeia de Dambi Angola, no município de Kitexe, deixando um rastro de medo e destruição.</p>



<p>&#8211; Famílias foram vítimas de raptos, torturas e violência indiscriminada.</p>



<p>&#8211; A paz e a segurança da comunidade foram brutalmente afetadas.</p>



<p>INJUSTIÇA ANTERIOR QUE NÃO PODE SE REPETIR:</p>



<p>&#8211; Em 2022, militantes da UNITA foram presos injustamente em Sanza Pombo, num caso que levantou suspeitas de interferência política.</p>



<p>&#8211; Será que a história vai se repetir com a libertação de Virgílio Cordeiro João?</p>



<p>O POVO DO UÍGE EXIGE JUSTIÇA:</p>



<p>&#8211; Justiça independente e imparcial, livre de influências políticas.</p>



<p>&#8211; Respeito aos direitos humanos e à dignidade das vítimas.</p>



<p>&#8211; NADA de impunidade para os criminosos que destruíram vidas.</p>



<p>NÃO PODEMOS PERMITIR A LIBERTAÇÃO DE UM LÍDER DE MILÍCIA!</p>



<p>O Uíge precisa de paz, segurança e justiça. Não podemos fechar os olhos para os crimes cometidos. Exigimos que a justiça siga seu curso e que Virgílio Cordeiro João responda pelos seus atos.</p>



<p>ERGUE A VOZ, UÍGE!</p>



<p>Participe, manifeste-se, exija justiça. A voz do povo é poderosa. Não deixem que a impunidade prevaleça!</p>
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		<title>ALDINA DA LOMBA:  &#8220;UMA BANDIDA SANTA&#8221; &#8211; PINHEIRO CHAGAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Correio da Manhã]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 10:43:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Angola, a política tem produzido fenómenos curiosos. Um deles é a facilidade com que...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em Angola, a política tem produzido fenómenos curiosos. Um deles é a facilidade com que certas figuras públicas, depois de passarem por cargos de poder marcados por controvérsias, reaparecem no espaço público revestidas de autoridade moral, muitas vezes através do discurso religioso.</p>



<p>O mais recente exemplo é o de Aldina Matilde da Lomba Catembo, antiga governadora da província de Cabinda entre 2013 e 2017, que actualmente surge como representante da área feminina da Liga Ecuménica de Igrejas de Angola&nbsp; (LEIA).</p>



<p>Nesta qualidade, apelou às mulheres para participarem de forma massiva num culto ecuménico organizado pelo&nbsp; Conselho de Igrejas Cristãs em Angola, em parceria com o Ministério da Acção&nbsp;&nbsp; Social, Família e Promoção da Mulher, no&nbsp; âmbito do Dia Internacional da Mulher.</p>



<p>O discurso apresentado é, à primeira&nbsp; vista, irrepreensível. Fala-se da luta&nbsp; histórica das mulheres por melhores&nbsp; condições de trabalho, da necessidade&nbsp; de combater a discriminação de género, de promover a paz, proteger a família e moralizar a sociedade São bandeiras legítimas e causas que merecem ser defendidas.</p>



<p>Mas quando certas mensagens são transmitidas por determinadas figuras públicas, a memória colectiva tem o direito &#8211; e até o dever &#8211; de fazer perguntas.</p>



<p>A carreira de Aldina da Lomba foi construída no aparelho político do Estado. Licenciada em Relações&nbsp; Económicas Internacionais, passou pela Organização da Mulher Angolana (OMA),&nbsp; onde foi secretária provincial durante mais de uma década, dirigiu estruturas&nbsp; no Ministério da Assistência e Reinserção&nbsp; Social e acabou por assumir a&nbsp; governação de Cabinda.</p>



<p>Foi nesse período que a sua gestão passou a ser alvo de fortes críticas e denúncias. Diversos sectores da&nbsp; sociedade civil apontaram problemas de&nbsp; má gestão, práticas de nepotismo e&nbsp; suspeitas de utilização indevida de&nbsp; recursos públicos.</p>



<p>Contudo, como tantas outras histórias na&nbsp; política angolana, as acusações nunca&nbsp; chegaram a produzir consequências&nbsp; judiciais.</p>



<p>E é precisamente aqui que reside o problema estrutural do país: a falta de responsabilização.</p>



<p>Em Angola, a justiça raramente&nbsp; acompanha o volume das denúncias&nbsp; públicas. Muitos processos desaparecem antes de nascer, outros perdem-se no&nbsp; silêncio burocrático e, no fim, os&nbsp;&nbsp; protagonistas reaparecem em novas&nbsp; funções, muitas vezes como se nada&nbsp; tivesse acontecido.</p>



<p>Quando isto se repete, a mensagem que&nbsp; chega à sociedade é devastadora e clara: não importa o que se fez no exercício do poder, porque dificilmente&nbsp; haverá consequências.</p>



<p>Neste contexto, a migração de antigos&nbsp; dirigentes para espaços religiosos ou moralizadores levanta inevitáveis&nbsp; questões. Não porque a fé deva ser&nbsp; questionada &#8211; a espiritualidade é um&nbsp; direito íntimo de cada cidadão -, mas&nbsp; porque o uso da linguagem religiosa pode&nbsp; facilmente transformar-se num escudo&nbsp; simbólico para proteger reputações&nbsp; políticas fragilizadas.</p>



<p>Invocar Deus, falar de moralidade ou promover cultos ecuménicos não apaga. Tampouco substitui aquilo que deveria ser o verdadeiro mecanismo de limpeza da vida pública: a responsabilização institucional.</p>



<p>A luta pelos direitos das mulheres, a defesa da família ou o combate à violência doméstica são causas demasiado sérias para serem instrumentalizadas por discursos que ignoram a necessidade de coerência entre palavra e trajectória.</p>



<p>Angola precisa, mais do que nunca, de lideranças morais credíveis. E essa credibilidade não se constrói com discursos piedosos, mas com integridade demonstrada ao longo da vida pública.</p>



<p>No final, a questão não é religiosa nem política. É uma questão de coerência.&nbsp; Porque uma sociedad que perde a capacidade&nbsp; de distinguir entre discurso moral e a&nbsp; responsabilidade real corre o transformar a ética pública buma simples encenação.</p>
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		<title>IMAGEM DO DIA: PAÍS DOS LINKS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Correio da Manhã]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 13:56:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Estas meninas são filhas de quem? Como e quando é que entraram nas forças da ordem pública? Será que são mesmo os links conforme se diz nos corredores do Ministério do Interior?</p>
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		<title>CABRITO A SE FINGIR DE BOI: QUEM É AFINAL LUÍS DE CASTRO &#8211; OPOSIÇÃO REAL OU JOGO DO SISTEMA?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Correio da Manhã]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 12:47:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O nome de Luís de Castro começa a gerar debates intensos no xadrez político angolano,...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O nome de Luís de Castro começa a gerar debates intensos no xadrez político angolano, sobretudo pela alegada ligação passada ao MPLA e pelo posicionamento que alguns sectores classificam como ambíguo no actual cenário político nacional.</p>



<p>Analistas políticos e sectores da sociedade civil levantam várias hipóteses sobre o real posicionamento do suposto ex-militante, questionando se representa uma alternativa política real ou se poderá vir a funcionar como elemento de fragmentação do eleitorado da oposição, tradicionalmente liderada pela UNITA.</p>



<p>Entre os cenários debatidos estão:</p>



<p>• Possível criação de projecto político alternativo com impacto reduzido</p>



<p>• Eventual papel estratégico em equilíbrios parlamentares futuros</p>



<p>• Risco de ser visto como projecto político sem ruptura clara com o sistema</p>



<p>Especialistas recordam que o histórico político nacional mostra dificuldades estruturais para novos partidos conquistarem espaço eleitoral significativo, devido à forte polarização política e ao peso histórico dos grandes partidos.</p>
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